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MundoAfora.Info

Passando aqui para anunciar que comecei um novo projeto chamado MundoAfora! Se trata de uma plataforma central para brasileiros que moram no exterior trocarem informações via blogs.

Inclusive esse blog aqui… que há muito tempo está abandonado, estou migrando pra lá! E vou ver se tomo vergonha na cara para fazer alguns updates.

O novo endereço é: http://talkingpoints.mundoafora.info

Para quem quizer entender mais ou menos o que é… aqui está o meu post inicial do projeto:

Então porque criar o mundoafora?

Grande abraço

O programa de imigração qualificada na Austrália

October 9, 2009 5 comments

Immigration to Australia

Como eu escreví no post anterior, assunto para comentar é o que não falta. Na última semana de Setembro, uma das manchetes mais faladas aqui na Austrália, foi sobre o crescimento populacional. O país finalmente chegou a marca de 22 milhões de habitantes. O grande porém, é que esse crescimento está sendo bem mais acelerado que o previsto 10 anos atrás pelo ABS (Australian Bareau of Statistics), que é a versão aussie do IBGE:

Aussie population to top 22m ‘soon’

Australia’s population is set to overtake the 22 million mark shortly after lunchtime on Thursday, a demographer predicts.

At the present rate of growth – one million extra people every 27 months – Australia’s population will reach 40 million people by 2050, Mr McCrindle said.

A decade ago, the ABS was forecasting a population of 23.5 million by 2051 with a one per cent annual population growth.

Tradução

População australiana atingirá 22 milhões ‘logo’

A população da Austrália está pronta para ultrapassar a marca de 22 milhões um pouco depois da hora do almoço na quinta, demógrafo prevê.

Na presente taxa de crescimento – um milhão a mais de pessoas a cada 27 meses – a população da Austrália irá atingir 40 milhões de pessoas em 2050, diz o Sr. McCrindle.

Uma década atrás, o ABS estava prevendo uma população de 23.5 milhões em 2051 com um por cento de crescimento populacional anual.

E quando fala-se de crescimento populacional, o outro assunto que vem sempre a tona é a política de imigração. Lí vários artigos sobre o assunto, mas vou colocar um que saiu no SMH um pouco antes:

Migration waves

The world’s population growth is slowing, but Australia’s has accelerated to record levels. In the past four years, almost without us noticing, immigration into this country has soared to levels never seen before – at a time when employment is falling.

You can sense it on the trains, on the streets of cities such as Melbourne. It’s surfacing in letters, columns and on talkback radio. The immigration debate is back. Its ripples have yet to reach federal politics, but they will.

Monash University demographer Bob Birrell has been monitoring immigration for decades. He’s never seen anything like it before. “It’s astonishing what’s happening, but the Commonwealth has paid no attention to its consequences”, he says.

But this forecast is simply an extrapolation of current trends. No one knows what the population will be in 40 years. Treasury’s previous forecast, just two years ago, was for a population of 28 million. As demographer Katharine Betts has pointed out, future population levels are not inevitable. They are simply the outcome of government policies.

Birrell argues that the Government is caught in a time warp. “They’ve set up a very liberal set of rules without considering the consequences”, he says. “Where are the health facilities, the housing, the transport? There’s no environmental impact study on any of this. There’s no accountability.”

Tradução

Ondas de imigração

O crescimento populacional do mundo está diminuindo, mas a da Austrália tem acelerado em nível record. Nos últimos 4 anos, quase sem percebermos, a imigração para o país tem aumentado para níveis jamais vistos antes – isso numa época que o índice de emprego está caindo.

Você pode sentir isso nos trens, nas ruas de cidades como Melbourne. Está aparecendo em cartas, colunas e programas de rádio. O debate da imigração está de volta. Suas ondas ainda estão para chegar na política federal, mas elas irão.

O demógrafo, da Monash University, Bob Birrel tem monitorado a imigração há décadas. Ele nunca viu nada parecido antes. “É impressionante o que está acontecendo, mas a união não tem prestado atenção nas suas conseqüencias” diz ele.

Mas a previsão é simplesmente uma dedução do patamar atual. Ninguém sabe qual será a população em 40 anos. A previsão anterior do tesouro, apenas dois anos atrás, era para uma população de 28 milhões. Mas como a demógrafa Katharine Betts aponta, o níveis futuros de população não são inevitáveis. Elas são simplesmente o resultado das políticas do governo.

Birrell argumenta que o governo foi pego num túnel do tempo. “Eles criaram uma série de regras muito liberais sem considerar as consequencias” diz ele. “Onde estão a instalações médicas, as moradias, o transporte? Não existe nenhum estudo do impacto ambiental de nada disso. Não existe responsabilidade”

Não tenho dúvidas que esse debate colocado pelo artigo acima, foi o que forçou a mudança na atual política de imigração:

DIAC Slide in Changes to Australian Skilled Migration Visas

It looks as though the Australian Department of Immigration and Citizenship are using the blanket of red dust that is currently settling over Sydney to hide one or two changes they’ve made to the priority processing for Skilled Migration Visas that will affect many people immigrating to Australia as workers.

The changes were announced today with no prior warning. Nor were there any media releases from Senator Chris Evans’ Department or from the DIAC Newsroom.

The changes affect Skilled Australian Visas only and alters the priority processing procedure.

