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Glenn Stevens: Poupar enquanto é tempo de vacas gordas

June 9, 2010 4 comments

Parece que a atuação do Governador do Banco Central da Austrália está fazendo efeito.

Hoje em discurso para o setor privado, em Sydney, Glenn Steven confirma sua mensagem de austeridade e quer que isso seja adotado pela população. Não é a toa que vem aumentando os juros e até deu uma freada, pois ve a população de alguma forma atendendo a seu pedido, mesmo que seja na marra.

Quer mais evidencia?

confiança do consumidor caiu este mes, confirmando o esforço de Glenn no aumento dos juros. Outro dado confirmando isso foi a queda no emprestimo imobiliário que atinge o ponto mais baixo nos ultimos nove anos. (anos nao meses!) e os emprétimos estão caindo nos ultimos sete meses.

Agora vem alguem me falar que a economia esta recuperando…

O que Steven deseja é simples: poupe e pague dividas.

Aqui vai um trecho do discurso:

“One would have to think that, however well households have coped with the events of recent years, further big increases in indebtedness could increase their vulnerability to shocks – such as a fall in income – to a greater extent than would be prudent.”

Em suma ele quer que a população não entre mais em divida e diminua as que tem  enquanto a situação não piora e se for o caso todos estão preparados.

O discurso foi otimista no geral com relação a situação de estabilidade economica na Australia. Enfim um discurso bem prudente, pois no caso da piora vir a Australia tem que estar bem preparada.

A Austrália é dos paises menos endividados do mundo quando se fala em divida pública, mas um dos mais endividados do mundo em divida pessoal. Isso ja foi post aqui no blog. E noticias como esta: Middle Class hi by bankruptcies. Ja não me assusta.

”One of the biggest findings was that more and more of the middle class are being claimed by bankruptcy, and, to us, it seems a social problem that has escaped notice.”

Este final de semana teve encontro do G20 na Coreia do Sul e ouvi um comentario do blog do Mish sobre o sucesso que foi. Aqui vão os principais pontos do sucesso:

  • Merkel and Trichet politely told Geithner to go to hell. Given that Geithner needs to be fired, this is a positive event.
  • Europe is more concerned about sovereign debt issues than stimulating growth. Only fools like Geither and the IMF would argue against that.
  • No one paid any attention to Geithner or the Keynesian clowns at the IMF, most notably, IMF Managing Director Dominique Strauss-Kahn.
  • There was no agreement on a universal bank levy. A universal tax is the wrong approach to risk management and it punishes banks with good lending practices.
  • Geithner made a complete fool out of himself.
  • A dozen cheers for German Chancellor Angela Merkel who said “We can only spend what we receive in income.” Finally someone gets it.

Destaque para Angela Merkel, primeira ministra alema e J. C. Trichet, presidente do banco central europeu, que calaram a boca do T. Geithner, secretario do tesouro americano. O negocio na Europa não está bom e a mensagem foi clara, como pode ver acima. “Nos só podemos gastar o que recebemos de receita”, em outras palavras. Não vamos imprimir dinheiro.

Bom pra mim isso significa. Compre Euro e venda USDolar. Eu até postei um grafico aqui do Euro que foi massacrado nos ultimos meses e está agora menos de 1.20USD.

Para finalizar a parte política do post o parabens agora vai para o primeiro ministro britânico David Cameron que disse que vai apertar o cinto.

David Cameron warns of ‘pain’ in Government spending cuts : Mr Cameron said areas that need to be addressed include “massive welfare bills”, public sector pay and “the bureaucracy that has built up over the past decade”.

Cameron, vai cortar a mamata da galera. Esse é o lado bom de governo conservador. Maraja não tem vez.

Amanhã sai o numero do desemprego na Austrália e espero que fique estável. se mudar muito ficarei surpreso. Talvez uma pequena melhora. Não teve nenhum indicador de tendencia que o numero melhoraria significamente ultimamente. Na segunda feira o indicador do ANZ indicou um pequeno aumento nos anuncios de emprego em maio 2.2%.

