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Quando que o Brasil vai entrar no piloto automatico?

October 6, 2010 12 comments

Moro há 4,5 anos na Australia e este ano votei pela primeira vez aqui na ultimas eleicoes federais para membro do parlamento e senador.

Acostumado com varias eleicoes no Brasil e a sofisticacao e complexidade do sistema brasileiro fiquei impressionado com o sistema Australiano. Nao porque aqui seja um sistema ultra informatizado como no Brasil, onde o resultado das eleicoes de 136milhoes de eleitores sai em 6 horas, mas porque apesar da votacao ser precaria o sistema aqui esta em piloto automatico. Alias o pais todo.

Minha definicao de sistema em piloto automatico é que nao importa quem vai ganhar as eleicoes a vida continua normal, o pais sempre melhorando independente do governo.

Aqui os dois maiores partidos: O Liberal e o Labor alternam o poder há 110 anos. É mais ou menos 8 a 12 anos que cada partido fica no poder. O sistema de voto é distrital, que é o sistema defendido por FHC, um parlamentarista convicto, mas que sem sucesso nao conseguiu aprovar, assim como a reforma tributária, politica etc e etc. Vai saber porque?

No sistema parlamentarista distrital o pais é dividido em distritos exatamente iguais no numero de populacao. Aqui na Australia é cerca de 100mil habitantes. Como sao 226 deputados e a populacao é de 22,6 milhoes é aproximadamente isto. Entao aqui todo voto tem o mesmo peso. Nao é como em certos paises onde um voto em um estado vale 5x o do outro. O Balanco do poder fica no Senado onde todos os estados tem o mesmo numero de senadores, 76 ao todo aqui na Australia. Continha rapida da 12 por estado.

Entao, se no Brasil adotasse o sistema distrital o Tiririca NUNCA teria tido 1,3 milhoes de votos. No maximo teria 100mil, caso conseguisse 100% dos votos em seu distrito.

As vantagens do sistema distrital sao muitas. Como impedir de dar vantagem pra quem tem mais dinheiro para angariar votos em outras regioes. O voto distrital permite mais proximidade e afinidade do candidato com os moradores da regiao. Eu por exemplo ja encontrei o meu MP (deputado) no cinema no sabado a noite, no supermercado comprando fruta no domingo a tarde e quando eu quiser, se for chato o suficiente, marco uma audiencia no seu gabinete, quando estiver aqui em Adelaide. A principal vantagem é a cobrança. Como ele mora aqui do lado eu tem muito mais acesso.

Agora e o Tiririca que teve 1,3 milhoes de votos. Tipo eleitor no Vale do Carapicuiba, um de Santos e um em Santo Anastacio votaram nele.

Se ele gastar 1 min com cada eleitor, considerando que o dia tem 8 horas uteis, vai demorar 7,4 anos pra falar 1 min com cada mane que votou nele. Detalhe que o mandato é de 4 anos e tem horario de sessao na camara etc. Enfim, o sistema no Brasil é burro e ainda nao mudou porque tem gente que tem interesse em mante-lo burro. Deve ser os eleitores do Tiririca. So pode ser.

Agora num sistema como o Australiano é como se o pais estivesse no piloto automatico. A gota d’gua foi quando fui votar eu percebi que poderia votar em QUALQUEL sessao do meu distrito no dia da eleição. Se soubesse que iria viajar no dia poderia votar pelo correio ou antecipado, ou ate votar em transito se necessario. Ja no Brasil porque sou OBRIGADO a votar na minha sessao eu nao voto há 6 anos, devido a ter parente em outra cidade e gostar de visitar eles no dia da eleicao e agora morando na Australia nem se fala. Falando em não poder votar teve 26 milhoes de abstencoes nesta eleicao, Mais do que todos os votos da Marina… a candidata dos que ainda acham que polica é lugar de gente que nao só quer ganhar a eleiçao.

E eu estou tentando entrar em contato com a embaixada em Canberra, mas quando recebi a resposta já era tarde demais pra transferir o titulo…

Voltando ao dia da votacao na Australia….escolhi um lugar bem pertinho de casa quando cheguei na sessao ninguem pediu nenhum documento, so dei meu nome o fulano checou e me deu 2 cedulas, uma para senador e uma pra deputado. Quando cheguei na cabine fiquei procurando a caneta. CANETA? Cade a caneta? Caneta que nada o negocio é a LAPIS!!! Enfim votei e fui feliz da vida curtir o meu Sabado ensolarado aqui na Wonderland. Piloto Automatico? Bota automatico nisso.

No Brasil parece que sempre quando tem eleicao o fim do mundo esta próximo. Quando o Lula estava pra ganhar para presidente em 1989 a “classe alta” so falava em mudar pros EUA. O MST ia invadir nao so as fazendas como as casas e as escolas particulares.

Entao pra se livrar do Lula escolhemos o Collor… mico? Micao! Ai veio Itamar, que alias foi quem implementou o plano real, dancou com a Lilian Ramos e reinventou o fusca.

Finalmente veio um EX-COMUNISTA  o FHC. Pra nao engolir o Lula vai esse mesmo.

Depois FHC2 (capitalista bombando)  e finalmente o Lula, conheco um monte de “capitalista” que votou no Sapo Barbudo. Ai que medo do Lula!!!! o mundo vai acabar … AGORA ACABA!!! o dolar foi a 4 reais o spread dos C-Bonds em 1000 pontos!!! Gente o Lula ganhou… e hoje… o mundo acabou?

Depois de 8 anos o Brasil é um pais mais rico, menos desigual. E mesmo com um presidente semi-analfabeto o pais cresce a 7% ao ano. O Brasil é a bola da vez. Ganhou não so a sede da Copa, mas também das Olimpiadas. So pode ser piada…

Será que estamos comecando a estrar no piloto automático no Brasil?

E a se a Dilma ganhar?

Ai FERROU.

