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Archive for April, 2010

Uma Homenagem: Albert Kahn

As ultimas duas semanas passei em Paris, depois de ter estado lá há 19 anos. Sinceramente, difícil de perceber a diferença numa cidade que parmanece  preservada igual era a 100-150 anos atrás. Quem foi para pra Paris pode confirmar como a arquitetura se conserva em todo o centro de Paris. Se quiser fazer uma viagem no tempo é so trocar os carros e bicicletas por carroças e cavalos.

E não bastasse ir para Paris e um vulcão na Islandia, um povoado de 300 mil habitantes, quase do tamanho da minha natal Prudente e o mundo praticamente para. Conclusão: Fiquei “preso” na cidade mais linda do mundo por mais 4 dias.

Então, enquanto meu voo nao confirmava… mais um café, uma andadinha na Champs-Elysees, um sorvetinho de cheese cake na Haggen Dazs. Nao precisa comprar na galeria Lafayette pra ser feliz em Paris. Só andar nas ruas já vale a pena. Alias, a galeria Lafayette recomendo so tirar a foto e contemplar a cupula, a nao ser que estiver a fim de gastar 100 euros numa  camiseta polo.

Cupula da Galeria Lafayette

E entre um uma navegada e outra na internet para checar a situação dos aeroportos e também procurando por noticias do mercado: Escandalo do Goldman Sachs. Alias, que terá interrogatorio no senado americano.

Imagina Senador perguntando:

“Pergunta para o Sr. Fabrice Pierre Tourre, A.K.A Fabulous Fab. Como que essa história de enganar cliente e vender papel estilo…. ahammm barca furada e ficar na outra ponta apostantando contra o cliente? E ainda ficar pagando de gatinho pra namorada”

Se esse cara conseguir responder essa, na boa, eu contrato o cara pra dar uma consultoria MASTER em como ser sabonete e cara de pau ao mesmo tempo.

Enfim, vamos ao que interessa.

Albert Kahn.

Confesso que hoje tenho vergonha de dizer que demorou 33 anos da minha vida pra saber da existencia deste ser humano.

Confesso que nunca vi um homem de tamanha visão como ele.

Confesso que o documentário sobre sua vida e obra foi o melhor que já vi.

Confesso que na minha visita a Paris o momento mais esperado foi a visita do seu museu.

Confesso que fiquei maravilhado com os Jardins de seu museu, que um dia foi o jardim de sua casa.

Albert Kahn, obrigado pelo arquivo que deixou para a humanidade.

Em resumo Albert Kahn, foi um banqueiro, considerado um dos homens mais ricos da Europa no comeco do século que dedicou sua vida para a promoção da paz através do entendimento de culturas diferentes.

Kahn, nunca casou, não deixou herdeiro e morreu “pobre”. Perdeu sua fortuna na crise de 29, mas deixou um tesouro para a humanidade.

O projeto de Kahn começou quando pelas suas viagens pelo mundo, sendo um homem de extrema visão, percebeu que o este  estava passando por mudanças com a globalização e que culturas desapareceriam da terra. Então, começou seu ambicioso projeto de registrar o mundo. Na epoca contratou fotografos e cinegrafistas usando o melhor equipamento fotografico disponível na época. Assim ele foi o primeiro a tirar uma foto colorida de cidades como: Rio de Janeiro, Nova York, Toquio, dentre outras. Ele tem o melhor arquivo do front da Primeira Grande Guerra, assim como o que acontecia nos bastidores. Não porque fazia apologia a guerras, pelo contrário, queria promover a paz.

Kahn morreu pobre e apesar de grande ambição não viu seu sonho se realizar. Morreu aos 80 anos em sua casa em Paris pouco depois de Hitler marchar subindo a Champs-Elysees com seu exercito triunfante. Acho que morreu… de desgosto.

Enfim quero deixar aqui minha homenagem e que seu ideal inspire muitos como me inspirou e que continuem acreditar num ideal de paz. Quem sabe. Um dia.

Recomendo, quem se interessar e gostar de história, a assistir ao documentário da BBC. The Wonderful World of Albert Kahn

Segue fotos tiradas nos jardins do Museu, localizado nos suburbios de Paris.

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CQD

CQD: Conforme Queriamos Demonstrar.