Tradução

DIAC faz mudanças nos vistos australianos de imigração qualificada

Parece que o departamento de imigração e cidadania está usando o lençol de poeira vermelha que está pairando sobre Sydney para esconder uma ou duas mudanças que eles fizeram na prioridade de processamento dos visto de imigração qualificada, e que afetarão muita gente imigrando para australia como trabalhadores.

As mudanças foram anunciadas hoje sem aviso prévio algum. Não houve nota oficial por parte do Senador Chris Evans e nem mesmo da sala de notícias do DIAC.

As mudanças afetam apenas os vistos de imigração qualificada e altera os procedimentos de prioridade de processamento.

É bom ler o artigo inteiro e checar o site do DIAC. Mas resumindo, quem tíver uma empresa patrocinando para o visto de permanencia ou está na lista de crítica de profissões em demanda, vai conseguir o visto em 12 meses. Mas quem estava aplicando pelo general, vai ter que esperar até 3 anos.

O interessante é o contraste do seguinte artigo também publicado no smh:

Migration ‘aids economic recovery’

Natural population growth and a steady migration rate are the unsung heroes of Australia’s economic resilience through the global financial crisis, new research suggests.

Tradução

Imigração ajuda na recuperação econômica

Crescimento natural da população e taxa constante de imigração são os herois esquecidos da resistência econômica durante a crise financeira global, nova pesquisa sugere.

Minha opinião sobre o assunto? Eu acho que imigração é um fator importantíssimo no crescimento econômico e desenvolvimento da Austrália. Mas tem que ser de forma pensada em termos de infraestrutura, e nos limites ambientais do país. Acho que as medidas do governo são corretas. Prioridade pra quem já vem empregado, ou está na lista crítica das profissões que o país precisa. Mas pisou na bola, porque também colocou no bolo quem já havia aplicado e pago valores exorbitantes na esperança de ter um visto em um ano.

Para falar a verdade eu não estou surpreso, pois os cortes nas cotas de imigração que foram anunciadas durante a crise já davam a entender que haveriam mudanças no programa.

O Brasil e as olimpíadas de 2016

October 2, 2009 1 comment

Rio de Janeiro 2016

Mais uma vez um grande obrigado ao Pedro por manter a bola rolando aqui no Talking Point. Eu ainda estou bem ocupado com as coisas no trabalho, mas logo logo vou voltar a escrever mais frequentemente. Aliás, assunto é o que não falta.

Aproveitando que essa semana vai ser anunciada a sede das Olimpíadas de 2016, resolví passar para indicar um artigo da Time sobre a candidatura do Brasil:

Rio’s Olympics Quest: Can It Handle the 2016 Games?

If life is fair, then the International Olympic Committee will next week declare that Brazil has been chosen to host the 2016 Summer Olympics and thus become the first South American nation to win one of sports’ greatest honors.

The other main contenders are the U.S., Spain and Japan, and they’ve all hosted the Olympics before. So, Brazilians, with their beaches, sun, and a vibrant economy whose recent performance has shamed many developing-world rivals, believe that Rio de Janiero — and South America — deserves the chance to show what it can do.

Tradução

A busca olímpica do Rio: Pode ela arcar com os jogos de 2016?

Se a vida é justa, então o Comitê Olímpico Internacional irá declarar na próxima semana que o Brasil foi escolhido para sediar as Olimpíadas de Verão de 2006, e então se tornar a primeira nação sulamericana a ganhar umas das maiores honras do esporte.

Os outros principais concorrentes são os EUA, Espanha e Japão, e todos já sediaram as olimpíadas antes. Então, os Brasileiros, com suas praias, sol, e uma economia vibrante cuja recente performance deixou muitos países em desenvolvimento envergonhados, acreditam que o Rio de Janeiro – e a América do Sul – merece a chance de mostrar o que é capaz de fazer.

O artigo começou super otimista, mas logo em seguida levantou todas promessas do Pan que não foram cumpridas. Eu acho que o Brasil tem chance. Mas se ganhar, tem que fazer tudo o que prometeu. Tem que parar de ser o país da promessa. Da eterna promessa de ser o país do futuro.

Eu fico na torcida. Mas não para ganhar. Mas para que se ganhar, o Brasil mude a sua imagem perante o mundo. E que seja visto como um país competente, e com gente séria, trabalhadora, capaz de ser palco dos maiores eventos esportivos do planeta.

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Austrália evita recessão

June 10, 2009 1 comment

infra_australia

Antes de mais nada, gostaria de pedir desculpas por demorar tanto para escrever. Geralmente eu sou bem mais ativo, tanto aqui como na aussileiros, ou nos comentários deixados por outros blogs do mundo. Com tanta coisa acontecendo no âmbito profissional (muito boas, graças ao bom Deus), fiquei zerado de tempo. Mas ao menos, conseguí um tempinho para ler e me manter atualizado. E para fechar a seção do “antes de mais nada”, também quero deixar registrado o meu agradecimento público ao Pedro Junqueira, meu parceiro de blog que segurou as pontas e tem escrito bastante coisa interessante nessas últimas semanas.

Infelizmente não é dessa vez que vou poder me extender, e deixar uma análise mais profunda sobre o assunto. Mas quería registrar a seguinte manchete sobre a economia da Austrália:

Australia able to avoid recession

The Australian economy has unexpectedly avoided falling into recession after its economy grew by 0.4% in the first three months of 2009.

Australian Prime Minister Kevin Rudd said the country was now the only advanced economy not in recession.