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O Brasil e as olimpíadas de 2016

October 2, 2009 1 comment

Rio de Janeiro 2016

Mais uma vez um grande obrigado ao Pedro por manter a bola rolando aqui no Talking Point. Eu ainda estou bem ocupado com as coisas no trabalho, mas logo logo vou voltar a escrever mais frequentemente. Aliás, assunto é o que não falta.

Aproveitando que essa semana vai ser anunciada a sede das Olimpíadas de 2016, resolví passar para indicar um artigo da Time sobre a candidatura do Brasil:

Rio’s Olympics Quest: Can It Handle the 2016 Games?

If life is fair, then the International Olympic Committee will next week declare that Brazil has been chosen to host the 2016 Summer Olympics and thus become the first South American nation to win one of sports’ greatest honors.

The other main contenders are the U.S., Spain and Japan, and they’ve all hosted the Olympics before. So, Brazilians, with their beaches, sun, and a vibrant economy whose recent performance has shamed many developing-world rivals, believe that Rio de Janiero — and South America — deserves the chance to show what it can do.

Tradução

A busca olímpica do Rio: Pode ela arcar com os jogos de 2016?

Se a vida é justa, então o Comitê Olímpico Internacional irá declarar na próxima semana que o Brasil foi escolhido para sediar as Olimpíadas de Verão de 2006, e então se tornar a primeira nação sulamericana a ganhar umas das maiores honras do esporte.

Os outros principais concorrentes são os EUA, Espanha e Japão, e todos já sediaram as olimpíadas antes. Então, os Brasileiros, com suas praias, sol, e uma economia vibrante cuja recente performance deixou muitos países em desenvolvimento envergonhados, acreditam que o Rio de Janeiro – e a América do Sul – merece a chance de mostrar o que é capaz de fazer.

O artigo começou super otimista, mas logo em seguida levantou todas promessas do Pan que não foram cumpridas. Eu acho que o Brasil tem chance. Mas se ganhar, tem que fazer tudo o que prometeu. Tem que parar de ser o país da promessa. Da eterna promessa de ser o país do futuro.

Eu fico na torcida. Mas não para ganhar. Mas para que se ganhar, o Brasil mude a sua imagem perante o mundo. E que seja visto como um país competente, e com gente séria, trabalhadora, capaz de ser palco dos maiores eventos esportivos do planeta.

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A New Normal

September 2, 2009 3 comments

Cumprindo o prometido aqui vai um novo post.

Comentarei aqui o investment outlook publicado pela PIMCO esta manha, na Australia.

Pra quem não sabe Pacific Investment Management Company (PIMCO) é o maior fundo de investimento em bonds do mundo. Os caras somente administram 750Bi de dolares.

Quem está trabalhando pra eles no momento é nada mais que Alan Grenspan, não preciso comentar o curriculo do garoto.

Quem quiser ler o relatorio na integra aqui vai o link

O investment outlook tem muito a ver com minha visão macroeconomica que coloco aqui no Blog e continuarei a colocar.

O principal comentario que ele coloca é que o secular bull market nos EUA acabou. ZIP. C’est fini. FINITO. IT IS OVER.

Só um pequeno parentese que o mercado de ações nos EUA teve uma fase de alta de 1982 até 2000-01 com a quebra de Nasdaq.

Logico que disse em outras palavras. Ele disse que nos estamos indo para uma nova fase que ele chomou de NEW NORMAL.

Nas palavras de Bill Gross

“if you are a child of the bull market, it’s time to grow up and become a chastened adult; it’s time to recognise that things have changed and that they will continue to change for the next – yes, the next 10 years and maybe even the next 20 years. We are heading into what we call the New Normal, which is a period of time in which economies grow very slowly as opposed to growing like weeds, the way children do; in which profits are relatively static; in which the government plays a significant role in terms of deficits and reregulation and control of the economy; in which the consumer stops shopping until he drops and begins, as they do in Japan (to be a little ghoulish), starts saving to the grave.”

Nesse novo contexto existe o fenomeno DDR. Delivering, Degoblalization and Reregulation. Esse novo modelo não se coaduna com o modelo de negocios Americano das ultimas 3 decadas.

Resumindo as caracteristicas principais do novo cenário são:

American-style capitalism and the making of paper instead of things.: Acabou a festa de Americano imprimir dinheiro pra comprar bujiganga de paises em desenvolvimento, ou desenvolvido. Achando que os fornecedores vão pra semrpe comprar titulos do tesouro americano com os superavits gerados

Private vs. public-driven growth.: Governo vai regular mais o mercado e a mão invisivel sai de cena

Global economic leader: China é o novo lider. Detalhe ja extensivamente comentado auqi.

United States housing and employment.: A recessão continua forte, pois o Americano nao tem poupança. Isso é fato e foi o que causou a crise la. As perspectivas não são boas pros gringos devido a ressaca de divida. O crescimento nos EUA estará no modo NEW NORMAL.

Nem tudo é noticia ruim. E não quero carregar o estigima de alguém pessimista.

Alias eu sou tremendamente otimista, so pra registro. Super pessimista com relação a atual crise e os EUA e tudo que aconteceu la, mas eu concordo em genero numero e grau com os pontos listados no artigo e ai vão eles.

1) Global policy rates will remain low for extended periods of time.: Acho que taxas de juros ficarão baixas por um tempo, pois a coisa não vai melhorar cedo. Minha dica é. Aproveite pra pagar as dividas. Não faça mais do que voce ja tem.

2) The extent and duration of quantitative easing, term financing and fiscal stimulation efforts are keys to future investment returns across a multitude of asset categories, both domestically and globally.: Esse é o ponto que concordo menos. Como capitalista acho que as coisas deveriam se reajustar com menos intervenção, mas não é o estilo de Bernanke e Obama. Então isso acho que é inevitável e espero que o resultado seja bom no final.

3) Investors should continue to anticipate and, if necessary, shake hands with government policies, utilising leverage and/or guarantees to their benefit.: Surfe na onda o Climate Change, compre commodities.

