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Quando que o Brasil vai entrar no piloto automatico?

October 6, 2010 12 comments

Moro há 4,5 anos na Australia e este ano votei pela primeira vez aqui na ultimas eleicoes federais para membro do parlamento e senador.

Acostumado com varias eleicoes no Brasil e a sofisticacao e complexidade do sistema brasileiro fiquei impressionado com o sistema Australiano. Nao porque aqui seja um sistema ultra informatizado como no Brasil, onde o resultado das eleicoes de 136milhoes de eleitores sai em 6 horas, mas porque apesar da votacao ser precaria o sistema aqui esta em piloto automatico. Alias o pais todo.

Minha definicao de sistema em piloto automatico é que nao importa quem vai ganhar as eleicoes a vida continua normal, o pais sempre melhorando independente do governo.

Aqui os dois maiores partidos: O Liberal e o Labor alternam o poder há 110 anos. É mais ou menos 8 a 12 anos que cada partido fica no poder. O sistema de voto é distrital, que é o sistema defendido por FHC, um parlamentarista convicto, mas que sem sucesso nao conseguiu aprovar, assim como a reforma tributária, politica etc e etc. Vai saber porque?

No sistema parlamentarista distrital o pais é dividido em distritos exatamente iguais no numero de populacao. Aqui na Australia é cerca de 100mil habitantes. Como sao 226 deputados e a populacao é de 22,6 milhoes é aproximadamente isto. Entao aqui todo voto tem o mesmo peso. Nao é como em certos paises onde um voto em um estado vale 5x o do outro. O Balanco do poder fica no Senado onde todos os estados tem o mesmo numero de senadores, 76 ao todo aqui na Australia. Continha rapida da 12 por estado.

Entao, se no Brasil adotasse o sistema distrital o Tiririca NUNCA teria tido 1,3 milhoes de votos. No maximo teria 100mil, caso conseguisse 100% dos votos em seu distrito.

As vantagens do sistema distrital sao muitas. Como impedir de dar vantagem pra quem tem mais dinheiro para angariar votos em outras regioes. O voto distrital permite mais proximidade e afinidade do candidato com os moradores da regiao. Eu por exemplo ja encontrei o meu MP (deputado) no cinema no sabado a noite, no supermercado comprando fruta no domingo a tarde e quando eu quiser, se for chato o suficiente, marco uma audiencia no seu gabinete, quando estiver aqui em Adelaide. A principal vantagem é a cobrança. Como ele mora aqui do lado eu tem muito mais acesso.

Agora e o Tiririca que teve 1,3 milhoes de votos. Tipo eleitor no Vale do Carapicuiba, um de Santos e um em Santo Anastacio votaram nele.

Se ele gastar 1 min com cada eleitor, considerando que o dia tem 8 horas uteis, vai demorar 7,4 anos pra falar 1 min com cada mane que votou nele. Detalhe que o mandato é de 4 anos e tem horario de sessao na camara etc. Enfim, o sistema no Brasil é burro e ainda nao mudou porque tem gente que tem interesse em mante-lo burro. Deve ser os eleitores do Tiririca. So pode ser.

Agora num sistema como o Australiano é como se o pais estivesse no piloto automatico. A gota d’gua foi quando fui votar eu percebi que poderia votar em QUALQUEL sessao do meu distrito no dia da eleição. Se soubesse que iria viajar no dia poderia votar pelo correio ou antecipado, ou ate votar em transito se necessario. Ja no Brasil porque sou OBRIGADO a votar na minha sessao eu nao voto há 6 anos, devido a ter parente em outra cidade e gostar de visitar eles no dia da eleicao e agora morando na Australia nem se fala. Falando em não poder votar teve 26 milhoes de abstencoes nesta eleicao, Mais do que todos os votos da Marina… a candidata dos que ainda acham que polica é lugar de gente que nao só quer ganhar a eleiçao.