An economy is said to be in recession after two straight quarters of decline.

Tradução:

Austrália consegue evitar a recessão

A economia australiana inesperadamente evitou cair numa recessão depois que sua economia cresceu em 0.4% nos primeiros três meses de 2009.

O primeiro ministro australiano Kevin Rudd disse que o país é agora a única economia avançada que não está em recessão.

Uma economida é considerada em recessão depois de dois trimestres consecutivos de declínio.

Apesar do forte declínio nas exportações de minérios para a China, o estímulo do governo e o corte de juros ajudaram a segurar o varejo e a economia interna o suficiente para evitar a recessão:

To help avoid the country falling in recession, the Australian central bank cut interest rates to a 45-year low of 3.25% in February.

The government also introduced a number of multi-billion dollar stimulus packages, including increased infrastructure spending and cash handouts to most Australians since the end of last year to lift consumer spending.

Tradução:

Para ajudar a evitar que país caísse em recessão, o banco central australiano cortou a taxa de juros para de 3.25% (ao ano) em Fevereiro, a menor em 45 anos.

O governo também introduziu um número de pacotes multi-bilionários de estímulos, incluindo o aumento de gasto em infraestrutura e pagamentos em dinheiro para a maioria dos Australianos, desde o fim do ano passado para aumentar o consumo.

Mas não que a Austrália tenha se livrado completamente:

Despite the economic growth in the first quarter of the year, Mr Rudd said Australia remained at risk of recession.

“We’re not out of the woods yet, we’ve got a long way to go,” he said.

Analysts agreed that the risk of recession remained as 2009 continues.

“We have technically avoided recession, but if you look at the details in the data it is not a pretty picture,” said Australian-based JP Morgan economist Helen Kevans.

“We have imports falling off a cliff, which is a symptom of firms smashing investment and which is bad for our employment outlook.”

Tradução:

Apesar do crescimento econômico do primeiro quarto do ano, o Sr. Rudd disse que Australia continua em risco de recessão.

“Nós não estamos fora da floresta (expressão inglesa que significa para estar fora de perigo) ainda, temos um longo caminho a seguir.”

Analistas concordam que o risco de recessão continua no decorrer de 2009.

“Nós, técnicamente, evitamos a recessão, mas se você olhar os detalhes dos dados, não é um quadro bonito.” diz Helen Kevans, economista da JP Morgan na Austrália.

“Nós temos a importação caindo precipício abaixo, que é um sintoma de que empresas estão cortando investimentos, e que será ruim para as previsões futuras de emprego.”

O elogio do atraso

April 15, 2009 2 comments

Devo admitir que depois do episódio do Santos-Dumont, de vez em quando, entro na página do Diogo Mainardi. Se o objetivo era dar ibope, ele está de parabéns. Acabou ganhando um leitor quase assíduo.

Numa dessas minhas visitas, acabei por ler, um texto que ele analisa uma reportagem publicada pela revista The Economist, que eu havia lido um tempo atrás, e rapassado através de um comentário deixado em outro blog.

Eu não vou comentar a análise do Mainardi, mas quero colocar o link original aqui para quem tíver a curiosidade de ler direto da fonte, sem intermediários. E também vou colocar uma tradução para aqueles que ainda estão estudando o idioma:


Colhendo os frutos da indolência

Alguns aspectos não reformados da economia do Brasil, estão agora ajudando a limitar o estrago da desaceleração mundial – mas a sua prudência em anos recentes, está ajudando também.

Qualquer lista das coisas que seguravam a economia do Brasil até recentemente, incluiria a influência arbitrária do estado no setor financeiro. O governo controla o Banco do Brasil, um gigantesco banco comercial, e a Caixa Econômica, a maior financiadora de imóveis, mais o BNDES, um grande banco de desenvolvimento que provém crédito barato a empresas favorecidas. E mesmo sob circunstancias diferentes, tais políticas lamentáveis, repentinamente parecem previdentes, e deram a desaceleração mundial, uma coloração incomum no Brasil.

Outros países estão tentando descobrir como gerenciar bancos e dirigir crédito para onde os políticos acham que é necessário. Isso é algo, que o Brasil, fez ainda quando não era moda. É um sinal dos tempos, que uma recente nota de pesquisa da Goldman Sachs sobre o Brasil, listou como positivo o envolvimento do estado no sistema bancário. Em relação aos bancos privados, as enormes exigências de reserva e impostos sobre financiamento, que empurram o preço de seus empréstimos para cima, os desencorajam para com os ferozes riscos que causaram a queda de seus rivais na Europa e Estados Unidos. Até agora, o crédito no Brasil foi dentado, mas não triturado.

Apesar da economia ter sido poupada do pior da crise financeira, a economia está enfraquecendo. Demissões aumentaram, revertendo o crescimento de empregos na economia formal nos anos recentes. Embraer, um produtora de jatos, demitiu 20% de seus empregados dia 19 de fevereiro. Vale, uma mineradora gigante, cortou 1300 empregos e colocou 5000 outros em férias coletivas. A produção industrial em dezembro caiu 12%, a maior queda nos 17 anos registrados pela agência federal de estatíticas (IBGE).

