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O elogio do atraso
Devo admitir que depois do episódio do Santos-Dumont, de vez em quando, entro na página do Diogo Mainardi. Se o objetivo era dar ibope, ele está de parabéns. Acabou ganhando um leitor quase assíduo.
Numa dessas minhas visitas, acabei por ler, um texto que ele analisa uma reportagem publicada pela revista The Economist, que eu havia lido um tempo atrás, e rapassado através de um comentário deixado em outro blog.
Eu não vou comentar a análise do Mainardi, mas quero colocar o link original aqui para quem tíver a curiosidade de ler direto da fonte, sem intermediários. E também vou colocar uma tradução para aqueles que ainda estão estudando o idioma:
Colhendo os frutos da indolênciaAlguns aspectos não reformados da economia do Brasil, estão agora ajudando a limitar o estrago da desaceleração mundial – mas a sua prudência em anos recentes, está ajudando também.
Qualquer lista das coisas que seguravam a economia do Brasil até recentemente, incluiria a influência arbitrária do estado no setor financeiro. O governo controla o Banco do Brasil, um gigantesco banco comercial, e a Caixa Econômica, a maior financiadora de imóveis, mais o BNDES, um grande banco de desenvolvimento que provém crédito barato a empresas favorecidas. E mesmo sob circunstancias diferentes, tais políticas lamentáveis, repentinamente parecem previdentes, e deram a desaceleração mundial, uma coloração incomum no Brasil.
Outros países estão tentando descobrir como gerenciar bancos e dirigir crédito para onde os políticos acham que é necessário. Isso é algo, que o Brasil, fez ainda quando não era moda. É um sinal dos tempos, que uma recente nota de pesquisa da Goldman Sachs sobre o Brasil, listou como positivo o envolvimento do estado no sistema bancário. Em relação aos bancos privados, as enormes exigências de reserva e impostos sobre financiamento, que empurram o preço de seus empréstimos para cima, os desencorajam para com os ferozes riscos que causaram a queda de seus rivais na Europa e Estados Unidos. Até agora, o crédito no Brasil foi dentado, mas não triturado.
Apesar da economia ter sido poupada do pior da crise financeira, a economia está enfraquecendo. Demissões aumentaram, revertendo o crescimento de empregos na economia formal nos anos recentes. Embraer, um produtora de jatos, demitiu 20% de seus empregados dia 19 de fevereiro. Vale, uma mineradora gigante, cortou 1300 empregos e colocou 5000 outros em férias coletivas. A produção industrial em dezembro caiu 12%, a maior queda nos 17 anos registrados pela agência federal de estatíticas (IBGE).
Essa desaceleração aguda vai gerar um ano difícil. Marcelo Carvalho, um economista da Morgan Stanley, não prevê nenhum crescimento em 2009, e seu ponto de vista tem se tornado corrente rapidamente. O Brasil provavelmente sairá tão tarde da desaceleração econômica quanto demorou para entrar. Se o passado é uma indicação, sua produção industrial segue os altos e baixos das exportações da China, com o atraso de um quadrimestre.
Ainda sim, em comparação com o passado recente do Brasil, e também com o que outros países estão passando, a economia está razoavelmente em forma. O FMI prevê que somente os países em desenvolvimento da Ásia (que são mais pobres que o Brasil), Africa (idem) e o Oriente Médio, serão melhores em 2009. Dado a tendência do Brasil de ter ataques cardíacos sempre que outras economias ficam sob pressão, isso é impressionante. A crise da Argentina em 2001, e as crises asiáticas e russas de 1997-98 foram dolorosas e disruptivas para o Brasil. A hipersensibilidade do país para os caprichos da economia mundial se estica até, pelo menos, os anos 30, quando o Brasil sofreu um golpe militar durante a depressão.
A razão para sua melhora tem muito há ver com a dívida do setor público, que outrora foi um ponto fraco, mas foi reduzida abaixo de 40% do PIB. Empréstimos em moeda estrangeira foram trocados por equivalentes em real, então desvalorizações na moeda não machucam o balancente do governo. E mais importante, essa crise não está aumentando a inflação, a fraqueza congênita do Brasil. Isso em troca, permitiu ao banco central cortar taxas (fazendo o débito público mais barato de se pagar). Essa é a primeira vez que o Brasil foi capaz de executar uma política monetária “contra-cíclica”.
