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Archive for April, 2009

A Australia esta em crise?

April 24, 2009 2 comments

Fila de Desempregado para receber o "dole" (seguro desemprego) na decada de 30.

Fila de Desempregados para receber o "dole" (seguro desemprego) na década de 30.

Dando uma atualizada no assunto desemprego na Austrália e como a crise estah afetando o mercado de trabalho.

Hoje saiu uma noticia interessante no The Age sobre a publicação de uma pequisa do The Melbourne Institute.

A pesquisa não eh otimista, pelo contrario, mas traz dados interessante que vale a pena acompanharmos aqui no site com o tempo.

Os principais pontos da matéria em itálico seguido da tradução:

The Melbourne Institute now sees unemployment hitting 6.4% in the final quarter of the year, up from the average of 5.3% “

“One implication of the current economic environment is that there may be more long term unemployment,” the Melbourne Institute said in its April Monthly Bulletin of Economic Trends.

Tradução:

O Melbourne Institute prevê o desemprego bater os 6.4% no final do quarto trimestre (Dezembro), subindo de uma media de 5.3%

Uma implicação desta crise eh que poderá ter mais desemprego de longo prazo (pessoas a mais de um ano desempregada).


E agora com relação a quais estados e industrias serão mais afetados pela crise. Isso eh interessante para você que esta querendo imigrar como profissional qualificado e quer saber se a sua profissão esta na lista das mais afetadas e se o estado que quer ir sera mais impactado.

New South Wales, with a concentration of financial service industry jobs is expected to see unemployment of 7.8% in the last quarter of the year, followed by Victoria, which will be hit by a slowdown in demand for manufactured goods.

The jobless rate in Victoria is on track to rise to 6.9% in the fourth quarter of 2009, the MI said. By then, South Australia’s unemployment rate is expected to be 6.5% in the same period.

However, resource states, where mining companies struggled to find staff during the height of the commodities booms will still have a stronger demand for staff, the group projects.

Both Queensland and Western Australia are expected to experience a fourth quarter unemployment rate of 5.6%. The only state faring better by then will be Tasmania, were the percentage of available workers without jobs is forecast to rise to 5.2%.

The broad forecast also tips zero growth for the Australian economy in the March quarter, following a 0.5% contraction in the fourth quarter of last year.

Traducao:

New South Wales (Sydney), com a concentração na industria financeira eh esperado um desemprego de 7,8% no ultimo trimestre do ano, seguido por Victoria (Melbourne), que sera afetado por uma desaceleração na demanda por bens industrializados.

A taxa de desemprego em Victoria esta no caminho de subir para 6,9% no quarto trimestre de 2009, diz o MI. Ate la, South Australia (Adelaide) eh esperado ter um desemprego de 6.5%.

Entretanto, os estados onde tem minério, em que as empresas estavam tendo dificuldades de achar pessoal na época do boom de minérios ainda terá uma demanda forte por pessoal, projeta o instituto.

Ambos Queensland (Brisbane) e Western Australia (Perth) esperam no ultimo trimestre atingir desempregos de 5.6%. O única estado que estará melhor eh a Tasmania, onde a porcentagem de trabalhadores disponíveis sem trabalho (outras palavras pra dizer desemprego) aumentara para 5.2%…

A previsão geral eh que o crescimento na Australia seja nulo no trimestre de marco, seguindo uma contração de 0.5% no ultimo trimestre do ano passado.”

Minha única surpresa na noticia eh o fato de achar que a industria de Minérios seria bem afetada, mas o que a pesquisa diz eh que as empresas não mandarão muita gente embora, principalmente alguem que foi difícil de contratar.

Agora pra finalizar uma evidencia que a coisa ta ficando feia.

Centrelink has added about 1000 employees nationwide this year in its call centres to absorb the bigger workflow, bringing its total staff to about 27,000.

Newstart Allowances payments, paid out through Centerlink to job seekers, Centrelink jumped 17.4% in the year to March, rising to 592,000 from 504,000, numbers published by the Department of Employment Workplace Relations Services.

Centrelink payments for Youth Allowances, aimed at young job seekers, gained 18.8% over the same period to 78,300 from 65,900.”

Tradução:

O Centerlink (INSS da Australia) contratou 1000 empregados no pais todo este ano para os callcenters para absorver o volume de trabalho, aumentando o pessoal total para aproximadamente 27mil.