Essa desaceleração aguda vai gerar um ano difícil. Marcelo Carvalho, um economista da Morgan Stanley, não prevê nenhum crescimento em 2009, e seu ponto de vista tem se tornado corrente rapidamente. O Brasil provavelmente sairá tão tarde da desaceleração econômica quanto demorou para entrar. Se o passado é uma indicação, sua produção industrial segue os altos e baixos das exportações da China, com o atraso de um quadrimestre.

Ainda sim, em comparação com o passado recente do Brasil, e também com o que outros países estão passando, a economia está razoavelmente em forma. O FMI prevê que somente os países em desenvolvimento da Ásia (que são mais pobres que o Brasil), Africa (idem) e o Oriente Médio, serão melhores em 2009. Dado a tendência do Brasil de ter ataques cardíacos sempre que outras economias ficam sob pressão, isso é impressionante. A crise da Argentina em 2001, e as crises asiáticas e russas de 1997-98 foram dolorosas e disruptivas para o Brasil. A hipersensibilidade do país para os caprichos da economia mundial se estica até, pelo menos, os anos 30, quando o Brasil sofreu um golpe militar durante a depressão.

A razão para sua melhora tem muito há ver com a dívida do setor público, que outrora foi um ponto fraco, mas foi reduzida abaixo de 40% do PIB. Empréstimos em moeda estrangeira foram trocados por equivalentes em real, então desvalorizações na moeda não machucam o balancente do governo. E mais importante, essa crise não está aumentando a inflação, a fraqueza congênita do Brasil. Isso em troca, permitiu ao banco central cortar taxas (fazendo o débito público mais barato de se pagar). Essa é a primeira vez que o Brasil foi capaz de executar uma política monetária “contra-cíclica”.

Mesmo assim, preocupações persistem que a prudência dos anos recentes, não vai durar. O gasto governamental cresceu tão rápido quanto a receita durante os tempos de fartura. Agora, os rendimentos estão caindo, mas não existe moderação no gasto. O consultor Raul Velloso, aponta que o gasto público tipicamente aumenta no ano anterior a eleição presidencial. Uma está marcada para 2010, o que faz da moderação agora, improvável. Como resultado, o superávit primário do orçamento (ie, antes do pagamento de juros) está destinado a secar, ou desaparecer.

Em tempos normais, isso assustaria investidores com títulos brasileiros, que enxergam o superávit primário como uma garantia que eles serão pagos. Na prática, eles vão entrar menos em pânico agora que a finanças governamentais ao redor do mundo estão mostrando o mesmo enfraquecimento, ou pior.

E o G20 de Londres?

April 3, 2009 6 comments

G20

Acompanhando as últimas notícias sobre o G20 nos jornais, deu a impressão que estávamos assistindo o desenho dos “superamigos”. É como se Londres tivesse virado a “Sala de Justiça”, reunindo os 20 mais poderosos super heróis do planeta com o objetivo de acabar com a maior crise financeira desde a grande depressão.

A diferença é que os super heróis, não tem nada de super. Até os EUA, país vencedor da guerra da fria, e conhecido em outros tempos com a única super potência do mundo, já não é mais tão super assim. O termo “super amigos” também não procede. Aliás, nas semanas antecedentes ao G20, foi um festival de gestos e acusações nada amistosas como o puxão de orelha que os chineses deram nos EUA, a reclamação dos americanos que queriam ver os europeus gastando dinheiro para estimular a economia mundial, e o Lula dizendo que os culpados pela crise são os homens brancos de olhos azuis. E para quem pensou que o Lula estaria sozinho nessa, até o Sarkozy entrou no coro, mas preferiu usar um termo mais refinado: “Anglo-Saxões”.

Completando o show de sopapos, China e Rússia também se uniram contra o dólar americano:

China on Monday added its voice to a growing international chorus seeking the replacement of the dollar as the main reserve currency, urging for an overhaul of the global monetary system to allow for wider use of Special Drawing Rights (SDRs) allocated by the International Monetary Fund (IMF).

Chinese central bank chief Zhou Xiaochuan said the SDRs, created by the IMF as international reserve assets in 1965, could be used as a super-sovereign reserve currency, eventually displacing the dollar.

His comments come a week after Russia said it would put forward a proposal for the creation of a new reserve currency issued by international financial institutions at the G20 meeting in April.

Russia said it had the broad support of its fellow BRIC countries — Brazil, India and China — as well as South Korea and South Africa for its proposal.

Tradução:

A China, nessa segunda, juntou-se ao crescente coro internacional que procura substituir o dólar como a principal moeda para reservas internacionais, pedindo uma reforma geral do sistema financeiro global que permita o uso maior do “direito especial de saque” (SDR’s) alocados pelo Fundo Monetário Internacional.

Nota: O “direito especial de saque” sería o equivalente a URV usada no Brasil pré-implementação do real.

O chefe do Banco Central Chinês Zhou Xiaochuan disse que as SDRs, que foram criadas pelo FMI como títulos de reserva internacional em 1965, poderíam ser usadas como uma moeda supra-soberana, e que viriam eventualmente a substituir o dólar.

O seu comentário vem uma semana após a Rússia dizer que vai propor a criação de uma nova moeda internacional emitida por instituições internacionais financeiras no encontro de G20 em Abril.

A Rússia diz que sua proposta tem o apoio geral de outros países que constituem as BRIC’s — Brasil, Índia e China — assim como da Coréia do Sul e e da África do Sul.