E eu estou tentando entrar em contato com a embaixada em Canberra, mas quando recebi a resposta já era tarde demais pra transferir o titulo…

Voltando ao dia da votacao na Australia….escolhi um lugar bem pertinho de casa quando cheguei na sessao ninguem pediu nenhum documento, so dei meu nome o fulano checou e me deu 2 cedulas, uma para senador e uma pra deputado. Quando cheguei na cabine fiquei procurando a caneta. CANETA? Cade a caneta? Caneta que nada o negocio é a LAPIS!!! Enfim votei e fui feliz da vida curtir o meu Sabado ensolarado aqui na Wonderland. Piloto Automatico? Bota automatico nisso.

No Brasil parece que sempre quando tem eleicao o fim do mundo esta próximo. Quando o Lula estava pra ganhar para presidente em 1989 a “classe alta” so falava em mudar pros EUA. O MST ia invadir nao so as fazendas como as casas e as escolas particulares.

Entao pra se livrar do Lula escolhemos o Collor… mico? Micao! Ai veio Itamar, que alias foi quem implementou o plano real, dancou com a Lilian Ramos e reinventou o fusca.

Finalmente veio um EX-COMUNISTA  o FHC. Pra nao engolir o Lula vai esse mesmo.

Depois FHC2 (capitalista bombando)  e finalmente o Lula, conheco um monte de “capitalista” que votou no Sapo Barbudo. Ai que medo do Lula!!!! o mundo vai acabar … AGORA ACABA!!! o dolar foi a 4 reais o spread dos C-Bonds em 1000 pontos!!! Gente o Lula ganhou… e hoje… o mundo acabou?

Depois de 8 anos o Brasil é um pais mais rico, menos desigual. E mesmo com um presidente semi-analfabeto o pais cresce a 7% ao ano. O Brasil é a bola da vez. Ganhou não so a sede da Copa, mas também das Olimpiadas. So pode ser piada…

Será que estamos comecando a estrar no piloto automático no Brasil?

E a se a Dilma ganhar?

Ai FERROU.

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E o G20 de Londres?

April 3, 2009 6 comments

G20

Acompanhando as últimas notícias sobre o G20 nos jornais, deu a impressão que estávamos assistindo o desenho dos “superamigos”. É como se Londres tivesse virado a “Sala de Justiça”, reunindo os 20 mais poderosos super heróis do planeta com o objetivo de acabar com a maior crise financeira desde a grande depressão.

A diferença é que os super heróis, não tem nada de super. Até os EUA, país vencedor da guerra da fria, e conhecido em outros tempos com a única super potência do mundo, já não é mais tão super assim. O termo “super amigos” também não procede. Aliás, nas semanas antecedentes ao G20, foi um festival de gestos e acusações nada amistosas como o puxão de orelha que os chineses deram nos EUA, a reclamação dos americanos que queriam ver os europeus gastando dinheiro para estimular a economia mundial, e o Lula dizendo que os culpados pela crise são os homens brancos de olhos azuis. E para quem pensou que o Lula estaria sozinho nessa, até o Sarkozy entrou no coro, mas preferiu usar um termo mais refinado: “Anglo-Saxões”.

Completando o show de sopapos, China e Rússia também se uniram contra o dólar americano:

China on Monday added its voice to a growing international chorus seeking the replacement of the dollar as the main reserve currency, urging for an overhaul of the global monetary system to allow for wider use of Special Drawing Rights (SDRs) allocated by the International Monetary Fund (IMF).

Chinese central bank chief Zhou Xiaochuan said the SDRs, created by the IMF as international reserve assets in 1965, could be used as a super-sovereign reserve currency, eventually displacing the dollar.

His comments come a week after Russia said it would put forward a proposal for the creation of a new reserve currency issued by international financial institutions at the G20 meeting in April.

Russia said it had the broad support of its fellow BRIC countries — Brazil, India and China — as well as South Korea and South Africa for its proposal.

Tradução:

A China, nessa segunda, juntou-se ao crescente coro internacional que procura substituir o dólar como a principal moeda para reservas internacionais, pedindo uma reforma geral do sistema financeiro global que permita o uso maior do “direito especial de saque” (SDR’s) alocados pelo Fundo Monetário Internacional.

Nota: O “direito especial de saque” sería o equivalente a URV usada no Brasil pré-implementação do real.

O chefe do Banco Central Chinês Zhou Xiaochuan disse que as SDRs, que foram criadas pelo FMI como títulos de reserva internacional em 1965, poderíam ser usadas como uma moeda supra-soberana, e que viriam eventualmente a substituir o dólar.