Aumento de novas pensões pagas através do Centerlink pulou em 17,4% neste ano ate marco, aumentando para 592,000 de 504,000, numero publicado pelo departamento de emprego e relações trabalhistas.

O pagamentos do Centerlink para jovens, aumentou 18,8% no mesmo período para 78,000 de 65,900.

Achar que a crise financeira não esta afetando a Australia eh loucura. Estah afetando, e o desemprego, que não era um problema na Australia desde meados dos anos 90, volta a assustar.

Desemprego Australia media dos ultimos 100 anos

Desemprego Australia media dos ultimos 100 anos

O ponto bom da Australia eh que o governo tem uma forte rede social que não deixa esse pessoal desempregado na rua da amargura. Entretanto o imigrante encontra uma dificuldade extra, pois não tem direito ao seguro desemprego, assim o risco eh maior imigrar agora do que 3 a 5 anos atras.

O seguro eh somente para cidadães ou para residentes permanentes que estao na Australia a mais de 2 anos.

As ultimas noticias sobre quando a crise vai melhorar nao sao animadoras e o consenso eh que a crise sera prolongada e a recuperacao nao sera rapida com outras crises.

Acho cedo pra tirar conclusoes, mas ao longo do ano vamos acompanhando as noticias, especulacoes e fatos e cada um pode tirar suas proprias conclusoes.

Crise Mundial na Austrália 2

Retomando o assunto mais chato do mundo atual: CRISE ECONOMICA FINANCEIRA ou GFC (Global Financial Crisis)

Eh oficial !

O primeiro ministo admitiu em publico e usou a palavra que comeca com “R”.

Recessao no meio politico eh palavrao e eh evitada a todo custo, mas a coisa ta ficando tao ruim que eh melhor admitir que ficar em auto-engano.

Saiu a reportagem hoje no THE AGE

“The worst global economic recession in 75 years means it’s inevitable that Australia will be dragged into recession,” Mr Rudd told an economic forum in Adelaide today.”

Traducao:

“A pior recessao economica glogal em 75 anos significa que eh inevitavel que a Australia sera arrastada pra dentro dela” Disse o primeiro ministro [Kevin Rudd] num forum sobre economia hoje em Adelaide .”

Parece que a coisa vai demorar pra melhorar mesmo e sera uma longa caminhada ate as coisas voltarem nos trilhos.

Estava animado que as coisas parecerem estar mais estabilizadas nos EUA com algumas boas noticias nas duas ultimas semanas.

Semana passada foi a primeira semana desde que a crise estourou que o pedido de desemprego caiu nos EUA. Caiu em 53mil pedidos de 663mil para 610mil. Isso pode ser um sinal na desaceleracao no crescimento do desemprego que já esta em mais de 8%.

Outra “boa” noticia eh que os bancos americanos estao reportando lucro no primeiro trimestre. (Citi, JP e Goldman Sachs).

O mercado de acoes, por causa disso,  deu uma boa recuperada desde o fundo do poco no comeco de marco com aumento de quase 25% em 45 dias.

Grafico

E ate estao falando que o mercado imobiliario esta encontrando o fundo do poco com a parada na queda de contrucao de casas familiares (single family homes).

Mas ao mesmo tempo tem os cavaleiros do apocalipse que nos lembram que nem tudo são rosas e que pra recuperar o estrago feito vai demorar um tempo.

A divida eh muito grande como podem ver no grafico de % do endividamento das familias em relacao ao PIB nos EUA

householddebtgdp

E tambem o tamanho da divida em Trilhoes

consumerdebtoutstanding

Apesar dos bancos estarem dando “lucro” ele eh suspeito de ser mais uma acochambração contabil como alerta o The daily reckoning.

The big three banks reporting last week-Citibank, Goldman Sachs, and JP Morgan-all reported huge revenues from their trading desks. As we reported last week, Goldman’s $6.6 billion in trading revenues was not only 70% of total revenues, but it was also a ten billion dollar improvement on a $4 billion loss in the fourth quarter. …

Citigroup reported $4.69 billion in fixed income trading. In fact, all of Citigroup’s other major operating segments reported declining revenues for the quarter. Its global credit card revenues fell by 10%. Consumer banking revenues were down 18%. And Citi’s Global Wealth Management revenues were down 20%.

But something magic happened in the fixed income trading group for Citi. This is pure gold if you like arcane financial statements packed with fictional earnings. If you dig into the quarterly report, you’ll learn than fixed income trading revenues were boosted by a “net $2.5 billion positive CVA on derivative positions, excluding monoclines, mainly due to the widening of Citi’s CDS spread.