4) Asia and Asian-connected economies (Australia, Brazil) will dominate future global growth.: Essa é a ponte aérea que sempre quero estar. Casamento perfeito. Isso vale a pena um post so pra comentar isso. Prometo um dia… se possivel em greve.

5) The dollar is vulnerable on a long-term basis.: Amiguinho. O trade do seculo. Venda dollar e compre commodities. The green back is over. Say goodnight.

Bill Gross

Bill Gross

Porque “Brazil” pode ganhar o Miss Universo 2009

August 13, 2009 2 comments

Como nao tem nada de interessante no jornal, pois a crise acabou e a bolsa (S&P ASX200) finalmente esta em mais de 4400 pontos.

Rompeu todas as resistencias e agora “to the moon”, sei …. mas mais disso em outro topico.

Mudando de assunto a melhor epoca do ano na programacao na TV, isso eu tenho certeza: O concurso de Miss Universo. Pelo menos eh o meu programa favorito.

Desde crianca quando assistia a seletiva na SBT o Silvio Santos fazendo a selecao da Miss Brasil nunca tirei o olho da telinha.

Brasil sempre famoso no concurso com Vera Fisher e Marta Rocha, mas nunca ganhou o concurso seja por uma quadrilzinho um pouco rechochudo da Marta Rocha na decada de 50 ou hoje pelas beldades nao falarem ingles basico minimo aceitavel.

Estava fazendo minha pre-analise das candidatas esse ano no site no MissUniverso e vi que pela beleza a Brasileira, Larissa Costa, teria boas chances e olhando no curriculo vi que eh fluente em Portugues (pelo menos isso) e Espanhol.

Mas quando assisti a entrevista eu achei que foi corajosa de dar a entrevista em Ingles. Miss em media ja tem dificuldade de falar na lingua natal, imagina em uma terceira lingua que nao eh fluente.

Ela fica muito mais original no sotaquinho nordestino. Super Charmosa.

Enfim valeu a tentativa.

Acho que todos os concursos que vi ultimamente na ultima rodada  o que define e nao a beleza, mas a resposta que se da para as perguntas e como que a pessoa lida com a pressao do momento.

O Miss Universo hoje eh um evento, como todo outro, politicamente correto.

A Miss Universo sera uma embaixadora mundial que viajara pelo mundo promovendo coisas cool para o combate a pobreza e etc.

Olhando pelas candidatas me chamou a atencao no curriculo da Canadense que ela fala portugues fluente e o nome dela eh Mariana Valente. Descobripelo google que ela eh brasileira e fala ingles fluente, pois ela se mudou para o Canada com 12 anos.

Mariana Valente

Mariana Valente

Tem bastante desenvoltura na entrevista e eh muito bonita.

Acho que Canada sera novamente Miss Universo esta ano com mais uma garota importada, assim como foi a musa Russa em 2005, Natalie Glebova.

Natalie Glenova

Natalie Glenova

Parabens Canada pela selecao…

e pro Brasil fica as passarelas da moda.

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Brasil: padrao classe media com impostos baixos

July 7, 2009 4 comments

Eu nem sempre acreditei que o Brasil viesse a virar uma potencia.

Uma vez acreditei, desacreditei depois, por inumeros motivos que entendera aqui, e agora estou voltando as minhas esperancas.

O primeira vez que acreditei que o Brasil viesse a dar certo foi quando a ficha da classe media caiu.

O grande problema do Brasil eu sempre achei que foi a ma distribuicao de renda e isso tem tudo a ver com o fato que o Brasil tem uma minima classe media.

Lembro que no inicio da decada de 90 o Brasil so perdia em distribuicao de renda pra Botswana, Africa.

Nesta epoca que veio aquela teoria de que o Brasil era uma Berlindia (Belgica + India), ou seja, ao mesmo tempo era um paraiso de inovacao e qualidade de vida pra poucos, a Belgica, e um inferno de desigualdade e desgraca pra muitos, a parte da India.

Eu nao aceitava um pais com 10x menos a populacao do Brasil (Australia) tem o mesmo PIB do Brasil. Em outras palavras o Australiano em media eh 10x mais rico que o Brasileiro e nem por isso ele eh 10x mais trabalhador ou 10x mais inteligente ou tenha estudado 10x mais.

Voltando no cair da ficha da classe media o que eu percebi que a grande diferenca destes paises com alta distribuicao de renda, como a Australia e alta renda percapta era A CLASSE MEDIA ampla.

Japao, Australia e ate mesmo os EUA, ainda que esteja deteriorando, tem a maior parte da populacao na classe media.

O resultado disso tudo eh um mercado maior.

Mais gente com renda, mais consumo, mais riqueza, mais renda: Simples.

Por isso o Brasil tem um IMENSO potencial de crescimento se a classe media aumentar.

Os ricos tem um padrao limite de consumo, por isso os paises de primeiro mundo nao crescem tanto.

Fazendo uma conta com um simples exemplo da frota de automoveis.

Na Australia, por exemplo, sao 1.6 veiculos por habitantes. Um frota de 13 milhoes de carros para somente 21milhoes de pessoas.

No Brasil atualmente sao 7.9 habitantes por veiculos no momento, ou seja, 22.78milhoes de veiculos (180/7.9).

Entretanto, se o Brasil tivesse o mesmo poder de compra da classe media Australiana poderiamos ter uma frota de 112 milhoes de veiculos, ou seja aproximadamente 400% mais. Esse eh apenas um exemplo do potencial de crescimento.

Quem nao quer investir em uma pais do tamanho do Brasil com esse potencial?

Eu estive no Brasil no final do ano passado e eu percebi que a classe media esta aumentando e isto tem ajudado muito o pais, principalmente nesta epoca de crise global.

Em suma o Brasil eh um pais que tem um grande potencial de crescimento.

Isso eh apenas um aspecto que esta colocando o pais no rumo certo.

