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MundoAfora.Info
Passando aqui para anunciar que comecei um novo projeto chamado MundoAfora! Se trata de uma plataforma central para brasileiros que moram no exterior trocarem informações via blogs.
Inclusive esse blog aqui… que há muito tempo está abandonado, estou migrando pra lá! E vou ver se tomo vergonha na cara para fazer alguns updates.
O novo endereço é: http://talkingpoints.mundoafora.info
Para quem quizer entender mais ou menos o que é… aqui está o meu post inicial do projeto:
Grande abraço
Quando que o Brasil vai entrar no piloto automatico?
Moro há 4,5 anos na Australia e este ano votei pela primeira vez aqui na ultimas eleicoes federais para membro do parlamento e senador.
Acostumado com varias eleicoes no Brasil e a sofisticacao e complexidade do sistema brasileiro fiquei impressionado com o sistema Australiano. Nao porque aqui seja um sistema ultra informatizado como no Brasil, onde o resultado das eleicoes de 136milhoes de eleitores sai em 6 horas, mas porque apesar da votacao ser precaria o sistema aqui esta em piloto automatico. Alias o pais todo.
Minha definicao de sistema em piloto automatico é que nao importa quem vai ganhar as eleicoes a vida continua normal, o pais sempre melhorando independente do governo.
Aqui os dois maiores partidos: O Liberal e o Labor alternam o poder há 110 anos. É mais ou menos 8 a 12 anos que cada partido fica no poder. O sistema de voto é distrital, que é o sistema defendido por FHC, um parlamentarista convicto, mas que sem sucesso nao conseguiu aprovar, assim como a reforma tributária, politica etc e etc. Vai saber porque?
No sistema parlamentarista distrital o pais é dividido em distritos exatamente iguais no numero de populacao. Aqui na Australia é cerca de 100mil habitantes. Como sao 226 deputados e a populacao é de 22,6 milhoes é aproximadamente isto. Entao aqui todo voto tem o mesmo peso. Nao é como em certos paises onde um voto em um estado vale 5x o do outro. O Balanco do poder fica no Senado onde todos os estados tem o mesmo numero de senadores, 76 ao todo aqui na Australia. Continha rapida da 12 por estado.
Entao, se no Brasil adotasse o sistema distrital o Tiririca NUNCA teria tido 1,3 milhoes de votos. No maximo teria 100mil, caso conseguisse 100% dos votos em seu distrito.
As vantagens do sistema distrital sao muitas. Como impedir de dar vantagem pra quem tem mais dinheiro para angariar votos em outras regioes. O voto distrital permite mais proximidade e afinidade do candidato com os moradores da regiao. Eu por exemplo ja encontrei o meu MP (deputado) no cinema no sabado a noite, no supermercado comprando fruta no domingo a tarde e quando eu quiser, se for chato o suficiente, marco uma audiencia no seu gabinete, quando estiver aqui em Adelaide. A principal vantagem é a cobrança. Como ele mora aqui do lado eu tem muito mais acesso.
Agora e o Tiririca que teve 1,3 milhoes de votos. Tipo eleitor no Vale do Carapicuiba, um de Santos e um em Santo Anastacio votaram nele.
Se ele gastar 1 min com cada eleitor, considerando que o dia tem 8 horas uteis, vai demorar 7,4 anos pra falar 1 min com cada mane que votou nele. Detalhe que o mandato é de 4 anos e tem horario de sessao na camara etc. Enfim, o sistema no Brasil é burro e ainda nao mudou porque tem gente que tem interesse em mante-lo burro. Deve ser os eleitores do Tiririca. So pode ser.
Agora num sistema como o Australiano é como se o pais estivesse no piloto automatico. A gota d’gua foi quando fui votar eu percebi que poderia votar em QUALQUEL sessao do meu distrito no dia da eleição. Se soubesse que iria viajar no dia poderia votar pelo correio ou antecipado, ou ate votar em transito se necessario. Ja no Brasil porque sou OBRIGADO a votar na minha sessao eu nao voto há 6 anos, devido a ter parente em outra cidade e gostar de visitar eles no dia da eleicao e agora morando na Australia nem se fala. Falando em não poder votar teve 26 milhoes de abstencoes nesta eleicao, Mais do que todos os votos da Marina… a candidata dos que ainda acham que polica é lugar de gente que nao só quer ganhar a eleiçao.
E eu estou tentando entrar em contato com a embaixada em Canberra, mas quando recebi a resposta já era tarde demais pra transferir o titulo…
Voltando ao dia da votacao na Australia….escolhi um lugar bem pertinho de casa quando cheguei na sessao ninguem pediu nenhum documento, so dei meu nome o fulano checou e me deu 2 cedulas, uma para senador e uma pra deputado. Quando cheguei na cabine fiquei procurando a caneta. CANETA? Cade a caneta? Caneta que nada o negocio é a LAPIS!!! Enfim votei e fui feliz da vida curtir o meu Sabado ensolarado aqui na Wonderland. Piloto Automatico? Bota automatico nisso.
No Brasil parece que sempre quando tem eleicao o fim do mundo esta próximo. Quando o Lula estava pra ganhar para presidente em 1989 a “classe alta” so falava em mudar pros EUA. O MST ia invadir nao so as fazendas como as casas e as escolas particulares.
Entao pra se livrar do Lula escolhemos o Collor… mico? Micao! Ai veio Itamar, que alias foi quem implementou o plano real, dancou com a Lilian Ramos e reinventou o fusca.