Or, in plain English, Citi profited because it made a bet that the cost of insuring itself against a default would go up.

Traducao:

Os tres grandes bancos reportaram na ultima semana Citibank, Goldman Sachs e JP enormes receitas em suas mesas de operacao. Goldman’s 6,6bi, sendo 70% da receita. Isso eh uma melhora de cerca de 10bi de dolares comparado com a perda de 4Bi no quarto trimestre …

Citigroup reportou 4.69Bi em operacao de renda fixa. De fato as outras principais operacoes do grupo reportaram declinio de receita no trimestre. A divisao de cartao de credito com queda de 10%, banco de consumo 18% pra baixo. E a divisao de gestao de riquezas queda de 20%.

Mas algo MAGICO aconteceu na mesa de operacoes de renda fixa. Isso eh ouro puro se voce gosta de demostracoes financeiras misteriosas e empacotadas com ganhos ficticios. Se voce cavucar no relatorio do quarto trimestre vai entender que a receita proveniente da operacao com renda fixa foi inflada com um “ganho liquido positivo de 2.5 Bi em posicoes de derivativos, principalmente devido a ampliacao das variacoes nos CDS.

Em palavras claras o Citi lucrou, pois apostou que o custo de se segurar contra um calote proprio iria aumentar. “

Isso eh um absurdo,  pois quanto maior a chance do banco quebrar, maior a chance de ganhar dinheiro.

Alem disso, os bancos estao fazendo um ajuste nos balancos em seus ativos toxicos que estao sendo comprados com o dinheiro de imposta estao se valorizando.

A questao eh: Ate quando essa recuperacao no mercado eh verdade e verdade real?

Ate agora ta parecendo uma bolha dentro de uma bola murcha.

Voltando pra Australia, podemos dizer que a Australia esta mais preparada hoje e agindo muito mais rapido e de forma pro-ativa comparando com a crise de 1991, mas a extencao da crise do comeco da decada de 1990 comparada com a crise de hoje eh chinelo.

Os bancos aqui já estao lascando o reio no cliente recusando-se a repassar a queda dos juros nas hipotecas e mais… estao inclusive aumentando os juros nas hipotecas fixas alegando aumento de custo no atacado como caiu no The Age hoje.

Commonwealth Bank of Australia will raise its interest rates on fixed rate mortgages by between 20 basis points and 45 basis points from tomorrow. “

Traducao:

O Banco Commonwealth aumentara suas taxas de juros fixas em hipotecas de taxas fixas entre 20 a 45 pontos bases (cada 100 pontos eh equivalente a 1%) a partir de amanha.

Entao não vai ficando animado não. A coisa ta preta e vai demorar pra melhorar. Tem que segurar as pontas e esperar pro pior.

O elogio do atraso

April 15, 2009 2 comments

Devo admitir que depois do episódio do Santos-Dumont, de vez em quando, entro na página do Diogo Mainardi. Se o objetivo era dar ibope, ele está de parabéns. Acabou ganhando um leitor quase assíduo.

Numa dessas minhas visitas, acabei por ler, um texto que ele analisa uma reportagem publicada pela revista The Economist, que eu havia lido um tempo atrás, e rapassado através de um comentário deixado em outro blog.

Eu não vou comentar a análise do Mainardi, mas quero colocar o link original aqui para quem tíver a curiosidade de ler direto da fonte, sem intermediários. E também vou colocar uma tradução para aqueles que ainda estão estudando o idioma:


Colhendo os frutos da indolência

Alguns aspectos não reformados da economia do Brasil, estão agora ajudando a limitar o estrago da desaceleração mundial – mas a sua prudência em anos recentes, está ajudando também.

Qualquer lista das coisas que seguravam a economia do Brasil até recentemente, incluiria a influência arbitrária do estado no setor financeiro. O governo controla o Banco do Brasil, um gigantesco banco comercial, e a Caixa Econômica, a maior financiadora de imóveis, mais o BNDES, um grande banco de desenvolvimento que provém crédito barato a empresas favorecidas. E mesmo sob circunstancias diferentes, tais políticas lamentáveis, repentinamente parecem previdentes, e deram a desaceleração mundial, uma coloração incomum no Brasil.