E enquanto o mundo falava do comentário do Lula em relação as “pessoas brancas de olhos azuis”, muita gente nem percebeu que na mesma coletiva, o presidente brasileiro apoiou publicamente a proposta dos russos:

“Brazilian President Luiz Inacio Lula da Silva said on Thursday that it was important to discuss a Russian proposal to replace the U.S. dollar as the international reserve currency.”

Tradução:

“O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva disse na quinta, que também era importante discutir a proposta russa para substituir o dólar como a moeda corrente de reservas internacionals”

E no que deu o G20 então?

Não foi um show dos super amigos, criando uma super resolução para uma super crise global. Também não foi uma guerra, como todas as declarações e cutucões descritos acima, deixaram a entender. Mas foi um grande passo em direção a uma mudança na atual ordem econômica mundial. Falou-se muito da quada de braço entre Barack Obama (que aliás roubou a cena com seu carisma) e os europeus liderados pelo Sarkozy e chanceler alemã Angela Merkel, mas os maiores vencedores foram as BRICs, que conseguiram exatamente o que pediram numa declaração conjunta feita no meio de Março:

March 14 (Reuters) – Issuing their first-ever communique at a G20 finance ministers’ meeting, Brazil, China, Russia and India have called for a bigger voice on international bodies — signalling their growing political resolve to influence global affairs.

9. We draw our special attention to the reform of international financial institutions. We stand for reviewing the IMF role and mandate so as to adapt it to a new global monetary and financial architecture. We emphasize the importance of a strong commitment to governance reform with a clear timetable and roadmap.

Tradução:

Março 14 (Reuters) – Emitindo o seu primeiro comunidado no encontro de ministros do G20, Brasil, China, Russia e India pedem maior voz nos orgãos internacionais — apontando sua vontade crescente de influenciar relações globais.

9. Colocamos atenção especial na reforma da instituições financeiras internacionais. Nos posicionamos para a revisão do papel e mandato do FMI para que se adapte a nova arquitetura monetária e financeira global. Enfatizamos a importancia de um forte comprometimento para reforma de governo com um plano e calendários claros.

E foi o que aconteceu, e que foi bem notado pela BBC:

The IMF is also set to have a bigger role in preventing future crises, by developing an early warning system for financial problems, and taking a larger role in looking at the problems of the financial sector as a whole, in conjunction with a new global regulator, the Financial Services Board.

But the biggest changes in the IMF will come after 2011, when it has been agreed that there will be a review of the voting structure. That could lead to the US losing its veto power, while China and other emerging countries get a bigger voice.

It has already been agreed that in future, the convention that the World Bank and IMF must be headed by an American and a European respectively will be abandoned.

In return, China will be asked to lend some of its reserves to the IMF – and will continue to push for the idea that the SDR will become a real reserve currency, ultimately replacing the dollar.

The changes to the resources and the role of the IMF are historic and perhaps the most important outcome of the G20 summit.

Tradução:

O FMI também terá um papel maior na prevenção de crises futuras, desenvolvendo um sistema de alarme para problemas financeiros, e também aumentando o seu papel na fiscalização dos problemas do setor financeiro como um todo, em conjunção com o novo regulador global, denominado Conselho de Serviços Financeiros.

Mas as maiores mudanças no FMI vão ocorrer depois de 2011, quando haverá uma revisão da estrutura de votos. Isso pode levar os EUA a perderem o seu poder de veto, enquanto países como a China e outros emergentes terão maior voz.

Também foi decidido que no futuro, a convenção que o Banco Mundial e o FMI devem ser liderados por um americano e um europeu respectivamente vai ser abandonada.

Em retribuição, a China esprestará parte de suas reservas ao FMI – e vai continuar pressionando a idéia que a SDR de torne a verdadeira moeda de reservas internacionais, substituindo o dólar.

A mundança dos recursos e papel do FMI são históricas e talvez seja o maior resultado do encontro do G20.

Quem deve estar feliz da vida, deve ser o brasileiro Caio Kock-Weser, ex-ministro das finanças da Alemanha, e que foi indicado pelos europeus em 2000 para assumir o FMI. Ele sería o primeiro brasileiro a liderar o FMI, mas foi vetado pelos americanos, mesmo tendo nacionalidade alemã.

No demais, também é bom saber que o Brasil vai emprestar dinheiro ao FMI.

O mundo está ficando de cabeça para baixo.

O Brasil na mídia internacional

March 27, 2009 5 comments

Assim como havia prometido, vou aproveitar para repassar um pouco sobre o que tem saído sobre a economia brasileira na mídia internacional. Se eu já estava bastante surpreso com o número de artigos que tem sido publicados nos últimos 18 meses, fiquei ainda mais nessas últimas 4 semanas com a visita do Lula a Washington para se encontrar com o presidente americano Barack Obama.

Ontem mesmo, quando abrí a página da CNN, já havia uma entrevista com o Lula sobre a ascenção brasileira dentro da nova ordem mundial com o respeitado jornalista Fareed Zakaria, e uma outra sobre o mesmo assunto na BBC. Também na BBC de ontem, noticiaram sobre a viagem do primeiro ministro britânico Gordon Brown ao Brasil em preparação para o G20 de Londres.

Na edição do final-de-semana, o Wall Street Journal publicou uma reportagem sobre a conferência patrocinada por eles, e que reuniu o presidente Lula e investidores estrangeiros em Nova Iorque.

more about “Lula Wall Street Journal“, posted with vodpod

E na Newsweek da semana passada, logo após a matéria sobre a antecipação da hegemonia das BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China) na economia mundial de 2050 para 2027, devido a atual crise financeira, também publicaram outra entrevista com o Lula.