Finalmente veio um EX-COMUNISTA o FHC. Pra nao engolir o Lula vai esse mesmo.
Depois FHC2 (capitalista bombando) e finalmente o Lula, conheco um monte de “capitalista” que votou no Sapo Barbudo. Ai que medo do Lula!!!! o mundo vai acabar … AGORA ACABA!!! o dolar foi a 4 reais o spread dos C-Bonds em 1000 pontos!!! Gente o Lula ganhou… e hoje… o mundo acabou?
Depois de 8 anos o Brasil é um pais mais rico, menos desigual. E mesmo com um presidente semi-analfabeto o pais cresce a 7% ao ano. O Brasil é a bola da vez. Ganhou não so a sede da Copa, mas também das Olimpiadas. So pode ser piada…
Será que estamos comecando a estrar no piloto automático no Brasil?
E a se a Dilma ganhar?
Ai FERROU.
O melhor investimento da decada
Copenhagen acabou nada foi decidido e o mundo volta ao normal… business as usual…
E chega aquela época do ano onde todos nós, nem todos, paramos para avaliar o ano e fazer planos e resoluções para o ano seguinte.
Alem das resoluções pessoais tem gente, como eu, que se preocupa com as analises de investimento. Lendo o The Age tinha um comentário que achei um tanto intrigante sobre os rendimentos na bolsa australiana este ano onde um jornalista financeiro diz que:
“It’s the time in the market, not market timing”
Tradução: É questão de tempo no mercado e nao entrar na hora certa.
Em resumo a matéria diz que as pessoas que estavam na bolsa antes da crise que estourou no segundo semestre de 2008 e continuou firme sem sacar o dinheiro acabou se beneficiando, pois o ano de 2009 foi o melhor ano da bolsa nesta decada. O aumento da bolsa na Australia desde sua minima em março é de ~ 50%. Para se ter uma idéia de o quao significativo isto é. Em um periodo de 8-9 meses a bolsa nunca subiu essa quantidade. Pelo menos desde 1996 onde eu pude achar os dados da bolsa australiana na internet.
Interessante que na matéria o jornalista nao quantificou o tempo. Quando ele diz que é valida a premissa de tempo no mercado. Ele quis dizer 1 ano? 10 anos ? 100 anos? 9 meses? Que foi o tempo desta recuperação?
Interessante também um jornalista dizer isto sendo que todo mes o jornal publica os melhores e piores investimentos do mes. Eu pelo menos raramente vejo jornalista fazendo analises de longo prazo.
Voltanto a avaliação dos melhores investimentos da década eu resolvi fazer uma pequena pesquisa sobre qual teria sido o melhor investimento na decada.
Um escolhi uma lista de ativos para fazer a análise de quanto teria rendido se eu investisse em 1 de janeiro de 2000 e sacado o dinheiro em 31 de Dezembro de 2009. Exatamente 10 anos calendario.
Os ativos escolhidos foram:
-IBOVESPA : Indice das ações mais negociadas na bolsa de São Paulo
- Nasdaq Composite: Indice das ações de tecnologia negociadas em Nova York
- DOW Jones Industrial: Indice das 30 maiores empresas americanas negociadas na NYSE
- ASX S&P20: Indice de ações das 200 maiores empresas negociadas na bolsa de Sydney.
- Ouro (denominados em Dolares americanos)
- Treasury Bonds Australiano.
Os resultados foram o seguinte segundo tabela abaixo:
Vendo a tabela da pra tirar a conclusão que, para alguns ativos, 10 anos não é suficiente tempo para valer o ditado do jornalista. Interessante que na decada de 2000 se o australiano tivesse deixado o dinheiro no banco rendendo juros basicos hoje o cidadão estaria com mais dinheiro no banco que se tivesse investido em ações na ASX (Australian Stock Exchange) e com certeza teria muito menos stress dos sobe e desce da bolsa.
Para fazer a analise mais justa acho interessante normalizar os resultados em dolares australianos, pois a até então analise só é valida para os ativos Cash e a bolsa Australiana.
Então peguei os valores dos cabios das duas datas:
O dolar australiano teve uma apreciação em relação ao dolar americano de 41% em 10 anos e o real praticamente esta no mesmo valor que estava em relação ao dolar americano que estava a 10 anos atras. Apenas 6% apreciado em 10 anos.
Como todas as moedas no mundo são cotadas em relação ao dolar americano eu tambem trouxe a relação do dolar australiano em relação ao real. O dolar australiano se valorizou em relação ao real 34% no periodo.
Convertendo então os indices para o dolar australiano podemos comparar os investimentos. Isso porque, por exemplo, se um australiano quiser investir na bolsa do Brasil é preciso vender dolar australiano para comprar real e se quiser sair da bolsa brasileira a operação invesa é feita.
Assim chegamos aos seguintes resultados denominados em dolares australianos:
Dentre todos os investimentos o pior de todos é o NASDAQ que quebrou em março de 2001 e ainda esta 62% de seu valor em dolares australianos. Provavelmente o investidor australiano que entrou na Nasdaq em 1 de janeiro de 2000 terá que esperar um bom tempo para que o investimento retorno ao valor inicial. Se voce for a alguns posts atras eu comentei que demorou 25 anos para a bolsa de Nova York se recuperar do crash de 29. Talvez seja o tempo estimado que a Nasdaq volte ao que era em 2001.
A conclusão pura e simples nos numeros indica que o melhor investimento da DECADA, de todos analisados, é o IBOVESPA. Um rendimento médio de 12% ao ano mesmo contanto que o real se desvalorizou em relação ao dolar australiano nestes 10 anos em 34%.