Outro aspecto eh que o Brasil eh um pais onde se tem muito gordura pra cortar em termos de ineficiencia.

Exemplo de duas noticias interessantes na midia brasileira esta semana.

Vendas de carros no Brasil sobem 17,2% em junho e batem recorde, diz Anfavea

O motivo foi o incentivo no corte no IPI. A carga tributaria eh uma das maiores gorduras da industria automobilistica no Brasil.

O carro no Brasil eh carissimo.

Na Australia um Toyota corola custa 17.6mil dolares americanos. Nos Eua custa cerca de 14mil e porque no Brasil custa 36mil dolares americanos.

Mao de obra cara?

Nao

Ineficiencia na producao?

Nao

Imposto?

Sim

O outro exemplo

Brasil reduzirá custos trabalhistas, diz Guido Mantega

Na noticia, Segundo Mantega “”Nós queremos dar um salto qualitativo na produtividade e colocar o Brasil à frente do crescimento global. Essas medidas possibilitarão para vários setores competirem no mercado internacional.”

Demorou, mas os caras estao comecando a acordar.

Enfim, estou otimista.

Brasil o pais do futuro?

Isso so saberemos no futuro, mas parece que esta indo no rumo certo.

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Como ficar rico no Brasil

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Um assunto que sempre vem a tona para quem esta morando no exterior eh a “ingratidao” dos brasileiros que deixaram o pais pra tras e descem a lenha no Brasil e so falam dos pontos negativos.

Isso ate foi assunto recente e gerou bastantes comentário no Blog BRASIL – AUSTRALIA no post Ingratos Brasileiros.

O Sandro sempre procura em seus posts do Orkut e aqui no blog ver o lado positivo do Brasil. Entretanto, muitos dos brasileiros no exterior se recusam a ver e pelo contrario falam dos pontos negativos do pais.

Ontem li no site The Daily Reckoning um excelente artigo falando sobre o potencial de se ficar rico no Brasil. Ja comentei aqui sobre este site sobre financas e mercados que vai contra o que a midia main stream fala. Recomendo a leitura pra voce que quer se desintoxicar da midia papagaio.

Vou traduzir a maioria do artigo (em azul) e para voce que prefere no original aqui vai o link.

O Brasil eh um dos paises do BRIC (Brasil, Russia, India e China) e desenvolveu-se a um ponto que realmente esta chegando em algum lugar.

O Brasil eh o meu favorito do BRICS por inúmeras razoes e antes de ir adiante eu queria revelar um preconceito que tinha.

Anos atras eu me casei com uma maravilhosa jovem que tinha sido Miss Brasil recentemente. Atraves dela eu comecei a conhecer melhor o Brasil e mais do que alguem que tipicamente conheceria depois ter visita-lo esporadicamente. Felizmente, minha mulher nao eh so bonita mas sua familia eh bem conectada na alta sociedade e na politica.

Minha mulher aticou meu interesse pelo Brasil.

Eu posso dizer de primeira mao que o Brasil eh um pais em que voce pode viver extremamente bem.

Nao eh somente um grande pais pra ser rico, tambem para tornou-se rico. Brasil tem mais milionário que a India e a Russia. Em 2007, um novo milionário sugia no Brasil a cada cinco minutos todo dia util.

Brasil e Estados Unidos vao trocar os papeis?

Ironicamente, enquanto a maioria dos americanos estao olhando na outra direcao, o Brasil desabrocha com uma politica fiscal e monetaria solida que ajudou os EUA a obter prosperidade no passado.

Por exemplo, o Brasil tem um superavit no orcamento de 4 a 5% do Pib e nos ultimos quatro anos a inflacao brasileira esta sobre controle. O pais tambem tem superavit na balanca comercial.

E eh o lider mundial na producao de bio-combustivel e eh independente em energia.

Enquanto isso, os EUA esta com um imenso deficit comecial e orcamentario que esta o levando a hiper-inflacao que o Brasil viveu no seculo passado.

Entrando em 2009, o deficit americano foi engolido por uma milti-trilionaria improvisacao de “livracao de barra” e socorros [a bancos] certos a desestabilizar o dolar e deteriorar o padrao de vida daqueles que invariavelmente dependem da renda dele.

Assim como uma vez foi tolo confiar suas economias ao governo Brasileiro [seculo passado] eu acredito que agora eh tolo confiar suas economias ao governo americano.

De fato, eu nao ficaria surpreso se o dolar, que nos conhecemos, entre em extincao nos proximos 5 anos.

Isso porque a tendencia em todos os paises que detonaram suas moedas atraves da hiper-inflacao jogaram a moeda velha fora e inventaram uma outra [lembram do cruzado?] depois da hiper-inflacao ter feito a antiga moeda repugnante as pessoas que ela traiu.

A Alemanha teve seis moedas no seculo 20. Eles descartaram todas eles a nao ser o Euro que esta a beira de um colapso ou corrida  inflacionaria.

…………….

A hiper-inflacao uma vez pragejou o Brasil. E a causa disso foi a irresponsavel expansao da oferta monetaria. O governo brasilieiro usou para financiar operacoes e desenvolvimento de projetos e nao foi com o dinheiro do contribuinte ou atraves de emprestimos, mas simplesmente atraves da impressao de mais dinheiro.

Em outros palavras, a causa da hiper inflacao brasileira eh a mesma da atual politica que Washington esta adotando.

Como resultado de 1980 a 1997 o nivel de precos no Brasil cresceu por uma fator de um trilhao. Durante o periodo o crescimento real da renda per capta foi nulo.

Todo o brasileiro atual, ate minha mulher que nasceu em 1980, tem infelizes memoria deste periodo. E brasileiros nao desejam a ninguem o retorno desta politca de destruicao economica.

Lembrem, que os alemaes se tornaram os inimigos numero um da inflacao na Europa no seculo vinte depois de sofrerem amargamente com a hiper inflacao.