Outros países estão tentando descobrir como gerenciar bancos e dirigir crédito para onde os políticos acham que é necessário. Isso é algo, que o Brasil, fez ainda quando não era moda. É um sinal dos tempos, que uma recente nota de pesquisa da Goldman Sachs sobre o Brasil, listou como positivo o envolvimento do estado no sistema bancário. Em relação aos bancos privados, as enormes exigências de reserva e impostos sobre financiamento, que empurram o preço de seus empréstimos para cima, os desencorajam para com os ferozes riscos que causaram a queda de seus rivais na Europa e Estados Unidos. Até agora, o crédito no Brasil foi dentado, mas não triturado.

Apesar da economia ter sido poupada do pior da crise financeira, a economia está enfraquecendo. Demissões aumentaram, revertendo o crescimento de empregos na economia formal nos anos recentes. Embraer, um produtora de jatos, demitiu 20% de seus empregados dia 19 de fevereiro. Vale, uma mineradora gigante, cortou 1300 empregos e colocou 5000 outros em férias coletivas. A produção industrial em dezembro caiu 12%, a maior queda nos 17 anos registrados pela agência federal de estatíticas (IBGE).

Essa desaceleração aguda vai gerar um ano difícil. Marcelo Carvalho, um economista da Morgan Stanley, não prevê nenhum crescimento em 2009, e seu ponto de vista tem se tornado corrente rapidamente. O Brasil provavelmente sairá tão tarde da desaceleração econômica quanto demorou para entrar. Se o passado é uma indicação, sua produção industrial segue os altos e baixos das exportações da China, com o atraso de um quadrimestre.

Ainda sim, em comparação com o passado recente do Brasil, e também com o que outros países estão passando, a economia está razoavelmente em forma. O FMI prevê que somente os países em desenvolvimento da Ásia (que são mais pobres que o Brasil), Africa (idem) e o Oriente Médio, serão melhores em 2009. Dado a tendência do Brasil de ter ataques cardíacos sempre que outras economias ficam sob pressão, isso é impressionante. A crise da Argentina em 2001, e as crises asiáticas e russas de 1997-98 foram dolorosas e disruptivas para o Brasil. A hipersensibilidade do país para os caprichos da economia mundial se estica até, pelo menos, os anos 30, quando o Brasil sofreu um golpe militar durante a depressão.

A razão para sua melhora tem muito há ver com a dívida do setor público, que outrora foi um ponto fraco, mas foi reduzida abaixo de 40% do PIB. Empréstimos em moeda estrangeira foram trocados por equivalentes em real, então desvalorizações na moeda não machucam o balancente do governo. E mais importante, essa crise não está aumentando a inflação, a fraqueza congênita do Brasil. Isso em troca, permitiu ao banco central cortar taxas (fazendo o débito público mais barato de se pagar). Essa é a primeira vez que o Brasil foi capaz de executar uma política monetária “contra-cíclica”.

Mesmo assim, preocupações persistem que a prudência dos anos recentes, não vai durar. O gasto governamental cresceu tão rápido quanto a receita durante os tempos de fartura. Agora, os rendimentos estão caindo, mas não existe moderação no gasto. O consultor Raul Velloso, aponta que o gasto público tipicamente aumenta no ano anterior a eleição presidencial. Uma está marcada para 2010, o que faz da moderação agora, improvável. Como resultado, o superávit primário do orçamento (ie, antes do pagamento de juros) está destinado a secar, ou desaparecer.

Em tempos normais, isso assustaria investidores com títulos brasileiros, que enxergam o superávit primário como uma garantia que eles serão pagos. Na prática, eles vão entrar menos em pânico agora que a finanças governamentais ao redor do mundo estão mostrando o mesmo enfraquecimento, ou pior.

A crise mundial na Australia

April 9, 2009 7 comments

Traducao: esperem que voltem a funcionar logo para que possamos fecha-los devido ao meio ambiente

Traducao: esperamos que voltem a funcionar logo para que possamos fecha-los devido ao meio ambiente

Todos que estao imigrando para a Australia ou  tem planos para imigrar e nao acompanham a midia Australiana ou pelo menos nao sentem como as coisas estao na Australia sempre se perguntam.

E a Crise Mundial e a Imigracao para a Australia?

O desemprego mundial esta afetando a Australia?

Bem, a resposta nao eh simples.

Vou tentar dar minha opiniao sobre o assunto baseados em fatos e opinioes que a midia esta falando sobre a Australia e a Crise.