Ouro foi o segundo melhor investimento que, como comentado aqui no blog, é uma proteção “perfeita” contra a inflação.
Falando em inflação, que pra mim acho que é muito relevante neste contexto, pois descontando a inflação é que medimos o nosso pode aquisitivo.
Em outras palavras os 10 dolares de 10 anos atras nao compra os mesmos bens hoje que comprava antes. Isso porque o poder aquisitivo do mesmo dinheiro deprecia com o tempo. Isso se chama inflação.
Na Australia o indice que mede o poder aquisitivo é o CPI (Consumer price index) que é publicado pelo RBA.
Desde 1 de Janeiro de 2000 até 31 de Dezembro de 2009 a inflação na Australia foi de 35%, ou uma media de 3.1% ao ano.
Para finalizar então recalculei a tabela acima descontando a inflação o que da uma indicação de quanto o dinheiro sacado em 2009 valeria em 2000.
Isso em termos economicos tecnicos é o que chamamos de ganho real.
Espero que tenham feito bons investimentos na decada passada e desejo bons investimentos para a proxima decada. Alem disso…
Desejo a todos um feliz 2010 e uma otima decada de 20 10’s.
O Brasil e as olimpíadas de 2016

Mais uma vez um grande obrigado ao Pedro por manter a bola rolando aqui no Talking Point. Eu ainda estou bem ocupado com as coisas no trabalho, mas logo logo vou voltar a escrever mais frequentemente. Aliás, assunto é o que não falta.
Aproveitando que essa semana vai ser anunciada a sede das Olimpíadas de 2016, resolví passar para indicar um artigo da Time sobre a candidatura do Brasil:
Rio’s Olympics Quest: Can It Handle the 2016 Games?
If life is fair, then the International Olympic Committee will next week declare that Brazil has been chosen to host the 2016 Summer Olympics and thus become the first South American nation to win one of sports’ greatest honors.
The other main contenders are the U.S., Spain and Japan, and they’ve all hosted the Olympics before. So, Brazilians, with their beaches, sun, and a vibrant economy whose recent performance has shamed many developing-world rivals, believe that Rio de Janiero — and South America — deserves the chance to show what it can do.
Tradução
A busca olímpica do Rio: Pode ela arcar com os jogos de 2016?
Se a vida é justa, então o Comitê Olímpico Internacional irá declarar na próxima semana que o Brasil foi escolhido para sediar as Olimpíadas de Verão de 2006, e então se tornar a primeira nação sulamericana a ganhar umas das maiores honras do esporte.
Os outros principais concorrentes são os EUA, Espanha e Japão, e todos já sediaram as olimpíadas antes. Então, os Brasileiros, com suas praias, sol, e uma economia vibrante cuja recente performance deixou muitos países em desenvolvimento envergonhados, acreditam que o Rio de Janeiro – e a América do Sul – merece a chance de mostrar o que é capaz de fazer.
O artigo começou super otimista, mas logo em seguida levantou todas promessas do Pan que não foram cumpridas. Eu acho que o Brasil tem chance. Mas se ganhar, tem que fazer tudo o que prometeu. Tem que parar de ser o país da promessa. Da eterna promessa de ser o país do futuro.
Eu fico na torcida. Mas não para ganhar. Mas para que se ganhar, o Brasil mude a sua imagem perante o mundo. E que seja visto como um país competente, e com gente séria, trabalhadora, capaz de ser palco dos maiores eventos esportivos do planeta.
Michael Jackson e o Climate Change
Vida de blogeiro eh complicada. As vezes tem pouco o que escrever e voce tem tempo e as vezes tem muito o que escrever e voce nao tem tempo.
Bem nas ultimas semanas aconteceram poucas coisas no mundo
- EUA comeca a retirada definitiva das tropoas do Iraque
- Roger Federer vence seu 15 Grand Slam deixando Pete Sampras pra tras e ja pode se considerar o melhor da historia
- Morre Michael Jackson
- Corinthians eh TRI da Copa do Brasil
- a taxa de desemprego nos EUA beira os 10% e bate o recorde de 1983 quando as vendas do CD Thriller de MJ estouravam pelo mundo
Falando em desemprego. Alias, esse blog aqui esta se especializando em desemprego. Espero que nao fique tao especialista que acabe eu mesmo ficando desempregado.
Aqui na Australia, como ja comentado aqui no Blog, a coisa ta feia, mas nao ta tao feia quanto nos EUA e esta ficando feia devagarinho.
O ultimo numero do desemprego 5,8% , na ultima quinta feira, veio abaixo do esperado 5,9%, o que eh algo “positivo”.
O numero daqui esta batendo o recorde de 2003. Pelo menos nisso, aqui na Australia, estamos 20 anos na frente dos EUA que esta la em 1983.
Comentando rapido uma noticias relevante semana passada.
Sobre o recente encontro do G8 na Italia
O centro da questao: Adivinha….
Crise?
Nao !
Nao a economica mais a ecologica
CLIMATE CHANGE
Finalmente o lider numero um do mundo, Obama, esta levando o assunto a serio.
E Obama reconhece que a coisa nao eh facil. Pelo menos tem o pe no chao
“We made a good start, but I am the first one to acknowledge that progress on this issue will not be easy,” Obama said, adding that recession was a complicating factor
Nao vou traduzir pra quem nao fala ingles treinar e escrevo o post mais rapido.
O negocio ta indo tao feio segundo os estudos climaticos que a meta de reducao tem que ser de 80% ate 2050.