Essa eh uma das razoes porque o Real brasiliero eh melhor que o dolar olhando pra frente. Ninguem que ja passou por uma hiper inflacao quer que essa experiencia se repita.

Dado os prospectos, a crise nos deu uma oportunidade. COMPRE BRASIL e venda dolar (americano)…”

Interessante?

Eh dificil de acreditar nestas “asneiras”, principalmente pra quem “abandonou” o pais por desilusao, mas não duvido muito que a coisa possa virar no cenario mundial, assim como o Sandro tem dito em posts anteriores sobre o papel da China e dos BRICs.

Espero que quem um dia cuspiu no prato que comeu venha a dar o braco a torcer.

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O elogio do atraso

April 15, 2009 2 comments

Devo admitir que depois do episódio do Santos-Dumont, de vez em quando, entro na página do Diogo Mainardi. Se o objetivo era dar ibope, ele está de parabéns. Acabou ganhando um leitor quase assíduo.

Numa dessas minhas visitas, acabei por ler, um texto que ele analisa uma reportagem publicada pela revista The Economist, que eu havia lido um tempo atrás, e rapassado através de um comentário deixado em outro blog.

Eu não vou comentar a análise do Mainardi, mas quero colocar o link original aqui para quem tíver a curiosidade de ler direto da fonte, sem intermediários. E também vou colocar uma tradução para aqueles que ainda estão estudando o idioma:


Colhendo os frutos da indolência

Alguns aspectos não reformados da economia do Brasil, estão agora ajudando a limitar o estrago da desaceleração mundial – mas a sua prudência em anos recentes, está ajudando também.

Qualquer lista das coisas que seguravam a economia do Brasil até recentemente, incluiria a influência arbitrária do estado no setor financeiro. O governo controla o Banco do Brasil, um gigantesco banco comercial, e a Caixa Econômica, a maior financiadora de imóveis, mais o BNDES, um grande banco de desenvolvimento que provém crédito barato a empresas favorecidas. E mesmo sob circunstancias diferentes, tais políticas lamentáveis, repentinamente parecem previdentes, e deram a desaceleração mundial, uma coloração incomum no Brasil.

Outros países estão tentando descobrir como gerenciar bancos e dirigir crédito para onde os políticos acham que é necessário. Isso é algo, que o Brasil, fez ainda quando não era moda. É um sinal dos tempos, que uma recente nota de pesquisa da Goldman Sachs sobre o Brasil, listou como positivo o envolvimento do estado no sistema bancário. Em relação aos bancos privados, as enormes exigências de reserva e impostos sobre financiamento, que empurram o preço de seus empréstimos para cima, os desencorajam para com os ferozes riscos que causaram a queda de seus rivais na Europa e Estados Unidos. Até agora, o crédito no Brasil foi dentado, mas não triturado.

Apesar da economia ter sido poupada do pior da crise financeira, a economia está enfraquecendo. Demissões aumentaram, revertendo o crescimento de empregos na economia formal nos anos recentes. Embraer, um produtora de jatos, demitiu 20% de seus empregados dia 19 de fevereiro. Vale, uma mineradora gigante, cortou 1300 empregos e colocou 5000 outros em férias coletivas. A produção industrial em dezembro caiu 12%, a maior queda nos 17 anos registrados pela agência federal de estatíticas (IBGE).

Essa desaceleração aguda vai gerar um ano difícil. Marcelo Carvalho, um economista da Morgan Stanley, não prevê nenhum crescimento em 2009, e seu ponto de vista tem se tornado corrente rapidamente. O Brasil provavelmente sairá tão tarde da desaceleração econômica quanto demorou para entrar. Se o passado é uma indicação, sua produção industrial segue os altos e baixos das exportações da China, com o atraso de um quadrimestre.

Ainda sim, em comparação com o passado recente do Brasil, e também com o que outros países estão passando, a economia está razoavelmente em forma. O FMI prevê que somente os países em desenvolvimento da Ásia (que são mais pobres que o Brasil), Africa (idem) e o Oriente Médio, serão melhores em 2009. Dado a tendência do Brasil de ter ataques cardíacos sempre que outras economias ficam sob pressão, isso é impressionante. A crise da Argentina em 2001, e as crises asiáticas e russas de 1997-98 foram dolorosas e disruptivas para o Brasil. A hipersensibilidade do país para os caprichos da economia mundial se estica até, pelo menos, os anos 30, quando o Brasil sofreu um golpe militar durante a depressão.

A razão para sua melhora tem muito há ver com a dívida do setor público, que outrora foi um ponto fraco, mas foi reduzida abaixo de 40% do PIB. Empréstimos em moeda estrangeira foram trocados por equivalentes em real, então desvalorizações na moeda não machucam o balancente do governo. E mais importante, essa crise não está aumentando a inflação, a fraqueza congênita do Brasil. Isso em troca, permitiu ao banco central cortar taxas (fazendo o débito público mais barato de se pagar). Essa é a primeira vez que o Brasil foi capaz de executar uma política monetária “contra-cíclica”.

Mesmo assim, preocupações persistem que a prudência dos anos recentes, não vai durar. O gasto governamental cresceu tão rápido quanto a receita durante os tempos de fartura. Agora, os rendimentos estão caindo, mas não existe moderação no gasto. O consultor Raul Velloso, aponta que o gasto público tipicamente aumenta no ano anterior a eleição presidencial. Uma está marcada para 2010, o que faz da moderação agora, improvável. Como resultado, o superávit primário do orçamento (ie, antes do pagamento de juros) está destinado a secar, ou desaparecer.

Em tempos normais, isso assustaria investidores com títulos brasileiros, que enxergam o superávit primário como uma garantia que eles serão pagos. Na prática, eles vão entrar menos em pânico agora que a finanças governamentais ao redor do mundo estão mostrando o mesmo enfraquecimento, ou pior.

E o G20 de Londres?