Primeiro vamos tentar delimitar o assunto e “focar” em alguns pontos e indicadores para entender o que esta acontecendo.

Os pontos que gostaria de discutir e que acho que sao relevantes:

  • Desemprego;
  • Taxa de Juros;
  • Preco dos Ativos (imoveis, commodities e bolsa);
  • Taxa de cambio.

So pra dar um pano de fundo a ultima grande crise que teve na Australia foi em 1991-1992, durante o governo Keating (Paul Keating – Labor Party), onde a Australia teve o que se chama de recessao tecnica. Em outras palavras sao dois consecutivos trimestre com crescimento negativo do PIB. Na epoca o desemprego disparou rapidamente pra 11% e os juros eram altissimos na epoca (cerca de 15-17% ao ano). O governo demorou pra cortar os juros e as coisas ficaram meio estagnadas de 1993 a 1994 ate que comecaram a melhorar.

Quando o governo Keating arrumou a casa, o governo Howard (John Howard -Liberal) tomou posse em 1996 e a economia cresceu consecutivamente, trimestre a trimestre de 1996 ate 2007. Foi uma era dourada para a Australia.

O poder aquisitivo australiano aumentou muito, os preco dos imoveis inflaram, o desemprego despencou e a bolsa, assim como o preco das commodities dispararam.

E pra concluir, como aconteceu no mundo todo o povo se individou ate as tampas.

Apesar dos rumores de que o crescimento era uma bolha tudo correu bem ate as coisas comecaram a degringolar nos EUA com a tal da sub-prime crises.

Os rumores comecaram em final de 2007 e estouraram em Outubro de 2008, como todos sabem.

Ate entao final de 2007 a Australia tinha:

  • Um desemprego de 4.0% (menor nos ultimos 30 anos);
  • A Bolsa a 6800 pontos, aumento de 150% desde 2003;
  • A imigracao bombando e o governo falando em aumentar para um recorde de 180mil imigrantes no bienio 2008-09;
  • O preco das casas em media 7x o valor medio da renda Australiana o que comparado com os EUA (4,5x) ainda eh altissimo;
  • A taxa de cambio quase em paridade com os dolar americano a 98c;
  • e, como disse, o povo endividado ate as tampas.

Dado o pano de fundo aqui vai a resposta em partes.

Hoje a situacao eh a seguinte:

  • Desemprego: 5,7%, anunciado hoje, e veio acima da expectativa que era de 5,4%. Veja post abaixo onde falo mais sobre o assunto.
  • Bolsa em queda de cerca de 45%-50% do pico em Setembro de 2007
  • Taxa de Juros a 3%aa. (mais baixa desde a decade de 50, isso eh HISTORICO)
  • Precos dos imoveis estagnados e caindo levemente, mas nao tao terrivel quanto nos EUA.

Pra nao deixar este post muito extenso gostaria de entrar em detalhe em cada um dos pontos em uma serie de topicos sobre este vasto assunto sobre a Crise Mundial e a Australia.

Minha primeira conclusao eh que a crise sim esta afetando a Australia no aumento do desemprego e esta afetando a imigracao qualificada como podem ver no topico abaixo postado pelo Sandro.

O lado positivo disto tudo eh que as coisas aqui nao estao tao pretas como nos EUA e tanto o governo como o banco central (RBA) estao bem ativos nas medidas.

Nesta terca feira os juros foram cortados em mais 0.25% e esta em 3% agora. Os juros comecaram a cair desde Setembro de 2008 quando estavam 7.25%. Uma queda historica num curto periodo de tempo. Isso certamente impactou no bolso dos Australianos, principalmente aqueles que tem mortgage (hipoteca). Pra se ter uma idea em media foi uma economia de 12000 dolares por ano pra quem tem uma hipoteca media de 300mil dolares.

Eu acredito que as coisas vao piorar ate comecarem a melhorar. Eh dificil de dizer quando que as coisas vao voltar ao normal e a economia voltar a crescer.

Outro ponto que acho positivo sobre a Australia eh que o setor bancario eh bem solido e esta tomando medidas duras para diminuir a exposicao a risco e a alavangem (endividamento). Citando um blog que leio muito THE DAILY RECKONING e recomendo pra quem curte mercado de acoes e economia. Apesar do comentario parecer ser pessimista eu acho que tem um lado positivo.