O seu comentário vem uma semana após a Rússia dizer que vai propor a criação de uma nova moeda internacional emitida por instituições internacionais financeiras no encontro de G20 em Abril.

A Rússia diz que sua proposta tem o apoio geral de outros países que constituem as BRIC’s — Brasil, Índia e China — assim como da Coréia do Sul e e da África do Sul.

E enquanto o mundo falava do comentário do Lula em relação as “pessoas brancas de olhos azuis”, muita gente nem percebeu que na mesma coletiva, o presidente brasileiro apoiou publicamente a proposta dos russos:

“Brazilian President Luiz Inacio Lula da Silva said on Thursday that it was important to discuss a Russian proposal to replace the U.S. dollar as the international reserve currency.”

Tradução:

“O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva disse na quinta, que também era importante discutir a proposta russa para substituir o dólar como a moeda corrente de reservas internacionals”

E no que deu o G20 então?

Não foi um show dos super amigos, criando uma super resolução para uma super crise global. Também não foi uma guerra, como todas as declarações e cutucões descritos acima, deixaram a entender. Mas foi um grande passo em direção a uma mudança na atual ordem econômica mundial. Falou-se muito da quada de braço entre Barack Obama (que aliás roubou a cena com seu carisma) e os europeus liderados pelo Sarkozy e chanceler alemã Angela Merkel, mas os maiores vencedores foram as BRICs, que conseguiram exatamente o que pediram numa declaração conjunta feita no meio de Março:

March 14 (Reuters) – Issuing their first-ever communique at a G20 finance ministers’ meeting, Brazil, China, Russia and India have called for a bigger voice on international bodies — signalling their growing political resolve to influence global affairs.

9. We draw our special attention to the reform of international financial institutions. We stand for reviewing the IMF role and mandate so as to adapt it to a new global monetary and financial architecture. We emphasize the importance of a strong commitment to governance reform with a clear timetable and roadmap.

Tradução:

Março 14 (Reuters) – Emitindo o seu primeiro comunidado no encontro de ministros do G20, Brasil, China, Russia e India pedem maior voz nos orgãos internacionais — apontando sua vontade crescente de influenciar relações globais.

9. Colocamos atenção especial na reforma da instituições financeiras internacionais. Nos posicionamos para a revisão do papel e mandato do FMI para que se adapte a nova arquitetura monetária e financeira global. Enfatizamos a importancia de um forte comprometimento para reforma de governo com um plano e calendários claros.

E foi o que aconteceu, e que foi bem notado pela BBC:

The IMF is also set to have a bigger role in preventing future crises, by developing an early warning system for financial problems, and taking a larger role in looking at the problems of the financial sector as a whole, in conjunction with a new global regulator, the Financial Services Board.

But the biggest changes in the IMF will come after 2011, when it has been agreed that there will be a review of the voting structure. That could lead to the US losing its veto power, while China and other emerging countries get a bigger voice.

It has already been agreed that in future, the convention that the World Bank and IMF must be headed by an American and a European respectively will be abandoned.

In return, China will be asked to lend some of its reserves to the IMF – and will continue to push for the idea that the SDR will become a real reserve currency, ultimately replacing the dollar.

The changes to the resources and the role of the IMF are historic and perhaps the most important outcome of the G20 summit.

Tradução:

O FMI também terá um papel maior na prevenção de crises futuras, desenvolvendo um sistema de alarme para problemas financeiros, e também aumentando o seu papel na fiscalização dos problemas do setor financeiro como um todo, em conjunção com o novo regulador global, denominado Conselho de Serviços Financeiros.

Mas as maiores mudanças no FMI vão ocorrer depois de 2011, quando haverá uma revisão da estrutura de votos. Isso pode levar os EUA a perderem o seu poder de veto, enquanto países como a China e outros emergentes terão maior voz.

Também foi decidido que no futuro, a convenção que o Banco Mundial e o FMI devem ser liderados por um americano e um europeu respectivamente vai ser abandonada.

Em retribuição, a China esprestará parte de suas reservas ao FMI – e vai continuar pressionando a idéia que a SDR de torne a verdadeira moeda de reservas internacionais, substituindo o dólar.