April 3, 2009 6 comments

G20

Acompanhando as últimas notícias sobre o G20 nos jornais, deu a impressão que estávamos assistindo o desenho dos “superamigos”. É como se Londres tivesse virado a “Sala de Justiça”, reunindo os 20 mais poderosos super heróis do planeta com o objetivo de acabar com a maior crise financeira desde a grande depressão.

A diferença é que os super heróis, não tem nada de super. Até os EUA, país vencedor da guerra da fria, e conhecido em outros tempos com a única super potência do mundo, já não é mais tão super assim. O termo “super amigos” também não procede. Aliás, nas semanas antecedentes ao G20, foi um festival de gestos e acusações nada amistosas como o puxão de orelha que os chineses deram nos EUA, a reclamação dos americanos que queriam ver os europeus gastando dinheiro para estimular a economia mundial, e o Lula dizendo que os culpados pela crise são os homens brancos de olhos azuis. E para quem pensou que o Lula estaria sozinho nessa, até o Sarkozy entrou no coro, mas preferiu usar um termo mais refinado: “Anglo-Saxões”.

Completando o show de sopapos, China e Rússia também se uniram contra o dólar americano:

China on Monday added its voice to a growing international chorus seeking the replacement of the dollar as the main reserve currency, urging for an overhaul of the global monetary system to allow for wider use of Special Drawing Rights (SDRs) allocated by the International Monetary Fund (IMF).

Chinese central bank chief Zhou Xiaochuan said the SDRs, created by the IMF as international reserve assets in 1965, could be used as a super-sovereign reserve currency, eventually displacing the dollar.

His comments come a week after Russia said it would put forward a proposal for the creation of a new reserve currency issued by international financial institutions at the G20 meeting in April.

Russia said it had the broad support of its fellow BRIC countries — Brazil, India and China — as well as South Korea and South Africa for its proposal.

Tradução:

A China, nessa segunda, juntou-se ao crescente coro internacional que procura substituir o dólar como a principal moeda para reservas internacionais, pedindo uma reforma geral do sistema financeiro global que permita o uso maior do “direito especial de saque” (SDR’s) alocados pelo Fundo Monetário Internacional.

Nota: O “direito especial de saque” sería o equivalente a URV usada no Brasil pré-implementação do real.

O chefe do Banco Central Chinês Zhou Xiaochuan disse que as SDRs, que foram criadas pelo FMI como títulos de reserva internacional em 1965, poderíam ser usadas como uma moeda supra-soberana, e que viriam eventualmente a substituir o dólar.

O seu comentário vem uma semana após a Rússia dizer que vai propor a criação de uma nova moeda internacional emitida por instituições internacionais financeiras no encontro de G20 em Abril.

A Rússia diz que sua proposta tem o apoio geral de outros países que constituem as BRIC’s — Brasil, Índia e China — assim como da Coréia do Sul e e da África do Sul.

E enquanto o mundo falava do comentário do Lula em relação as “pessoas brancas de olhos azuis”, muita gente nem percebeu que na mesma coletiva, o presidente brasileiro apoiou publicamente a proposta dos russos:

“Brazilian President Luiz Inacio Lula da Silva said on Thursday that it was important to discuss a Russian proposal to replace the U.S. dollar as the international reserve currency.”

Tradução:

“O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva disse na quinta, que também era importante discutir a proposta russa para substituir o dólar como a moeda corrente de reservas internacionals”

E no que deu o G20 então?

Não foi um show dos super amigos, criando uma super resolução para uma super crise global. Também não foi uma guerra, como todas as declarações e cutucões descritos acima, deixaram a entender. Mas foi um grande passo em direção a uma mudança na atual ordem econômica mundial. Falou-se muito da quada de braço entre Barack Obama (que aliás roubou a cena com seu carisma) e os europeus liderados pelo Sarkozy e chanceler alemã Angela Merkel, mas os maiores vencedores foram as BRICs, que conseguiram exatamente o que pediram numa declaração conjunta feita no meio de Março:

March 14 (Reuters) – Issuing their first-ever communique at a G20 finance ministers’ meeting, Brazil, China, Russia and India have called for a bigger voice on international bodies — signalling their growing political resolve to influence global affairs.

9. We draw our special attention to the reform of international financial institutions. We stand for reviewing the IMF role and mandate so as to adapt it to a new global monetary and financial architecture. We emphasize the importance of a strong commitment to governance reform with a clear timetable and roadmap.

Tradução:

Março 14 (Reuters) – Emitindo o seu primeiro comunidado no encontro de ministros do G20, Brasil, China, Russia e India pedem maior voz nos orgãos internacionais — apontando sua vontade crescente de influenciar relações globais.

9. Colocamos atenção especial na reforma da instituições financeiras internacionais. Nos posicionamos para a revisão do papel e mandato do FMI para que se adapte a nova arquitetura monetária e financeira global. Enfatizamos a importancia de um forte comprometimento para reforma de governo com um plano e calendários claros.

E foi o que aconteceu, e que foi bem notado pela BBC:

The IMF is also set to have a bigger role in preventing future crises, by developing an early warning system for financial problems, and taking a larger role in looking at the problems of the financial sector as a whole, in conjunction with a new global regulator, the Financial Services Board.

But the biggest changes in the IMF will come after 2011, when it has been agreed that there will be a review of the voting structure. That could lead to the US losing its veto power, while China and other emerging countries get a bigger voice.

It has already been agreed that in future, the convention that the World Bank and IMF must be headed by an American and a European respectively will be abandoned.

In return, China will be asked to lend some of its reserves to the IMF – and will continue to push for the idea that the SDR will become a real reserve currency, ultimately replacing the dollar.

The changes to the resources and the role of the IMF are historic and perhaps the most important outcome of the G20 summit.

Tradução:

O FMI também terá um papel maior na prevenção de crises futuras, desenvolvendo um sistema de alarme para problemas financeiros, e também aumentando o seu papel na fiscalização dos problemas do setor financeiro como um todo, em conjunção com o novo regulador global, denominado Conselho de Serviços Financeiros.