Banks are already preparing for a property smash up, according to the Sunday Morning Telegraph. “Mortgage lenders are slashing loan ratios (LTV) in a bid to protect themselves against falling house prices. In the past fortnight, Commonwealth Bank, Bankwest, ING, Challenger, Citibank and Suncorp have all cut their maximum loans from 95 per cent to 90 per cent of the property value – and may cut further. ANZ cut its maximum loan to 90 per cent last November. The move is designed to ensure the bank can recover the loan value, if the house has to be sold in the event of a loan default.”

Traducao:

Os bancos estao se preparando para uma “esmagada” no mercado imobiliario segundo o Sunday Morning Telegraph. Os Bancos estao cortando a relacao hipoteca/Valor do imovel (LVT) com o intuito de se proteger contra a queda nos precos das casas. Nas duas ultimas semanas os bancos CBA, Bank West, ING, Challenger, Citibank e Suncorp cortaram a relacao de 95% para 90% do valor dos imoveis e podem cortar ainda mais. ANZ cortou o seu emprestimo maximo para 90% em novembro passado. O movimento eh feito para garantir que os bancos possam recuperar o valor emprestado se eles precisarem vender o imovel caso o devedor der calote”

O lado positivo eh que os bancos estao “forcando” as pessoas a se endividarem menos, o que eh um bom sinal, pois a principal causa de toda a crise foi o endividamento excessivo que criou a bolha nos preco dos ativos (Bolsa, Imoveis e Commodities)

Espero que, olhando pra frente, a economia cresca de uma forma mais sustentavel com um menor endividamento e que seja  mais baseado em inovacao, trabalho e produtividade.

E o G20 de Londres?

April 3, 2009 6 comments

G20

Acompanhando as últimas notícias sobre o G20 nos jornais, deu a impressão que estávamos assistindo o desenho dos “superamigos”. É como se Londres tivesse virado a “Sala de Justiça”, reunindo os 20 mais poderosos super heróis do planeta com o objetivo de acabar com a maior crise financeira desde a grande depressão.

A diferença é que os super heróis, não tem nada de super. Até os EUA, país vencedor da guerra da fria, e conhecido em outros tempos com a única super potência do mundo, já não é mais tão super assim. O termo “super amigos” também não procede. Aliás, nas semanas antecedentes ao G20, foi um festival de gestos e acusações nada amistosas como o puxão de orelha que os chineses deram nos EUA, a reclamação dos americanos que queriam ver os europeus gastando dinheiro para estimular a economia mundial, e o Lula dizendo que os culpados pela crise são os homens brancos de olhos azuis. E para quem pensou que o Lula estaria sozinho nessa, até o Sarkozy entrou no coro, mas preferiu usar um termo mais refinado: “Anglo-Saxões”.

Completando o show de sopapos, China e Rússia também se uniram contra o dólar americano:

China on Monday added its voice to a growing international chorus seeking the replacement of the dollar as the main reserve currency, urging for an overhaul of the global monetary system to allow for wider use of Special Drawing Rights (SDRs) allocated by the International Monetary Fund (IMF).

Chinese central bank chief Zhou Xiaochuan said the SDRs, created by the IMF as international reserve assets in 1965, could be used as a super-sovereign reserve currency, eventually displacing the dollar.

His comments come a week after Russia said it would put forward a proposal for the creation of a new reserve currency issued by international financial institutions at the G20 meeting in April.

Russia said it had the broad support of its fellow BRIC countries — Brazil, India and China — as well as South Korea and South Africa for its proposal.

Tradução:

A China, nessa segunda, juntou-se ao crescente coro internacional que procura substituir o dólar como a principal moeda para reservas internacionais, pedindo uma reforma geral do sistema financeiro global que permita o uso maior do “direito especial de saque” (SDR’s) alocados pelo Fundo Monetário Internacional.

Nota: O “direito especial de saque” sería o equivalente a URV usada no Brasil pré-implementação do real.

O chefe do Banco Central Chinês Zhou Xiaochuan disse que as SDRs, que foram criadas pelo FMI como títulos de reserva internacional em 1965, poderíam ser usadas como uma moeda supra-soberana, e que viriam eventualmente a substituir o dólar.

O seu comentário vem uma semana após a Rússia dizer que vai propor a criação de uma nova moeda internacional emitida por instituições internacionais financeiras no encontro de G20 em Abril.

A Rússia diz que sua proposta tem o apoio geral de outros países que constituem as BRIC’s — Brasil, Índia e China — assim como da Coréia do Sul e e da África do Sul.