A mundança dos recursos e papel do FMI são históricas e talvez seja o maior resultado do encontro do G20.

Quem deve estar feliz da vida, deve ser o brasileiro Caio Kock-Weser, ex-ministro das finanças da Alemanha, e que foi indicado pelos europeus em 2000 para assumir o FMI. Ele sería o primeiro brasileiro a liderar o FMI, mas foi vetado pelos americanos, mesmo tendo nacionalidade alemã.

No demais, também é bom saber que o Brasil vai emprestar dinheiro ao FMI.

O mundo está ficando de cabeça para baixo.

O Brasil na mídia internacional

March 27, 2009 5 comments

Assim como havia prometido, vou aproveitar para repassar um pouco sobre o que tem saído sobre a economia brasileira na mídia internacional. Se eu já estava bastante surpreso com o número de artigos que tem sido publicados nos últimos 18 meses, fiquei ainda mais nessas últimas 4 semanas com a visita do Lula a Washington para se encontrar com o presidente americano Barack Obama.

Ontem mesmo, quando abrí a página da CNN, já havia uma entrevista com o Lula sobre a ascenção brasileira dentro da nova ordem mundial com o respeitado jornalista Fareed Zakaria, e uma outra sobre o mesmo assunto na BBC. Também na BBC de ontem, noticiaram sobre a viagem do primeiro ministro britânico Gordon Brown ao Brasil em preparação para o G20 de Londres.

Na edição do final-de-semana, o Wall Street Journal publicou uma reportagem sobre a conferência patrocinada por eles, e que reuniu o presidente Lula e investidores estrangeiros em Nova Iorque.

more about “Lula Wall Street Journal“, posted with vodpod

E na Newsweek da semana passada, logo após a matéria sobre a antecipação da hegemonia das BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China) na economia mundial de 2050 para 2027, devido a atual crise financeira, também publicaram outra entrevista com o Lula.

Mas acho que de tudo que tem saído, a mais interessante foi essa da Time do início do mês:

The One Country That Might Avoid Recession Is…

Now, in the middle of the worst global downturn for decades, Brazil could finally be the country of the moment. According to a recent study by the Paris-based Organization for Economic Cooperation & Development (OECD), Brazil may be the only one of 34 major economies that avoids recession in 2009. While the U.S. debates whether to nationalize its crippled banks, Brazil’s remain comparatively sound. Oil companies worldwide are slashing investment, but Brazil’s state-run Petrobras is going ahead with a four-year, $174 billion expansion plan. “Brazil,” Lula boasted to TIME, “is riding the current crisis better than many developed countries.”

To be sure, the boom — years of 5% growth and soaring exports — is over. Industrial production has plunged. Even Embraer, the aircraft maker whose jets sell to scores of airlines, and which has become a symbol of Brazil’s newfound confidence, recently announced plans to lay off 4,000 employees, almost one-fifth of its workforce. Commodity exports — soybeans, steel — are weak. The main stock market is down 25% since September. But Lula, a former shoe-shine boy who heads the leftist Workers Party (PT), has so far kept the good times from becoming a hellish bust. In Brazil, that’s nothing short of miraculous.

There may be another miracle in the making. Because unfettered capitalism is widely blamed for the global meltdown, economists and laborers alike say Brazil has become an example of what Lula likes to call “the financial strategy of the future.” By that he means a postideological approach that is equal parts wealth creation for corporations such as Embraer and wealth redistribution for underdogs like Da Silva. All this under the kind of prudent financial regulation that seems to have gone missing in the developed world of late.

Brazil still faces huge challenges; its education system is dysfunctional, its political system squalid, corruption endemic. But consider: 53% of Brazil’s 190 million people now occupy the middle class, up from 42% in 2002. This increased social mobility happened at the same time the country’s main stock index soared some 480% before last fall’s downturn.