Nao foi erro de digitacao nao. 80 (OITO ZERO).
Se o Protocolo de Kyoto parecia dificil com a meta de 5.2% em 2012 dos niveis de 1990.
Resumao da opera: os paises do G8 pressionam os BRICS pra reduzir as emissoes, mas acontece que China, India e Russia, nem tanto o Brasil, acham que 80% eh muito. Ou muito eh algo relativo.
Eles tambem querem ficar rico e pra isso tem que poluir, pelo menos no paradigma atual.
O Grande problema do Climate Change, se a teoria eh verdadeira, eh a META.
Eh algo que nao tem muita margem pra erro.
Ou a meta eh cumprida ou o planeta vai pras cucuia.
Quem estiver vivo em 2050 sabera quem estava certo.
Minhao opiniao pessoal.
Acho que Climate Change eh muito mais um movimento politico do que um movimento ecologico.
Vejo oportunidade pra
- Fazer dinheiro
- Aumentar eficiencia
Climate change eh um rotulo bonito pro problema ambiental do mundo que em suma, sem precisar escrever uma tese eh o seguinte.
20% da populacao consome 80% dos recursos.
Entao, se os 80% da populacao (China, India e etc) consumirem o mesmo tanto que os 20% consomem a vaca vai pro brejo feio.
Nao quero aqui dar uma do pior economista da historia e o mais criticado sem duvida pra quem nao sabe de quem estou falando eh Maltus.
A solucao eh simples. E sera a mesma solucao pro problema antecipado por Maltus
Solucao = Aumentar a eficiencia.
O deus da eficiencia eh uma mistura de tecnologia com a ajudinha da politica e das big corporations.
Bom o assunto eh amplo.
Volto a falar do assunto Ecologia e Climate Change em outros posts.
O evento importante do ano eh o Congresso na Dinamarca no final do ano em Copenhagen. Nao o chocolote.
Sera o novo Kyoto protocol
Ate la muita agua vai rolar. Procurarei acompanhar aqui no Blog.
Pra filalizar fica aqui uma foto retratando a situacao atual nas empresas da Australia
Eu, por enquanto, continuo nos 94.2% empregado.

Brasil: padrao classe media com impostos baixos
Eu nem sempre acreditei que o Brasil viesse a virar uma potencia.
Uma vez acreditei, desacreditei depois, por inumeros motivos que entendera aqui, e agora estou voltando as minhas esperancas.
O primeira vez que acreditei que o Brasil viesse a dar certo foi quando a ficha da classe media caiu.
O grande problema do Brasil eu sempre achei que foi a ma distribuicao de renda e isso tem tudo a ver com o fato que o Brasil tem uma minima classe media.
Lembro que no inicio da decada de 90 o Brasil so perdia em distribuicao de renda pra Botswana, Africa.
Nesta epoca que veio aquela teoria de que o Brasil era uma Berlindia (Belgica + India), ou seja, ao mesmo tempo era um paraiso de inovacao e qualidade de vida pra poucos, a Belgica, e um inferno de desigualdade e desgraca pra muitos, a parte da India.
Eu nao aceitava um pais com 10x menos a populacao do Brasil (Australia) tem o mesmo PIB do Brasil. Em outras palavras o Australiano em media eh 10x mais rico que o Brasileiro e nem por isso ele eh 10x mais trabalhador ou 10x mais inteligente ou tenha estudado 10x mais.
Voltando no cair da ficha da classe media o que eu percebi que a grande diferenca destes paises com alta distribuicao de renda, como a Australia e alta renda percapta era A CLASSE MEDIA ampla.
Japao, Australia e ate mesmo os EUA, ainda que esteja deteriorando, tem a maior parte da populacao na classe media.
O resultado disso tudo eh um mercado maior.
Mais gente com renda, mais consumo, mais riqueza, mais renda: Simples.
Por isso o Brasil tem um IMENSO potencial de crescimento se a classe media aumentar.
Os ricos tem um padrao limite de consumo, por isso os paises de primeiro mundo nao crescem tanto.
Fazendo uma conta com um simples exemplo da frota de automoveis.
Na Australia, por exemplo, sao 1.6 veiculos por habitantes. Um frota de 13 milhoes de carros para somente 21milhoes de pessoas.
No Brasil atualmente sao 7.9 habitantes por veiculos no momento, ou seja, 22.78milhoes de veiculos (180/7.9).
Entretanto, se o Brasil tivesse o mesmo poder de compra da classe media Australiana poderiamos ter uma frota de 112 milhoes de veiculos, ou seja aproximadamente 400% mais. Esse eh apenas um exemplo do potencial de crescimento.
Quem nao quer investir em uma pais do tamanho do Brasil com esse potencial?
Eu estive no Brasil no final do ano passado e eu percebi que a classe media esta aumentando e isto tem ajudado muito o pais, principalmente nesta epoca de crise global.
Em suma o Brasil eh um pais que tem um grande potencial de crescimento.
Isso eh apenas um aspecto que esta colocando o pais no rumo certo.
Outro aspecto eh que o Brasil eh um pais onde se tem muito gordura pra cortar em termos de ineficiencia.
Exemplo de duas noticias interessantes na midia brasileira esta semana.
Vendas de carros no Brasil sobem 17,2% em junho e batem recorde, diz Anfavea
O motivo foi o incentivo no corte no IPI. A carga tributaria eh uma das maiores gorduras da industria automobilistica no Brasil.
O carro no Brasil eh carissimo.