Mas as maiores mudanças no FMI vão ocorrer depois de 2011, quando haverá uma revisão da estrutura de votos. Isso pode levar os EUA a perderem o seu poder de veto, enquanto países como a China e outros emergentes terão maior voz.

Também foi decidido que no futuro, a convenção que o Banco Mundial e o FMI devem ser liderados por um americano e um europeu respectivamente vai ser abandonada.

Em retribuição, a China esprestará parte de suas reservas ao FMI – e vai continuar pressionando a idéia que a SDR de torne a verdadeira moeda de reservas internacionais, substituindo o dólar.

A mundança dos recursos e papel do FMI são históricas e talvez seja o maior resultado do encontro do G20.

Quem deve estar feliz da vida, deve ser o brasileiro Caio Kock-Weser, ex-ministro das finanças da Alemanha, e que foi indicado pelos europeus em 2000 para assumir o FMI. Ele sería o primeiro brasileiro a liderar o FMI, mas foi vetado pelos americanos, mesmo tendo nacionalidade alemã.

No demais, também é bom saber que o Brasil vai emprestar dinheiro ao FMI.

O mundo está ficando de cabeça para baixo.

O Brasil na mídia internacional

March 27, 2009 5 comments

Assim como havia prometido, vou aproveitar para repassar um pouco sobre o que tem saído sobre a economia brasileira na mídia internacional. Se eu já estava bastante surpreso com o número de artigos que tem sido publicados nos últimos 18 meses, fiquei ainda mais nessas últimas 4 semanas com a visita do Lula a Washington para se encontrar com o presidente americano Barack Obama.

Ontem mesmo, quando abrí a página da CNN, já havia uma entrevista com o Lula sobre a ascenção brasileira dentro da nova ordem mundial com o respeitado jornalista Fareed Zakaria, e uma outra sobre o mesmo assunto na BBC. Também na BBC de ontem, noticiaram sobre a viagem do primeiro ministro britânico Gordon Brown ao Brasil em preparação para o G20 de Londres.

Na edição do final-de-semana, o Wall Street Journal publicou uma reportagem sobre a conferência patrocinada por eles, e que reuniu o presidente Lula e investidores estrangeiros em Nova Iorque.

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E na Newsweek da semana passada, logo após a matéria sobre a antecipação da hegemonia das BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China) na economia mundial de 2050 para 2027, devido a atual crise financeira, também publicaram outra entrevista com o Lula.

Mas acho que de tudo que tem saído, a mais interessante foi essa da Time do início do mês:

The One Country That Might Avoid Recession Is…

Now, in the middle of the worst global downturn for decades, Brazil could finally be the country of the moment. According to a recent study by the Paris-based Organization for Economic Cooperation & Development (OECD), Brazil may be the only one of 34 major economies that avoids recession in 2009. While the U.S. debates whether to nationalize its crippled banks, Brazil’s remain comparatively sound. Oil companies worldwide are slashing investment, but Brazil’s state-run Petrobras is going ahead with a four-year, $174 billion expansion plan. “Brazil,” Lula boasted to TIME, “is riding the current crisis better than many developed countries.”

To be sure, the boom — years of 5% growth and soaring exports — is over. Industrial production has plunged. Even Embraer, the aircraft maker whose jets sell to scores of airlines, and which has become a symbol of Brazil’s newfound confidence, recently announced plans to lay off 4,000 employees, almost one-fifth of its workforce. Commodity exports — soybeans, steel — are weak. The main stock market is down 25% since September. But Lula, a former shoe-shine boy who heads the leftist Workers Party (PT), has so far kept the good times from becoming a hellish bust. In Brazil, that’s nothing short of miraculous.

There may be another miracle in the making. Because unfettered capitalism is widely blamed for the global meltdown, economists and laborers alike say Brazil has become an example of what Lula likes to call “the financial strategy of the future.” By that he means a postideological approach that is equal parts wealth creation for corporations such as Embraer and wealth redistribution for underdogs like Da Silva. All this under the kind of prudent financial regulation that seems to have gone missing in the developed world of late.

Brazil still faces huge challenges; its education system is dysfunctional, its political system squalid, corruption endemic. But consider: 53% of Brazil’s 190 million people now occupy the middle class, up from 42% in 2002. This increased social mobility happened at the same time the country’s main stock index soared some 480% before last fall’s downturn.

Tradução:

Agora, no meio da pior crise global por décadas, o Brasil pode finalmente se tornar o país do momento. De acordo com um estudo recente da OECD, o Brasil pode ser o único das 34 principais economias que pode evitar uma recessão em 2009. Enquanto os EUA debatem se nacionalizam os seus bancos quebrados, o Brasil continua comparavelmente saudável. Companhias de petróleo ao redor do mundo, estão reduzindo investimentos, mas a Petrobras, que pertence ao estado, está indo adiante com um plano de expansão de 174 bilhões de dólares em 4 anos. “O Brasil”, Lula disse a Time, “está enfrentando a crise bem melhor que muitos países desenvolvidos.”

Para ter certeza, o “boom” – anos de 5% de crescimento e alta exportação – terminou. A produção industrial caiu. Até mesmo a Embraer, a fabricante que vende seus aviões para dezenas de empresas aéreas, e que virou símbolo da re-encontrada confiança brasileira, recentemente anunciou planos de cortar 4000 funcionários, quase 1/5 do seu quadro. A exportação de produtos primários – soja, ferro – enfraqueceu. A principal bolsa de valores caiu 25% desde setembro. Mas Lula, um ex-engraixate que lidera o esquerdista Partido dos Trabalhadores (PT), tem até agora evitado que o bons tempos terminem numa falência infernal. No Brasil, isso não é menos que milagre.