Mas acho que de tudo que tem saído, a mais interessante foi essa da Time do início do mês:

The One Country That Might Avoid Recession Is…

Now, in the middle of the worst global downturn for decades, Brazil could finally be the country of the moment. According to a recent study by the Paris-based Organization for Economic Cooperation & Development (OECD), Brazil may be the only one of 34 major economies that avoids recession in 2009. While the U.S. debates whether to nationalize its crippled banks, Brazil’s remain comparatively sound. Oil companies worldwide are slashing investment, but Brazil’s state-run Petrobras is going ahead with a four-year, $174 billion expansion plan. “Brazil,” Lula boasted to TIME, “is riding the current crisis better than many developed countries.”

To be sure, the boom — years of 5% growth and soaring exports — is over. Industrial production has plunged. Even Embraer, the aircraft maker whose jets sell to scores of airlines, and which has become a symbol of Brazil’s newfound confidence, recently announced plans to lay off 4,000 employees, almost one-fifth of its workforce. Commodity exports — soybeans, steel — are weak. The main stock market is down 25% since September. But Lula, a former shoe-shine boy who heads the leftist Workers Party (PT), has so far kept the good times from becoming a hellish bust. In Brazil, that’s nothing short of miraculous.

There may be another miracle in the making. Because unfettered capitalism is widely blamed for the global meltdown, economists and laborers alike say Brazil has become an example of what Lula likes to call “the financial strategy of the future.” By that he means a postideological approach that is equal parts wealth creation for corporations such as Embraer and wealth redistribution for underdogs like Da Silva. All this under the kind of prudent financial regulation that seems to have gone missing in the developed world of late.

Brazil still faces huge challenges; its education system is dysfunctional, its political system squalid, corruption endemic. But consider: 53% of Brazil’s 190 million people now occupy the middle class, up from 42% in 2002. This increased social mobility happened at the same time the country’s main stock index soared some 480% before last fall’s downturn.

Tradução:

Agora, no meio da pior crise global por décadas, o Brasil pode finalmente se tornar o país do momento. De acordo com um estudo recente da OECD, o Brasil pode ser o único das 34 principais economias que pode evitar uma recessão em 2009. Enquanto os EUA debatem se nacionalizam os seus bancos quebrados, o Brasil continua comparavelmente saudável. Companhias de petróleo ao redor do mundo, estão reduzindo investimentos, mas a Petrobras, que pertence ao estado, está indo adiante com um plano de expansão de 174 bilhões de dólares em 4 anos. “O Brasil”, Lula disse a Time, “está enfrentando a crise bem melhor que muitos países desenvolvidos.”

Para ter certeza, o “boom” – anos de 5% de crescimento e alta exportação – terminou. A produção industrial caiu. Até mesmo a Embraer, a fabricante que vende seus aviões para dezenas de empresas aéreas, e que virou símbolo da re-encontrada confiança brasileira, recentemente anunciou planos de cortar 4000 funcionários, quase 1/5 do seu quadro. A exportação de produtos primários – soja, ferro – enfraqueceu. A principal bolsa de valores caiu 25% desde setembro. Mas Lula, um ex-engraixate que lidera o esquerdista Partido dos Trabalhadores (PT), tem até agora evitado que o bons tempos terminem numa falência infernal. No Brasil, isso não é menos que milagre.

Deve ter outro milagre a caminho. Por que o capitalismo descarrilhado tem sido amplamente culpado pela crise global, economistas e trabalhadores dizem que o Brasil se tornou um exemplo do que o Lula gosta de chamar “estratégia financeira do futuro.” No que ele diz ser uma abordagem pós-ideológica que é definida pela igual geração de riqueza para empresas como a Embraer, e distruibuição de riqueza para os menos abastados como Da Silva. Tudo isso debaixo de um sistema regulatório prudente que deixou de existir no mundo desenvolvido de uns tempos para cá.

O Brasil ainda enfrenta desafios enormes; seu sistema educacional é disfuncional; o sistema político imoral; a corrupção é endêmica. Mas leve em consideração: 53% dos 190 milhões de brasileiros agora ocupam a classe média, acima dos 42% em 2002. Esse aumento na mobilidade social aconteceu no mesmo momento que a principal bolsa do país subiu cerca de 480% antes da crise no outono passado.

Lógico de umas semanas para cá muita coisa mudou. Está mais do que claro que o Brasil vai sofrer os efeitos da crise, e todas as indústrias que dependem de exportação vão sofrer, cortar funcionários e muitas podem até fechar as portas. Mas se o Brasil crescer os 0.25% esperados ou mesmo ficar no 0% já vai estar no lucro. O importante é não deixar o impacto do declínio econômico no resto do mundo se espalhar para dentro do mercado interno.

Outra coisa que se nota muito na mídia internacional, é uma certa admiração pela figura do Lula. Mas o erro nessas análises, é não colocar a devida ênfase que a situação atual no Brasil não é resultado da ação de um indivíduo ou partido. Mas sim de um trabalho que começou em 1994 com a estabilização da economia na época do FHC. O grande mérito do Lula, ao meu ver, foi ter mantido as mesmas políticas econômicas, e aproveitado o crescimento para investir em alguns programas sociais. Isso colocando tudo numa visão macro, já que os escândalos de corrupção no primeiro mandato do Lula, que deveriam ser melhor apurados, foram ofuscados pela boa performance econômica do país.