Na Australia um Toyota corola custa 17.6mil dolares americanos. Nos Eua custa cerca de 14mil e porque no Brasil custa 36mil dolares americanos.
Mao de obra cara?
Nao
Ineficiencia na producao?
Nao
Imposto?
Sim
O outro exemplo
Brasil reduzirá custos trabalhistas, diz Guido Mantega
Na noticia, Segundo Mantega “”Nós queremos dar um salto qualitativo na produtividade e colocar o Brasil à frente do crescimento global. Essas medidas possibilitarão para vários setores competirem no mercado internacional.”
Demorou, mas os caras estao comecando a acordar.
Enfim, estou otimista.
Brasil o pais do futuro?
Isso so saberemos no futuro, mas parece que esta indo no rumo certo.
Como ficar rico no Brasil

Um assunto que sempre vem a tona para quem esta morando no exterior eh a “ingratidao” dos brasileiros que deixaram o pais pra tras e descem a lenha no Brasil e so falam dos pontos negativos.
Isso ate foi assunto recente e gerou bastantes comentário no Blog BRASIL – AUSTRALIA no post Ingratos Brasileiros.
O Sandro sempre procura em seus posts do Orkut e aqui no blog ver o lado positivo do Brasil. Entretanto, muitos dos brasileiros no exterior se recusam a ver e pelo contrario falam dos pontos negativos do pais.
Ontem li no site The Daily Reckoning um excelente artigo falando sobre o potencial de se ficar rico no Brasil. Ja comentei aqui sobre este site sobre financas e mercados que vai contra o que a midia main stream fala. Recomendo a leitura pra voce que quer se desintoxicar da midia papagaio.
Vou traduzir a maioria do artigo (em azul) e para voce que prefere no original aqui vai o link.
O Brasil eh um dos paises do BRIC (Brasil, Russia, India e China) e desenvolveu-se a um ponto que realmente esta chegando em algum lugar.
O Brasil eh o meu favorito do BRICS por inúmeras razoes e antes de ir adiante eu queria revelar um preconceito que tinha.
Anos atras eu me casei com uma maravilhosa jovem que tinha sido Miss Brasil recentemente. Atraves dela eu comecei a conhecer melhor o Brasil e mais do que alguem que tipicamente conheceria depois ter visita-lo esporadicamente. Felizmente, minha mulher nao eh so bonita mas sua familia eh bem conectada na alta sociedade e na politica.
Minha mulher aticou meu interesse pelo Brasil.
Eu posso dizer de primeira mao que o Brasil eh um pais em que voce pode viver extremamente bem.
Nao eh somente um grande pais pra ser rico, tambem para tornou-se rico. Brasil tem mais milionário que a India e a Russia. Em 2007, um novo milionário sugia no Brasil a cada cinco minutos todo dia util.
Brasil e Estados Unidos vao trocar os papeis?
Ironicamente, enquanto a maioria dos americanos estao olhando na outra direcao, o Brasil desabrocha com uma politica fiscal e monetaria solida que ajudou os EUA a obter prosperidade no passado.
Por exemplo, o Brasil tem um superavit no orcamento de 4 a 5% do Pib e nos ultimos quatro anos a inflacao brasileira esta sobre controle. O pais tambem tem superavit na balanca comercial.
E eh o lider mundial na producao de bio-combustivel e eh independente em energia.
Enquanto isso, os EUA esta com um imenso deficit comecial e orcamentario que esta o levando a hiper-inflacao que o Brasil viveu no seculo passado.
Entrando em 2009, o deficit americano foi engolido por uma milti-trilionaria improvisacao de “livracao de barra” e socorros [a bancos] certos a desestabilizar o dolar e deteriorar o padrao de vida daqueles que invariavelmente dependem da renda dele.
Assim como uma vez foi tolo confiar suas economias ao governo Brasileiro [seculo passado] eu acredito que agora eh tolo confiar suas economias ao governo americano.
De fato, eu nao ficaria surpreso se o dolar, que nos conhecemos, entre em extincao nos proximos 5 anos.
Isso porque a tendencia em todos os paises que detonaram suas moedas atraves da hiper-inflacao jogaram a moeda velha fora e inventaram uma outra [lembram do cruzado?] depois da hiper-inflacao ter feito a antiga moeda repugnante as pessoas que ela traiu.
A Alemanha teve seis moedas no seculo 20. Eles descartaram todas eles a nao ser o Euro que esta a beira de um colapso ou corrida inflacionaria.
…………….
A hiper-inflacao uma vez pragejou o Brasil. E a causa disso foi a irresponsavel expansao da oferta monetaria. O governo brasilieiro usou para financiar operacoes e desenvolvimento de projetos e nao foi com o dinheiro do contribuinte ou atraves de emprestimos, mas simplesmente atraves da impressao de mais dinheiro.
Em outros palavras, a causa da hiper inflacao brasileira eh a mesma da atual politica que Washington esta adotando.
Como resultado de 1980 a 1997 o nivel de precos no Brasil cresceu por uma fator de um trilhao. Durante o periodo o crescimento real da renda per capta foi nulo.
Todo o brasileiro atual, ate minha mulher que nasceu em 1980, tem infelizes memoria deste periodo. E brasileiros nao desejam a ninguem o retorno desta politca de destruicao economica.
Lembrem, que os alemaes se tornaram os inimigos numero um da inflacao na Europa no seculo vinte depois de sofrerem amargamente com a hiper inflacao.
Essa eh uma das razoes porque o Real brasiliero eh melhor que o dolar olhando pra frente. Ninguem que ja passou por uma hiper inflacao quer que essa experiencia se repita.
