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Diogo Mainardi, Santos Dumont e a inteligência brasileira
Essa semana, através do blog do Rogério a.k.a Jerry, lí um texto que o Diogo Mainardi escreveu para a Veja. Amizades a parte, tíve que discordar de muito do que foi dito.
Acho que existem muitas coisas no Brasil, que devem ser ridicularizadas. Mas nesse texto, acho que quem representou mais a tal inteligência brasileira, foi o próprio Mainardi. Como um cara desse, que tem um espaço precioso na mídia brasileira, conseguiu ignorar e distorcer tantos fatos?
Como alguém escreveu na página do Paulo Henrique Amorin, isso foi um verdadeiro “estelionato intelectual”.
Eu achava que depois de perceber o tamanho da besteira que escreveu, o Mainardi fosse pedir desculpas, e explicar que ele quiz dizer uma coisa, e o artigo não iria chamar tanto a atenção se ele não usasse o nome do Santos Dumont.
Mas não. Logo em seguida, depois de todas a críticas. Ele mais uma vez ousa zombar da verdadeira inteligência brasileira, e diz que a versão dos fatos é invenção do sobrinho do Santos Dumont.
Já que ele acha que só os estrangeiros tem alguma inteligência, ele deveria ver o documentário da PBS que eu postei no YouTube. Ou vai dizer que até os experts americanos estão mentindo?
Esse documentário é baseado no livro escrito pelo americano Paul Hoffman, chamado Wings of Madness: Alberto Santos-Dumont and the Invention of Flight. Hoffman além de jornalista e biógrafo, é membro da Academia Americana de Artes e Ciências, foi presidente e editor da Enciclopédia Britannica, consultor da NASA, National Science Foundation, National Academy of Engineering, e American Association for the Advancement of Science. Para não dizer que já apareceu inúmeras vezes na CNN, BBC, NPR News, CBS e outras emissoras.
Num dos reviews do seu livro, até dizem:
“When Hollywood gets its mitts on…Hoffman’s riveting biography of…Santos-Dumont (1873-1932)—a man who would fly to dinner from his Paris apartment via his own personal dirigible, who won H.G. Wells and Jules Verne’s admiration, who hosted dinner parties featuring impossibly tall chairs and tables to simulate dining in midair—it should make for an amazing flick.” —Book Magazine
Tradução:
Quando Hollywood colocar suas luvas (em Português sería o equivalente “arregaçar as mangas”) para pegar… a fascinante biografia de Santos Dumont (1873-1932) – um homem que voaria para seu apartamento em Paris para jantar, e que ganhou a admiração de H.G. Wells e Júlio Verne, e que oferecia jantares em mesas e cadeiras de alturas impossíveis para simular um jantar no céu – vai dar num filme espantoso.
Diogo Mainardi, o que eu tenho a dizer sobre o que é ridículo é o seguinte:
Ridículo é ser a 8a economia do mundo, ter tecnologia e inteligência para fazer avião, helicóptero, submarino, e carro; ser o país mais avançado em produção do ethanol (álcool), ter energia nuclear, petróleo, ser potência na agricultura, ter o maior rebanho bovino do mundo… E mesmo assim ter gente passando fome, morando na favela e etc.
Gente passando fome, crime, violência, corrupção, favelas é resultado de desigualdade social, falta de distribuição de renda e investimento em educação.
Mas se o Brasil já é a 8a economia do mundo do jeito que está. Imagina se não tivesse desigualdade social, e os mais pobres tivessem acesso a educação?
PS. Para ajudar, acabei de colocar as legendas no YouTube. Se alguém quiser usar, tem que usar o botão do canto direito para habilitar.
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