Mesmo assim, preocupações persistem que a prudência dos anos recentes, não vai durar. O gasto governamental cresceu tão rápido quanto a receita durante os tempos de fartura. Agora, os rendimentos estão caindo, mas não existe moderação no gasto. O consultor Raul Velloso, aponta que o gasto público tipicamente aumenta no ano anterior a eleição presidencial. Uma está marcada para 2010, o que faz da moderação agora, improvável. Como resultado, o superávit primário do orçamento (ie, antes do pagamento de juros) está destinado a secar, ou desaparecer.
Em tempos normais, isso assustaria investidores com títulos brasileiros, que enxergam o superávit primário como uma garantia que eles serão pagos. Na prática, eles vão entrar menos em pânico agora que a finanças governamentais ao redor do mundo estão mostrando o mesmo enfraquecimento, ou pior.
Diogo Mainardi, Santos Dumont e a inteligência brasileira
Essa semana, através do blog do Rogério a.k.a Jerry, lí um texto que o Diogo Mainardi escreveu para a Veja. Amizades a parte, tíve que discordar de muito do que foi dito.
Acho que existem muitas coisas no Brasil, que devem ser ridicularizadas. Mas nesse texto, acho que quem representou mais a tal inteligência brasileira, foi o próprio Mainardi. Como um cara desse, que tem um espaço precioso na mídia brasileira, conseguiu ignorar e distorcer tantos fatos?
Como alguém escreveu na página do Paulo Henrique Amorin, isso foi um verdadeiro “estelionato intelectual”.
Eu achava que depois de perceber o tamanho da besteira que escreveu, o Mainardi fosse pedir desculpas, e explicar que ele quiz dizer uma coisa, e o artigo não iria chamar tanto a atenção se ele não usasse o nome do Santos Dumont.
Mas não. Logo em seguida, depois de todas a críticas. Ele mais uma vez ousa zombar da verdadeira inteligência brasileira, e diz que a versão dos fatos é invenção do sobrinho do Santos Dumont.
Já que ele acha que só os estrangeiros tem alguma inteligência, ele deveria ver o documentário da PBS que eu postei no YouTube. Ou vai dizer que até os experts americanos estão mentindo?
Esse documentário é baseado no livro escrito pelo americano Paul Hoffman, chamado Wings of Madness: Alberto Santos-Dumont and the Invention of Flight. Hoffman além de jornalista e biógrafo, é membro da Academia Americana de Artes e Ciências, foi presidente e editor da Enciclopédia Britannica, consultor da NASA, National Science Foundation, National Academy of Engineering, e American Association for the Advancement of Science. Para não dizer que já apareceu inúmeras vezes na CNN, BBC, NPR News, CBS e outras emissoras.
Num dos reviews do seu livro, até dizem:
“When Hollywood gets its mitts on…Hoffman’s riveting biography of…Santos-Dumont (1873-1932)—a man who would fly to dinner from his Paris apartment via his own personal dirigible, who won H.G. Wells and Jules Verne’s admiration, who hosted dinner parties featuring impossibly tall chairs and tables to simulate dining in midair—it should make for an amazing flick.” —Book Magazine
Tradução:
Quando Hollywood colocar suas luvas (em Português sería o equivalente “arregaçar as mangas”) para pegar… a fascinante biografia de Santos Dumont (1873-1932) – um homem que voaria para seu apartamento em Paris para jantar, e que ganhou a admiração de H.G. Wells e Júlio Verne, e que oferecia jantares em mesas e cadeiras de alturas impossíveis para simular um jantar no céu – vai dar num filme espantoso.
Diogo Mainardi, o que eu tenho a dizer sobre o que é ridículo é o seguinte:
Ridículo é ser a 8a economia do mundo, ter tecnologia e inteligência para fazer avião, helicóptero, submarino, e carro; ser o país mais avançado em produção do ethanol (álcool), ter energia nuclear, petróleo, ser potência na agricultura, ter o maior rebanho bovino do mundo… E mesmo assim ter gente passando fome, morando na favela e etc.
Gente passando fome, crime, violência, corrupção, favelas é resultado de desigualdade social, falta de distribuição de renda e investimento em educação.
Mas se o Brasil já é a 8a economia do mundo do jeito que está. Imagina se não tivesse desigualdade social, e os mais pobres tivessem acesso a educação?
PS. Para ajudar, acabei de colocar as legendas no YouTube. Se alguém quiser usar, tem que usar o botão do canto direito para habilitar.
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