Dado os prospectos, a crise nos deu uma oportunidade. COMPRE BRASIL e venda dolar (americano)…”
Interessante?
Eh dificil de acreditar nestas “asneiras”, principalmente pra quem “abandonou” o pais por desilusao, mas não duvido muito que a coisa possa virar no cenario mundial, assim como o Sandro tem dito em posts anteriores sobre o papel da China e dos BRICs.
Espero que quem um dia cuspiu no prato que comeu venha a dar o braco a torcer.
O elogio do atraso
Devo admitir que depois do episódio do Santos-Dumont, de vez em quando, entro na página do Diogo Mainardi. Se o objetivo era dar ibope, ele está de parabéns. Acabou ganhando um leitor quase assíduo.
Numa dessas minhas visitas, acabei por ler, um texto que ele analisa uma reportagem publicada pela revista The Economist, que eu havia lido um tempo atrás, e rapassado através de um comentário deixado em outro blog.
Eu não vou comentar a análise do Mainardi, mas quero colocar o link original aqui para quem tíver a curiosidade de ler direto da fonte, sem intermediários. E também vou colocar uma tradução para aqueles que ainda estão estudando o idioma:
Colhendo os frutos da indolênciaAlguns aspectos não reformados da economia do Brasil, estão agora ajudando a limitar o estrago da desaceleração mundial – mas a sua prudência em anos recentes, está ajudando também.
Qualquer lista das coisas que seguravam a economia do Brasil até recentemente, incluiria a influência arbitrária do estado no setor financeiro. O governo controla o Banco do Brasil, um gigantesco banco comercial, e a Caixa Econômica, a maior financiadora de imóveis, mais o BNDES, um grande banco de desenvolvimento que provém crédito barato a empresas favorecidas. E mesmo sob circunstancias diferentes, tais políticas lamentáveis, repentinamente parecem previdentes, e deram a desaceleração mundial, uma coloração incomum no Brasil.
Outros países estão tentando descobrir como gerenciar bancos e dirigir crédito para onde os políticos acham que é necessário. Isso é algo, que o Brasil, fez ainda quando não era moda. É um sinal dos tempos, que uma recente nota de pesquisa da Goldman Sachs sobre o Brasil, listou como positivo o envolvimento do estado no sistema bancário. Em relação aos bancos privados, as enormes exigências de reserva e impostos sobre financiamento, que empurram o preço de seus empréstimos para cima, os desencorajam para com os ferozes riscos que causaram a queda de seus rivais na Europa e Estados Unidos. Até agora, o crédito no Brasil foi dentado, mas não triturado.
Apesar da economia ter sido poupada do pior da crise financeira, a economia está enfraquecendo. Demissões aumentaram, revertendo o crescimento de empregos na economia formal nos anos recentes. Embraer, um produtora de jatos, demitiu 20% de seus empregados dia 19 de fevereiro. Vale, uma mineradora gigante, cortou 1300 empregos e colocou 5000 outros em férias coletivas. A produção industrial em dezembro caiu 12%, a maior queda nos 17 anos registrados pela agência federal de estatíticas (IBGE).
Essa desaceleração aguda vai gerar um ano difícil. Marcelo Carvalho, um economista da Morgan Stanley, não prevê nenhum crescimento em 2009, e seu ponto de vista tem se tornado corrente rapidamente. O Brasil provavelmente sairá tão tarde da desaceleração econômica quanto demorou para entrar. Se o passado é uma indicação, sua produção industrial segue os altos e baixos das exportações da China, com o atraso de um quadrimestre.
Ainda sim, em comparação com o passado recente do Brasil, e também com o que outros países estão passando, a economia está razoavelmente em forma. O FMI prevê que somente os países em desenvolvimento da Ásia (que são mais pobres que o Brasil), Africa (idem) e o Oriente Médio, serão melhores em 2009. Dado a tendência do Brasil de ter ataques cardíacos sempre que outras economias ficam sob pressão, isso é impressionante. A crise da Argentina em 2001, e as crises asiáticas e russas de 1997-98 foram dolorosas e disruptivas para o Brasil. A hipersensibilidade do país para os caprichos da economia mundial se estica até, pelo menos, os anos 30, quando o Brasil sofreu um golpe militar durante a depressão.
A razão para sua melhora tem muito há ver com a dívida do setor público, que outrora foi um ponto fraco, mas foi reduzida abaixo de 40% do PIB. Empréstimos em moeda estrangeira foram trocados por equivalentes em real, então desvalorizações na moeda não machucam o balancente do governo. E mais importante, essa crise não está aumentando a inflação, a fraqueza congênita do Brasil. Isso em troca, permitiu ao banco central cortar taxas (fazendo o débito público mais barato de se pagar). Essa é a primeira vez que o Brasil foi capaz de executar uma política monetária “contra-cíclica”.
Mesmo assim, preocupações persistem que a prudência dos anos recentes, não vai durar. O gasto governamental cresceu tão rápido quanto a receita durante os tempos de fartura. Agora, os rendimentos estão caindo, mas não existe moderação no gasto. O consultor Raul Velloso, aponta que o gasto público tipicamente aumenta no ano anterior a eleição presidencial. Uma está marcada para 2010, o que faz da moderação agora, improvável. Como resultado, o superávit primário do orçamento (ie, antes do pagamento de juros) está destinado a secar, ou desaparecer.