THE Reserve Bank delivered homeowners the second interest rate rise in 2010 today, and warned Australians to be prepared for even higher interest rates as the economy’s recovery from the financial crisis gathers pace.

Na minha opinião é que pelo menos volta pra média como Glen Stevens já havia dito na ata da reunião passada.

Média é em torno de 5% e ainda estamos só em 4.25%.

Esse Stevens não dorme no ponto.

O que o mercado de bonds está dizendo

April 5, 2010 1 comment

Complementando o post sobre inflação/deflação deixo o link para um video de um debate de dois melhores economistas quando o assunto é mercado de bonds (titulos).

Achei comentario sobre este debate no blog Zero Hedge.

Interessante que apesar dos dois lados teram excelentes pontos a visão de ambos é oposta. Assim como na discussão sobre inflação/deflação abaixo.

Jim Grant acha que o cenário de inflação é mais provável e acha que o valor dos bonds vao despencar e o dolar americano desvalorizar. O seu principal ponto é que o mercado de bonds tem mega ciclos que podem durar 30 a 40 anos.

O ultimo ciclo comecou em 1981 e esta para terminar agora atingindo seu pico e iniciar novamente na direção oposta.

So um rápido 101 sobre a lógica de bonds. O bond nada mais é do um papel que promete pagar uma determinada taxa de juros (yield) até a data de maturidade. O valor de face do bond flutua durante o tempo em função de oferta e demanda por dinheiro, que nada mais é do que a taxa de juros de mercado (bond yields). Não quero entrar em muito detalhe, mas o valor do bond é inversamente proporcional a taxa de juros, ou seja, se a o valor do bond cai a taxa de juros sobe e vice versa.

Grant advoga que em 1981 o preco dos bonds começaram a subir em uma tendencia de alta e as taxas de juros cairam nos ultimos 30 anos e no momento essa tendencia se inverterá e os preço dos bonds cairão. Ele é um critico do sistema Fiat de moedas que tornou o padrão mundial desde 1971 quando Richard Nixon acabou com o padrão ouro. Atualmente, devido sua descrença no mercado de bonds, Grant acredita que a definição de bonds é uma promessa de divida denominada em moedas que ninguém sabe o que é.

David Rosemberg, pelo contrário acha que o mundo passa por um periodo de deflação e delevarage (desendividamento) e acha que o valor dos bonds vão subir e a taxa de juros ficará baixa nos próximos 3 a 5 anos. Rosemberg embasa bem seu ponto em um estudo da Mckinsey (McKinsey Debt and Deleveraging) que diz que um periodo de deleverage demora de 3 a 5 anos e é o que estamos passando no momento. Outro ponto importante do seu argumento é a mudança no perfil demográfico. Os Baby boomers esta fazendo 65 anos e querem se aposentar. A maior parte da carteira de investimento dos baby boomers estavam em ações e tomaram duas pauladas nos ultimos 10 anos. Primeiro em 2000 com a quebra de Nasdaq e depois em 2007-2008 com a sub prime crises. Agora que recuperaram um pouco da grana com a subida da bolsa o pessoal esta comprando bond pra manter o dinheiro seguro e isto está forçando a taxas de juros pra baixo, pois a demanda por bonds esta subindo.

O ponte dele é bem parecido com o the Mish Shedlock no post abaixo sobre deflação/Inflação.

Segue abaixo o gráfico de preço dos Treasury bonds de 10 anos.

Pelo gráfico quem está certo no momento é Rosenberg, pois os preços dos bonds estão numa tendencia de alta, mas caso os preços cairem abaixo daquela linha preta do grafico (up trend) ai quem estará certo é Grant.

Seja quem está certo a perspectiva pro mundo não é boa. Ou teremos uma recessão prolongada com contração no crédito ou uma hiperinflação e uma desestabilização monetária mundial.

O foco desta discussão é mais os EUA e países em desenvolvimento apesar de serem influenciados fortemente pelo que acontece nos EUA, podem correr em paralelo sem uma recessão tão forte. A Austrália por exemplo esta indo bem, pois parece que a China não quer parar de crescer, mas temos que ficar de olho na China, como foi comentado aqui, porque as coisas lá podem degringolar a qualquer momento.

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