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China, Estados Unidos e o começo de uma nova era

chinausa

Nas últimas semanas, acho que uma das notícias que mais me chamou a atenção foi a visita da Hillary Clinton a China. Pela presença do secretário do tesouro Tim Geithner na comitiva, ficou bem claro que não sería uma visita de cortesia, e como um jornalista da Bloomberg colocou:

Hillary Clinton’s visit to China last month dramatized the point. She didn’t exactly arrive with her hat in her hand, yet it was surreal to see the U.S. secretary of State hawking bonds.

Tradução:

A visita de Hillary Clinton a China no mês passado, demonstrou o ponto. Ela não chegou exatamente com o chapéu na mão, mesmo assim foi “surreal” ver a secretária de estado dos EUA, vendendo títulos de dívida.

E para completar o cenário. Na semana passada, em entrevista coletiva, o premier chinês solta a seguinte declaração:

“We have lent a huge amount of money to the United States…Of course we are concerned about the safety of our assets. To be honest, I am a little bit worried. I request the US to maintain its good credit, to honor its promises and to guarantee the safety of China’s assets.”

Tradução:

“Nós emprestamos uma quantia enorme de dinheiro aos EUA… É claro que estamos inquietos sobre a segurança do nosso investimento. Para ser honesto, eu estou um pouco preocupado. Eu peço aos EUA que mantenham seu bom crédito, afim de honrar com sua promessas e garantir a segurança do nosso investimento”

Adaptando as palavras do Peter Hartcher do SMH: “A China aperta, e os EUA recebem um duro recado”.

Há muito se fala da mudança no balanço de poder internacional. Mas no momento que os EUA tem que pedír dinheiro não só para a China, mas também deve para outros países como o Brasil, começa a ficar claro que esse processo já começou.

E para quem não sabe. É verdade. O Brasil é hoje o 5o maior credor dos EUA. De acordo com Departamento do Tesouro Americano, eles devem ao Brasil, cerca de 133 bilhões de dólares.

Aliás, há um pouco mais de um ano, para quem não lembra, o Brasil deixou de ser devedor para se tornar credor líquido de dívida externa. Ou seja, o valor de suas reservas internacionais supera o valor de sua dívida externa.

Em termos de reservas internacionais, o Brasil é o 7o país, tem cerca de 200 bilhões no caixa, e praticamente dobrou o valor que tinha em 2007.

Além de todas as notícias em relação a China e EUA, outra que chamou a atenção em termos da nova ordem econômica mundial, foi a do Financial Times, que publicou um documento secreto do governo britânico que divide o G20 em duas classes prioritárias. A primeira contém EUA, China, Japão, Alemanha, França, Itália, Índia, Brasil, Arábia Saudita, Coréia do Sul e África do Sul. E relegados ao segundo grupo: Russia, Australia, Canadá, Argentina, México, Indonésia, e Turquia.

Pelo movimento de diplomatas, declarações feitas para mídia, e visitas de chefes de estado; a reunião do G20 marcada para Abril já começou.

  1. Jacó S
    Março 21, 2009 às 3:09 pm | #1

    A coisa tá feia para os americanos. Para piorar, essa semana, lí que o tesouro americano começou a imprimir dólar já que não está conseguindo vender mais títulos de dívida. O dólar ainda está forte porque existe falta de dinheiro no mercado financeiro, mas agora tende a desvalorizar…

    Parabéns pelo post sem ufanismos, e sem sensacionalismo barato. Informação pura e simples.

  2. Oswaldo Mendonça
    Março 21, 2009 às 7:03 pm | #2

    Apesar do Lula, estamos caminhando. E o BRIC ultilmanente está mais com cara de BC. O Brasil no sentido social ainda precisa de muita coisa, mas para quem viveu na época do cruzeiro, cruzado e cruzado novo, já é um milagre ver o nosso país no positivo e com uma certa estabilidade.

  3. Celso
    Março 23, 2009 às 1:13 pm | #3

    Antes de tudo, parabéns pelo blog Sandro!

    Acho muito legal essa perpectiva mostrando que o Brasil “não tá morto não”. Mas faço uso aqui das palavras do Oswaldo: apesar do Lula.
    Talvez se eu estivesse no lugar dele (Lula) fizesse a mesma coisa … político é político … mas como não sou político e nem estou no lugar dele ….

    Essa política de makeup que ele anda fazendo, dizendo que o Brasil não está sentindo tanto a crise é pura balela.

    Essa semana em contato com um familiar meu do Brasil que trabalha no BB Corporate (departamento do BB que só trabalha com clientes com faturamento alto), ele me disse que a crise tá solta sim. Toda semana ele ve clientes e mais clientes grandes quebrando. E quando isso acontece todos já sabem: desemprego … e por aí vai.

    A minha opinião é que o Brasil está mais preparado para essa crise do que tempos atrás, mas isso não quer dizer que o lobo mal não vai dar umas dentadas na chapeuzinho vermelho não.

  4. Março 23, 2009 às 6:30 pm | #4

    Sobre a crise… acho que nenhum país vai sair ileso. E o Brasil não vai ser exceção.

    Como alguém falou por aí, a questão agora é quem vai ficar com as “tetas menos caídas”, porque todas vão cair de qualquer jeito.

    O Lula, só tá fazendo o papel dele… e como saiu no Wall Street Journal dessa semana:

    If a leader’s job during a crisis is to inspire confidence, then last week, on a visit to New York, Brazilian President Lula da Silva was working overtime.

    http://online.wsj.com/article/SB123776326396008613.html

    Não sou a favor do Lula, e acho que o grande mérito dele foi apenas de ter continuado o que o FHC começou.

    No geral, esse post não é sobre que vai ou não ser afetado pela crise, é mais sobre uma certa mudança na ordem mundial. E como os papéis estão invertidos.

    EUA pedindo dinheiro? Brasil emprestando?

    China exigindo?

    Em termos mundiais são coisas interessants, mas precisa ver no que isso vai se traduzir na vida do povo no Brasil, da China e etc… essa é a medida final do sucesso. E por enquando… a coisa não está tão boa assim.

  5. Março 23, 2009 às 6:33 pm | #5

    Aliás o próximo post vai ser uma compilação das últimas notícias sobre a economia do Brasil nas principais publicações estrangeiras.

  6. pedrojunqueira
    Março 26, 2009 às 8:39 pm | #6

    Sandro,

    A China e o Japao sao os maiores credores dos EUA, mas eh uma relacao simbiotica.

    Os EUA que compra o bando de bugiganga que a Asia fabrica e ambos precisam de si.

    Mas semana passada o premier chines deu um puxao de orelha nos EUA e diz que esta deveras preocupado com a gantanca.

    Os EUA ta parencendo o Sarney da decada de 80 com a polica da senhorinhagem (Impressao de dinheiro). Resultado e inflacao.

    Pra ter uma ideia o Dolar Australiano voltou a 70c com as noticias do aumento do volume de tresury bonds nos EUA.

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