Em tempos normais, isso assustaria investidores com títulos brasileiros, que enxergam o superávit primário como uma garantia que eles serão pagos. Na prática, eles vão entrar menos em pânico agora que a finanças governamentais ao redor do mundo estão mostrando o mesmo enfraquecimento, ou pior.
O Brasil na mídia internacional
Assim como havia prometido, vou aproveitar para repassar um pouco sobre o que tem saído sobre a economia brasileira na mídia internacional. Se eu já estava bastante surpreso com o número de artigos que tem sido publicados nos últimos 18 meses, fiquei ainda mais nessas últimas 4 semanas com a visita do Lula a Washington para se encontrar com o presidente americano Barack Obama.
Ontem mesmo, quando abrí a página da CNN, já havia uma entrevista com o Lula sobre a ascenção brasileira dentro da nova ordem mundial com o respeitado jornalista Fareed Zakaria, e uma outra sobre o mesmo assunto na BBC. Também na BBC de ontem, noticiaram sobre a viagem do primeiro ministro britânico Gordon Brown ao Brasil em preparação para o G20 de Londres.
Na edição do final-de-semana, o Wall Street Journal publicou uma reportagem sobre a conferência patrocinada por eles, e que reuniu o presidente Lula e investidores estrangeiros em Nova Iorque.
E na Newsweek da semana passada, logo após a matéria sobre a antecipação da hegemonia das BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China) na economia mundial de 2050 para 2027, devido a atual crise financeira, também publicaram outra entrevista com o Lula.
Mas acho que de tudo que tem saído, a mais interessante foi essa da Time do início do mês:
The One Country That Might Avoid Recession Is…
Now, in the middle of the worst global downturn for decades, Brazil could finally be the country of the moment. According to a recent study by the Paris-based Organization for Economic Cooperation & Development (OECD), Brazil may be the only one of 34 major economies that avoids recession in 2009. While the U.S. debates whether to nationalize its crippled banks, Brazil’s remain comparatively sound. Oil companies worldwide are slashing investment, but Brazil’s state-run Petrobras is going ahead with a four-year, $174 billion expansion plan. “Brazil,” Lula boasted to TIME, “is riding the current crisis better than many developed countries.”
To be sure, the boom — years of 5% growth and soaring exports — is over. Industrial production has plunged. Even Embraer, the aircraft maker whose jets sell to scores of airlines, and which has become a symbol of Brazil’s newfound confidence, recently announced plans to lay off 4,000 employees, almost one-fifth of its workforce. Commodity exports — soybeans, steel — are weak. The main stock market is down 25% since September. But Lula, a former shoe-shine boy who heads the leftist Workers Party (PT), has so far kept the good times from becoming a hellish bust. In Brazil, that’s nothing short of miraculous.
There may be another miracle in the making. Because unfettered capitalism is widely blamed for the global meltdown, economists and laborers alike say Brazil has become an example of what Lula likes to call “the financial strategy of the future.” By that he means a postideological approach that is equal parts wealth creation for corporations such as Embraer and wealth redistribution for underdogs like Da Silva. All this under the kind of prudent financial regulation that seems to have gone missing in the developed world of late.
Brazil still faces huge challenges; its education system is dysfunctional, its political system squalid, corruption endemic. But consider: 53% of Brazil’s 190 million people now occupy the middle class, up from 42% in 2002. This increased social mobility happened at the same time the country’s main stock index soared some 480% before last fall’s downturn.
Tradução:
Agora, no meio da pior crise global por décadas, o Brasil pode finalmente se tornar o país do momento. De acordo com um estudo recente da OECD, o Brasil pode ser o único das 34 principais economias que pode evitar uma recessão em 2009. Enquanto os EUA debatem se nacionalizam os seus bancos quebrados, o Brasil continua comparavelmente saudável. Companhias de petróleo ao redor do mundo, estão reduzindo investimentos, mas a Petrobras, que pertence ao estado, está indo adiante com um plano de expansão de 174 bilhões de dólares em 4 anos. “O Brasil”, Lula disse a Time, “está enfrentando a crise bem melhor que muitos países desenvolvidos.”
Para ter certeza, o “boom” – anos de 5% de crescimento e alta exportação – terminou. A produção industrial caiu. Até mesmo a Embraer, a fabricante que vende seus aviões para dezenas de empresas aéreas, e que virou símbolo da re-encontrada confiança brasileira, recentemente anunciou planos de cortar 4000 funcionários, quase 1/5 do seu quadro. A exportação de produtos primários – soja, ferro – enfraqueceu. A principal bolsa de valores caiu 25% desde setembro. Mas Lula, um ex-engraixate que lidera o esquerdista Partido dos Trabalhadores (PT), tem até agora evitado que o bons tempos terminem numa falência infernal. No Brasil, isso não é menos que milagre.
Deve ter outro milagre a caminho. Por que o capitalismo descarrilhado tem sido amplamente culpado pela crise global, economistas e trabalhadores dizem que o Brasil se tornou um exemplo do que o Lula gosta de chamar “estratégia financeira do futuro.” No que ele diz ser uma abordagem pós-ideológica que é definida pela igual geração de riqueza para empresas como a Embraer, e distruibuição de riqueza para os menos abastados como Da Silva. Tudo isso debaixo de um sistema regulatório prudente que deixou de existir no mundo desenvolvido de uns tempos para cá.
O Brasil ainda enfrenta desafios enormes; seu sistema educacional é disfuncional; o sistema político imoral; a corrupção é endêmica. Mas leve em consideração: 53% dos 190 milhões de brasileiros agora ocupam a classe média, acima dos 42% em 2002. Esse aumento na mobilidade social aconteceu no mesmo momento que a principal bolsa do país subiu cerca de 480% antes da crise no outono passado.