Deve ter outro milagre a caminho. Por que o capitalismo descarrilhado tem sido amplamente culpado pela crise global, economistas e trabalhadores dizem que o Brasil se tornou um exemplo do que o Lula gosta de chamar “estratégia financeira do futuro.” No que ele diz ser uma abordagem pós-ideológica que é definida pela igual geração de riqueza para empresas como a Embraer, e distruibuição de riqueza para os menos abastados como Da Silva. Tudo isso debaixo de um sistema regulatório prudente que deixou de existir no mundo desenvolvido de uns tempos para cá.

O Brasil ainda enfrenta desafios enormes; seu sistema educacional é disfuncional; o sistema político imoral; a corrupção é endêmica. Mas leve em consideração: 53% dos 190 milhões de brasileiros agora ocupam a classe média, acima dos 42% em 2002. Esse aumento na mobilidade social aconteceu no mesmo momento que a principal bolsa do país subiu cerca de 480% antes da crise no outono passado.

Lógico de umas semanas para cá muita coisa mudou. Está mais do que claro que o Brasil vai sofrer os efeitos da crise, e todas as indústrias que dependem de exportação vão sofrer, cortar funcionários e muitas podem até fechar as portas. Mas se o Brasil crescer os 0.25% esperados ou mesmo ficar no 0% já vai estar no lucro. O importante é não deixar o impacto do declínio econômico no resto do mundo se espalhar para dentro do mercado interno.

Outra coisa que se nota muito na mídia internacional, é uma certa admiração pela figura do Lula. Mas o erro nessas análises, é não colocar a devida ênfase que a situação atual no Brasil não é resultado da ação de um indivíduo ou partido. Mas sim de um trabalho que começou em 1994 com a estabilização da economia na época do FHC. O grande mérito do Lula, ao meu ver, foi ter mantido as mesmas políticas econômicas, e aproveitado o crescimento para investir em alguns programas sociais. Isso colocando tudo numa visão macro, já que os escândalos de corrupção no primeiro mandato do Lula, que deveriam ser melhor apurados, foram ofuscados pela boa performance econômica do país.

Mas ao menos, o FHC não foi tão esquecido tanto na Time:

Lula’s predecessor, Fernando Henrique Cardoso, was the first President to recognize that change was needed. He restored fiscal sanity by slaying hyperinflation, but his attempts at social reform were timid.

Tradução:

O predecessor do Lula, Fernando Henrique Cardoso, foi o primeiro presidente a reconhecer que mudar era preciso. Ele restaurou a sanidade fiscal acabando com a hiperinflação, mas suas tentativas de reforma social foram tímidas.

Quanto no Wall Street Journal:

Once renowned for its periodic hyperinflationary bouts, Brazil now enjoys relative price stability, and Mr. da Silva, who adopted former President Fernando Henrique Cardoso’s anti-inflation stance, deserves credit.

Tradução:

Uma vez reconhecido por seus breves períodos de hiperinflação, o Brasil agora goza de relativa estabilidade de preços, e o Sr. da Silva, que adotou a mesma política anti-inflação do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, [também] merece crédito.

China, Estados Unidos e o começo de uma nova era

March 21, 2009 6 comments

chinausa

Nas últimas semanas, acho que uma das notícias que mais me chamou a atenção foi a visita da Hillary Clinton a China. Pela presença do secretário do tesouro Tim Geithner na comitiva, ficou bem claro que não sería uma visita de cortesia, e como um jornalista da Bloomberg colocou:

Hillary Clinton’s visit to China last month dramatized the point. She didn’t exactly arrive with her hat in her hand, yet it was surreal to see the U.S. secretary of State hawking bonds.

Tradução:

A visita de Hillary Clinton a China no mês passado, demonstrou o ponto. Ela não chegou exatamente com o chapéu na mão, mesmo assim foi “surreal” ver a secretária de estado dos EUA, vendendo títulos de dívida.

E para completar o cenário. Na semana passada, em entrevista coletiva, o premier chinês solta a seguinte declaração:

“We have lent a huge amount of money to the United States…Of course we are concerned about the safety of our assets. To be honest, I am a little bit worried. I request the US to maintain its good credit, to honor its promises and to guarantee the safety of China’s assets.”

Tradução:

“Nós emprestamos uma quantia enorme de dinheiro aos EUA… É claro que estamos inquietos sobre a segurança do nosso investimento. Para ser honesto, eu estou um pouco preocupado. Eu peço aos EUA que mantenham seu bom crédito, afim de honrar com sua promessas e garantir a segurança do nosso investimento”

Adaptando as palavras do Peter Hartcher do SMH: “A China aperta, e os EUA recebem um duro recado”.

Há muito se fala da mudança no balanço de poder internacional. Mas no momento que os EUA tem que pedír dinheiro não só para a China, mas também deve para outros países como o Brasil, começa a ficar claro que esse processo já começou.

E para quem não sabe. É verdade. O Brasil é hoje o 5o maior credor dos EUA. De acordo com Departamento do Tesouro Americano, eles devem ao Brasil, cerca de 133 bilhões de dólares.

Aliás, há um pouco mais de um ano, para quem não lembra, o Brasil deixou de ser devedor para se tornar credor líquido de dívida externa. Ou seja, o valor de suas reservas internacionais supera o valor de sua dívida externa.

Em termos de reservas internacionais, o Brasil é o 7o país, tem cerca de 200 bilhões no caixa, e praticamente dobrou o valor que tinha em 2007.

Além de todas as notícias em relação a China e EUA, outra que chamou a atenção em termos da nova ordem econômica mundial, foi a do Financial Times, que publicou um documento secreto do governo britânico que divide o G20 em duas classes prioritárias. A primeira contém EUA, China, Japão, Alemanha, França, Itália, Índia, Brasil, Arábia Saudita, Coréia do Sul e África do Sul. E relegados ao segundo grupo: Russia, Australia, Canadá, Argentina, México, Indonésia, e Turquia.

Pelo movimento de diplomatas, declarações feitas para mídia, e visitas de chefes de estado; a reunião do G20 marcada para Abril já começou.

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