Mas ao menos, o FHC não foi tão esquecido tanto na Time:

Lula’s predecessor, Fernando Henrique Cardoso, was the first President to recognize that change was needed. He restored fiscal sanity by slaying hyperinflation, but his attempts at social reform were timid.

Tradução:

O predecessor do Lula, Fernando Henrique Cardoso, foi o primeiro presidente a reconhecer que mudar era preciso. Ele restaurou a sanidade fiscal acabando com a hiperinflação, mas suas tentativas de reforma social foram tímidas.

Quanto no Wall Street Journal:

Once renowned for its periodic hyperinflationary bouts, Brazil now enjoys relative price stability, and Mr. da Silva, who adopted former President Fernando Henrique Cardoso’s anti-inflation stance, deserves credit.

Tradução:

Uma vez reconhecido por seus breves períodos de hiperinflação, o Brasil agora goza de relativa estabilidade de preços, e o Sr. da Silva, que adotou a mesma política anti-inflação do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, [também] merece crédito.

China, Estados Unidos e o começo de uma nova era

March 21, 2009 6 comments

chinausa

Nas últimas semanas, acho que uma das notícias que mais me chamou a atenção foi a visita da Hillary Clinton a China. Pela presença do secretário do tesouro Tim Geithner na comitiva, ficou bem claro que não sería uma visita de cortesia, e como um jornalista da Bloomberg colocou:

Hillary Clinton’s visit to China last month dramatized the point. She didn’t exactly arrive with her hat in her hand, yet it was surreal to see the U.S. secretary of State hawking bonds.

Tradução:

A visita de Hillary Clinton a China no mês passado, demonstrou o ponto. Ela não chegou exatamente com o chapéu na mão, mesmo assim foi “surreal” ver a secretária de estado dos EUA, vendendo títulos de dívida.

E para completar o cenário. Na semana passada, em entrevista coletiva, o premier chinês solta a seguinte declaração:

“We have lent a huge amount of money to the United States…Of course we are concerned about the safety of our assets. To be honest, I am a little bit worried. I request the US to maintain its good credit, to honor its promises and to guarantee the safety of China’s assets.”

Tradução:

“Nós emprestamos uma quantia enorme de dinheiro aos EUA… É claro que estamos inquietos sobre a segurança do nosso investimento. Para ser honesto, eu estou um pouco preocupado. Eu peço aos EUA que mantenham seu bom crédito, afim de honrar com sua promessas e garantir a segurança do nosso investimento”

Adaptando as palavras do Peter Hartcher do SMH: “A China aperta, e os EUA recebem um duro recado”.

Há muito se fala da mudança no balanço de poder internacional. Mas no momento que os EUA tem que pedír dinheiro não só para a China, mas também deve para outros países como o Brasil, começa a ficar claro que esse processo já começou.

E para quem não sabe. É verdade. O Brasil é hoje o 5o maior credor dos EUA. De acordo com Departamento do Tesouro Americano, eles devem ao Brasil, cerca de 133 bilhões de dólares.

Aliás, há um pouco mais de um ano, para quem não lembra, o Brasil deixou de ser devedor para se tornar credor líquido de dívida externa. Ou seja, o valor de suas reservas internacionais supera o valor de sua dívida externa.

Em termos de reservas internacionais, o Brasil é o 7o país, tem cerca de 200 bilhões no caixa, e praticamente dobrou o valor que tinha em 2007.

Além de todas as notícias em relação a China e EUA, outra que chamou a atenção em termos da nova ordem econômica mundial, foi a do Financial Times, que publicou um documento secreto do governo britânico que divide o G20 em duas classes prioritárias. A primeira contém EUA, China, Japão, Alemanha, França, Itália, Índia, Brasil, Arábia Saudita, Coréia do Sul e África do Sul. E relegados ao segundo grupo: Russia, Australia, Canadá, Argentina, México, Indonésia, e Turquia.

Pelo movimento de diplomatas, declarações feitas para mídia, e visitas de chefes de estado; a reunião do G20 marcada para Abril já começou.

Crise mundial e o programa de imigração na Austrália

March 16, 2009 15 comments

visto

A principal notícia nos jornais australianos de hoje foi sobre o corte na quota anual de imigração. Como quase 1/4 da população australiana nasceu fora do país, qualquer nota sobre imigração ganha certo destaque por aqui.

Sydney Morning Herald:

Immigration slashed to protect jobs

THE record immigration intake will be cut for the first time in more than a decade as the Government tries to preserve jobs in a deteriorating global economy.

Tradução:

Imigração reduzida (cortada) para proteger empregos

O número recorde da quota de imigração vai ser cortado pela primeira vez em mais de uma década, a medida que o governo tenta preservar empregos numa economia global em declínio.

The Australian:

Chris Evans announces more occupations cut from skilled migrant scheme

THE federal Government will continue to remove occupations from the skilled migration program, Immigration Minister Chris Evans says.

Bricklayers, plumbers, welders, carpenters and metal fitters are among the occupations taken off the critical skills list as demand for skilled labour falls in the building and construction sectors.

But health and medical, engineering and IT professionals, still in short supply, will remain on the list.

However, employers will still be able to sponsor migrant workers privately or through the 457 visa scheme, provided they can prove local labour is not available.