Lógico de umas semanas para cá muita coisa mudou. Está mais do que claro que o Brasil vai sofrer os efeitos da crise, e todas as indústrias que dependem de exportação vão sofrer, cortar funcionários e muitas podem até fechar as portas. Mas se o Brasil crescer os 0.25% esperados ou mesmo ficar no 0% já vai estar no lucro. O importante é não deixar o impacto do declínio econômico no resto do mundo se espalhar para dentro do mercado interno.
Outra coisa que se nota muito na mídia internacional, é uma certa admiração pela figura do Lula. Mas o erro nessas análises, é não colocar a devida ênfase que a situação atual no Brasil não é resultado da ação de um indivíduo ou partido. Mas sim de um trabalho que começou em 1994 com a estabilização da economia na época do FHC. O grande mérito do Lula, ao meu ver, foi ter mantido as mesmas políticas econômicas, e aproveitado o crescimento para investir em alguns programas sociais. Isso colocando tudo numa visão macro, já que os escândalos de corrupção no primeiro mandato do Lula, que deveriam ser melhor apurados, foram ofuscados pela boa performance econômica do país.
Mas ao menos, o FHC não foi tão esquecido tanto na Time:
Tradução:
O predecessor do Lula, Fernando Henrique Cardoso, foi o primeiro presidente a reconhecer que mudar era preciso. Ele restaurou a sanidade fiscal acabando com a hiperinflação, mas suas tentativas de reforma social foram tímidas.
Quanto no Wall Street Journal:
Tradução:
Uma vez reconhecido por seus breves períodos de hiperinflação, o Brasil agora goza de relativa estabilidade de preços, e o Sr. da Silva, que adotou a mesma política anti-inflação do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, [também] merece crédito.
Diogo Mainardi, Santos Dumont e a inteligência brasileira
Essa semana, através do blog do Rogério a.k.a Jerry, lí um texto que o Diogo Mainardi escreveu para a Veja. Amizades a parte, tíve que discordar de muito do que foi dito.
Acho que existem muitas coisas no Brasil, que devem ser ridicularizadas. Mas nesse texto, acho que quem representou mais a tal inteligência brasileira, foi o próprio Mainardi. Como um cara desse, que tem um espaço precioso na mídia brasileira, conseguiu ignorar e distorcer tantos fatos?
Como alguém escreveu na página do Paulo Henrique Amorin, isso foi um verdadeiro “estelionato intelectual”.
Eu achava que depois de perceber o tamanho da besteira que escreveu, o Mainardi fosse pedir desculpas, e explicar que ele quiz dizer uma coisa, e o artigo não iria chamar tanto a atenção se ele não usasse o nome do Santos Dumont.
Mas não. Logo em seguida, depois de todas a críticas. Ele mais uma vez ousa zombar da verdadeira inteligência brasileira, e diz que a versão dos fatos é invenção do sobrinho do Santos Dumont.
Já que ele acha que só os estrangeiros tem alguma inteligência, ele deveria ver o documentário da PBS que eu postei no YouTube. Ou vai dizer que até os experts americanos estão mentindo?
Esse documentário é baseado no livro escrito pelo americano Paul Hoffman, chamado Wings of Madness: Alberto Santos-Dumont and the Invention of Flight. Hoffman além de jornalista e biógrafo, é membro da Academia Americana de Artes e Ciências, foi presidente e editor da Enciclopédia Britannica, consultor da NASA, National Science Foundation, National Academy of Engineering, e American Association for the Advancement of Science. Para não dizer que já apareceu inúmeras vezes na CNN, BBC, NPR News, CBS e outras emissoras.
Num dos reviews do seu livro, até dizem:
“When Hollywood gets its mitts on…Hoffman’s riveting biography of…Santos-Dumont (1873-1932)—a man who would fly to dinner from his Paris apartment via his own personal dirigible, who won H.G. Wells and Jules Verne’s admiration, who hosted dinner parties featuring impossibly tall chairs and tables to simulate dining in midair—it should make for an amazing flick.” —Book Magazine
Tradução:
Quando Hollywood colocar suas luvas (em Português sería o equivalente “arregaçar as mangas”) para pegar… a fascinante biografia de Santos Dumont (1873-1932) – um homem que voaria para seu apartamento em Paris para jantar, e que ganhou a admiração de H.G. Wells e Júlio Verne, e que oferecia jantares em mesas e cadeiras de alturas impossíveis para simular um jantar no céu – vai dar num filme espantoso.
Diogo Mainardi, o que eu tenho a dizer sobre o que é ridículo é o seguinte:
Ridículo é ser a 8a economia do mundo, ter tecnologia e inteligência para fazer avião, helicóptero, submarino, e carro; ser o país mais avançado em produção do ethanol (álcool), ter energia nuclear, petróleo, ser potência na agricultura, ter o maior rebanho bovino do mundo… E mesmo assim ter gente passando fome, morando na favela e etc.
Gente passando fome, crime, violência, corrupção, favelas é resultado de desigualdade social, falta de distribuição de renda e investimento em educação.
Mas se o Brasil já é a 8a economia do mundo do jeito que está. Imagina se não tivesse desigualdade social, e os mais pobres tivessem acesso a educação?
PS. Para ajudar, acabei de colocar as legendas no YouTube. Se alguém quiser usar, tem que usar o botão do canto direito para habilitar.







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