E enquanto o mundo falava do comentário do Lula em relação as “pessoas brancas de olhos azuis”, muita gente nem percebeu que na mesma coletiva, o presidente brasileiro apoiou publicamente a proposta dos russos:

“Brazilian President Luiz Inacio Lula da Silva said on Thursday that it was important to discuss a Russian proposal to replace the U.S. dollar as the international reserve currency.”

Tradução:

“O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva disse na quinta, que também era importante discutir a proposta russa para substituir o dólar como a moeda corrente de reservas internacionals”

E no que deu o G20 então?

Não foi um show dos super amigos, criando uma super resolução para uma super crise global. Também não foi uma guerra, como todas as declarações e cutucões descritos acima, deixaram a entender. Mas foi um grande passo em direção a uma mudança na atual ordem econômica mundial. Falou-se muito da quada de braço entre Barack Obama (que aliás roubou a cena com seu carisma) e os europeus liderados pelo Sarkozy e chanceler alemã Angela Merkel, mas os maiores vencedores foram as BRICs, que conseguiram exatamente o que pediram numa declaração conjunta feita no meio de Março:

March 14 (Reuters) – Issuing their first-ever communique at a G20 finance ministers’ meeting, Brazil, China, Russia and India have called for a bigger voice on international bodies — signalling their growing political resolve to influence global affairs.

9. We draw our special attention to the reform of international financial institutions. We stand for reviewing the IMF role and mandate so as to adapt it to a new global monetary and financial architecture. We emphasize the importance of a strong commitment to governance reform with a clear timetable and roadmap.

Tradução:

Março 14 (Reuters) – Emitindo o seu primeiro comunidado no encontro de ministros do G20, Brasil, China, Russia e India pedem maior voz nos orgãos internacionais — apontando sua vontade crescente de influenciar relações globais.

9. Colocamos atenção especial na reforma da instituições financeiras internacionais. Nos posicionamos para a revisão do papel e mandato do FMI para que se adapte a nova arquitetura monetária e financeira global. Enfatizamos a importancia de um forte comprometimento para reforma de governo com um plano e calendários claros.

E foi o que aconteceu, e que foi bem notado pela BBC:

The IMF is also set to have a bigger role in preventing future crises, by developing an early warning system for financial problems, and taking a larger role in looking at the problems of the financial sector as a whole, in conjunction with a new global regulator, the Financial Services Board.

But the biggest changes in the IMF will come after 2011, when it has been agreed that there will be a review of the voting structure. That could lead to the US losing its veto power, while China and other emerging countries get a bigger voice.

It has already been agreed that in future, the convention that the World Bank and IMF must be headed by an American and a European respectively will be abandoned.

In return, China will be asked to lend some of its reserves to the IMF – and will continue to push for the idea that the SDR will become a real reserve currency, ultimately replacing the dollar.

The changes to the resources and the role of the IMF are historic and perhaps the most important outcome of the G20 summit.

Tradução:

O FMI também terá um papel maior na prevenção de crises futuras, desenvolvendo um sistema de alarme para problemas financeiros, e também aumentando o seu papel na fiscalização dos problemas do setor financeiro como um todo, em conjunção com o novo regulador global, denominado Conselho de Serviços Financeiros.

Mas as maiores mudanças no FMI vão ocorrer depois de 2011, quando haverá uma revisão da estrutura de votos. Isso pode levar os EUA a perderem o seu poder de veto, enquanto países como a China e outros emergentes terão maior voz.

Também foi decidido que no futuro, a convenção que o Banco Mundial e o FMI devem ser liderados por um americano e um europeu respectivamente vai ser abandonada.

Em retribuição, a China esprestará parte de suas reservas ao FMI – e vai continuar pressionando a idéia que a SDR de torne a verdadeira moeda de reservas internacionais, substituindo o dólar.

A mundança dos recursos e papel do FMI são históricas e talvez seja o maior resultado do encontro do G20.

Quem deve estar feliz da vida, deve ser o brasileiro Caio Kock-Weser, ex-ministro das finanças da Alemanha, e que foi indicado pelos europeus em 2000 para assumir o FMI. Ele sería o primeiro brasileiro a liderar o FMI, mas foi vetado pelos americanos, mesmo tendo nacionalidade alemã.

No demais, também é bom saber que o Brasil vai emprestar dinheiro ao FMI.

O mundo está ficando de cabeça para baixo.

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