Tradução:

Agora, no meio da pior crise global por décadas, o Brasil pode finalmente se tornar o país do momento. De acordo com um estudo recente da OECD, o Brasil pode ser o único das 34 principais economias que pode evitar uma recessão em 2009. Enquanto os EUA debatem se nacionalizam os seus bancos quebrados, o Brasil continua comparavelmente saudável. Companhias de petróleo ao redor do mundo, estão reduzindo investimentos, mas a Petrobras, que pertence ao estado, está indo adiante com um plano de expansão de 174 bilhões de dólares em 4 anos. “O Brasil”, Lula disse a Time, “está enfrentando a crise bem melhor que muitos países desenvolvidos.”

Para ter certeza, o “boom” – anos de 5% de crescimento e alta exportação – terminou. A produção industrial caiu. Até mesmo a Embraer, a fabricante que vende seus aviões para dezenas de empresas aéreas, e que virou símbolo da re-encontrada confiança brasileira, recentemente anunciou planos de cortar 4000 funcionários, quase 1/5 do seu quadro. A exportação de produtos primários – soja, ferro – enfraqueceu. A principal bolsa de valores caiu 25% desde setembro. Mas Lula, um ex-engraixate que lidera o esquerdista Partido dos Trabalhadores (PT), tem até agora evitado que o bons tempos terminem numa falência infernal. No Brasil, isso não é menos que milagre.

Deve ter outro milagre a caminho. Por que o capitalismo descarrilhado tem sido amplamente culpado pela crise global, economistas e trabalhadores dizem que o Brasil se tornou um exemplo do que o Lula gosta de chamar “estratégia financeira do futuro.” No que ele diz ser uma abordagem pós-ideológica que é definida pela igual geração de riqueza para empresas como a Embraer, e distruibuição de riqueza para os menos abastados como Da Silva. Tudo isso debaixo de um sistema regulatório prudente que deixou de existir no mundo desenvolvido de uns tempos para cá.

O Brasil ainda enfrenta desafios enormes; seu sistema educacional é disfuncional; o sistema político imoral; a corrupção é endêmica. Mas leve em consideração: 53% dos 190 milhões de brasileiros agora ocupam a classe média, acima dos 42% em 2002. Esse aumento na mobilidade social aconteceu no mesmo momento que a principal bolsa do país subiu cerca de 480% antes da crise no outono passado.

Lógico de umas semanas para cá muita coisa mudou. Está mais do que claro que o Brasil vai sofrer os efeitos da crise, e todas as indústrias que dependem de exportação vão sofrer, cortar funcionários e muitas podem até fechar as portas. Mas se o Brasil crescer os 0.25% esperados ou mesmo ficar no 0% já vai estar no lucro. O importante é não deixar o impacto do declínio econômico no resto do mundo se espalhar para dentro do mercado interno.

Outra coisa que se nota muito na mídia internacional, é uma certa admiração pela figura do Lula. Mas o erro nessas análises, é não colocar a devida ênfase que a situação atual no Brasil não é resultado da ação de um indivíduo ou partido. Mas sim de um trabalho que começou em 1994 com a estabilização da economia na época do FHC. O grande mérito do Lula, ao meu ver, foi ter mantido as mesmas políticas econômicas, e aproveitado o crescimento para investir em alguns programas sociais. Isso colocando tudo numa visão macro, já que os escândalos de corrupção no primeiro mandato do Lula, que deveriam ser melhor apurados, foram ofuscados pela boa performance econômica do país.

Mas ao menos, o FHC não foi tão esquecido tanto na Time:

Lula’s predecessor, Fernando Henrique Cardoso, was the first President to recognize that change was needed. He restored fiscal sanity by slaying hyperinflation, but his attempts at social reform were timid.

Tradução:

O predecessor do Lula, Fernando Henrique Cardoso, foi o primeiro presidente a reconhecer que mudar era preciso. Ele restaurou a sanidade fiscal acabando com a hiperinflação, mas suas tentativas de reforma social foram tímidas.

Quanto no Wall Street Journal:

Once renowned for its periodic hyperinflationary bouts, Brazil now enjoys relative price stability, and Mr. da Silva, who adopted former President Fernando Henrique Cardoso’s anti-inflation stance, deserves credit.

Tradução:

Uma vez reconhecido por seus breves períodos de hiperinflação, o Brasil agora goza de relativa estabilidade de preços, e o Sr. da Silva, que adotou a mesma política anti-inflação do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, [também] merece crédito.

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