Tradução:

Chris Evans anuncia mais cortes de ocupações do programa de imigração qualificada

O governo federal vai continuar a remover ocupações do programa de imigração qualificada, disse o ministro de imigração Chris Evans.

Pedreiros, encanadores, soldadores, carpinteiros e metalúrgicos estão entre as profissões retiradas da lista crítica de ocupações em demanda, ao passo que a demanda por mão-de-obra especializada cai nos setores de construção.

Mas profissionais de saúde e medicina, engenharia e TI, ainda estão em falta, e se manterão na lista.

Entrentanto, empregadores ainda poderão patrocinar trabalhadores imigrantes em separado (do programa) ou através do programa de vistos 457 (temporário de trabalho), dado que possam provar que não existe mão-obra-disponível no país.

Eu só cheguei a ler as notícias quando cheguei no trabalho, mas antes ouví a entrevista ao vivo com o Chris Evans pela ABC News Radio. Eu não acho que tenha sido uma medida extrema, ou até mesmo sem visão como disse um acadêmico numa outra matéria que saiu no SMH online a tarde. É apenas uma questão de bom senso. O ministro foi bem claro que não está fechando as portas da Austrália. Ele está apenas re-ajustando a quotas onde for necessário.

O quadro na Austrália, é bem diferente dos EUA. Nas áreas de TI, engenharia e saúde, a falta de gente ainda é tão grande que o estrangeiro não compete com o trabalhador local.

Para quem estiver interessado em saber como a Austrália se beneficia com a vinda de imigrantes, existe um tópico muito bom na comunidade dos aussileiros no orkut.

Aproveito também para recomendar o blog Little Brazil in London, que publicou que a Grã-Bretanha também está tomando medidas parecidas com as daqui da Austrália.

Diogo Mainardi, Santos Dumont e a inteligência brasileira

March 14, 2009 15 comments

Essa semana, através do blog do Rogério a.k.a Jerry, lí um texto que o Diogo Mainardi escreveu para a Veja. Amizades a parte, tíve que discordar de muito do que foi dito.

Acho que existem muitas coisas no Brasil, que devem ser ridicularizadas. Mas nesse texto, acho que quem representou mais a tal inteligência brasileira, foi o próprio Mainardi. Como um cara desse, que tem um espaço precioso na mídia brasileira, conseguiu ignorar e distorcer tantos fatos?

Como alguém escreveu na página do Paulo Henrique Amorin, isso foi um verdadeiro “estelionato intelectual”.

Eu achava que depois de perceber o tamanho da besteira que escreveu, o Mainardi fosse pedir desculpas, e explicar que ele quiz dizer uma coisa, e o artigo não iria chamar tanto a atenção se ele não usasse o nome do Santos Dumont.

Mas não. Logo em seguida, depois de todas a críticas. Ele mais uma vez ousa zombar da verdadeira inteligência brasileira, e diz que a versão dos fatos é invenção do sobrinho do Santos Dumont.

Já que ele acha que só os estrangeiros tem alguma inteligência, ele deveria ver o documentário da PBS que eu postei no YouTube. Ou vai dizer que até os experts americanos estão mentindo?

Esse documentário é baseado no livro escrito pelo americano Paul Hoffman, chamado Wings of Madness: Alberto Santos-Dumont and the Invention of Flight. Hoffman além de jornalista e biógrafo, é membro da Academia Americana de Artes e Ciências, foi presidente e editor da Enciclopédia Britannica, consultor da NASA, National Science Foundation, National Academy of Engineering, e American Association for the Advancement of Science. Para não dizer que já apareceu inúmeras vezes na CNN, BBC, NPR News, CBS e outras emissoras.

Num dos reviews do seu livro, até dizem:

“When Hollywood gets its mitts on…Hoffman’s riveting biography of…Santos-Dumont (1873-1932)—a man who would fly to dinner from his Paris apartment via his own personal dirigible, who won H.G. Wells and Jules Verne’s admiration, who hosted dinner parties featuring impossibly tall chairs and tables to simulate dining in midair—it should make for an amazing flick.” —Book Magazine

Tradução:

Quando Hollywood colocar suas luvas (em Português sería o equivalente “arregaçar as mangas”) para pegar… a fascinante biografia de Santos Dumont (1873-1932) – um homem que voaria para seu apartamento em Paris para jantar, e que ganhou a admiração de H.G. Wells e Júlio Verne, e que oferecia jantares em mesas e cadeiras de alturas impossíveis para simular um jantar no céu – vai dar num filme espantoso.

Diogo Mainardi, o que eu tenho a dizer sobre o que é ridículo é o seguinte:

Ridículo é ser a 8a economia do mundo, ter tecnologia e inteligência para fazer avião, helicóptero, submarino, e carro; ser o país mais avançado em produção do ethanol (álcool), ter energia nuclear, petróleo, ser potência na agricultura, ter o maior rebanho bovino do mundo… E mesmo assim ter gente passando fome, morando na favela e etc.

Gente passando fome, crime, violência, corrupção, favelas é resultado de desigualdade social, falta de distribuição de renda e investimento em educação.

Mas se o Brasil já é a 8a economia do mundo do jeito que está. Imagina se não tivesse desigualdade social, e os mais pobres tivessem acesso a educação?

PS. Para ajudar, acabei de colocar as legendas no YouTube. Se alguém quiser usar, tem que usar o botão do canto direito para habilitar.

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