E o G20 de Londres?

April 3, 2009 6 comments

G20

Acompanhando as últimas notícias sobre o G20 nos jornais, deu a impressão que estávamos assistindo o desenho dos “superamigos”. É como se Londres tivesse virado a “Sala de Justiça”, reunindo os 20 mais poderosos super heróis do planeta com o objetivo de acabar com a maior crise financeira desde a grande depressão.

A diferença é que os super heróis, não tem nada de super. Até os EUA, país vencedor da guerra da fria, e conhecido em outros tempos com a única super potência do mundo, já não é mais tão super assim. O termo “super amigos” também não procede. Aliás, nas semanas antecedentes ao G20, foi um festival de gestos e acusações nada amistosas como o puxão de orelha que os chineses deram nos EUA, a reclamação dos americanos que queriam ver os europeus gastando dinheiro para estimular a economia mundial, e o Lula dizendo que os culpados pela crise são os homens brancos de olhos azuis. E para quem pensou que o Lula estaria sozinho nessa, até o Sarkozy entrou no coro, mas preferiu usar um termo mais refinado: “Anglo-Saxões”.

Completando o show de sopapos, China e Rússia também se uniram contra o dólar americano:

China on Monday added its voice to a growing international chorus seeking the replacement of the dollar as the main reserve currency, urging for an overhaul of the global monetary system to allow for wider use of Special Drawing Rights (SDRs) allocated by the International Monetary Fund (IMF).

Chinese central bank chief Zhou Xiaochuan said the SDRs, created by the IMF as international reserve assets in 1965, could be used as a super-sovereign reserve currency, eventually displacing the dollar.

His comments come a week after Russia said it would put forward a proposal for the creation of a new reserve currency issued by international financial institutions at the G20 meeting in April.

Russia said it had the broad support of its fellow BRIC countries — Brazil, India and China — as well as South Korea and South Africa for its proposal.

Tradução:

A China, nessa segunda, juntou-se ao crescente coro internacional que procura substituir o dólar como a principal moeda para reservas internacionais, pedindo uma reforma geral do sistema financeiro global que permita o uso maior do “direito especial de saque” (SDR’s) alocados pelo Fundo Monetário Internacional.

Nota: O “direito especial de saque” sería o equivalente a URV usada no Brasil pré-implementação do real.

O chefe do Banco Central Chinês Zhou Xiaochuan disse que as SDRs, que foram criadas pelo FMI como títulos de reserva internacional em 1965, poderíam ser usadas como uma moeda supra-soberana, e que viriam eventualmente a substituir o dólar.

O seu comentário vem uma semana após a Rússia dizer que vai propor a criação de uma nova moeda internacional emitida por instituições internacionais financeiras no encontro de G20 em Abril.

A Rússia diz que sua proposta tem o apoio geral de outros países que constituem as BRIC’s — Brasil, Índia e China — assim como da Coréia do Sul e e da África do Sul.

E enquanto o mundo falava do comentário do Lula em relação as “pessoas brancas de olhos azuis”, muita gente nem percebeu que na mesma coletiva, o presidente brasileiro apoiou publicamente a proposta dos russos:

“Brazilian President Luiz Inacio Lula da Silva said on Thursday that it was important to discuss a Russian proposal to replace the U.S. dollar as the international reserve currency.”

Tradução:

“O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva disse na quinta, que também era importante discutir a proposta russa para substituir o dólar como a moeda corrente de reservas internacionals”

E no que deu o G20 então?

Não foi um show dos super amigos, criando uma super resolução para uma super crise global. Também não foi uma guerra, como todas as declarações e cutucões descritos acima, deixaram a entender. Mas foi um grande passo em direção a uma mudança na atual ordem econômica mundial. Falou-se muito da quada de braço entre Barack Obama (que aliás roubou a cena com seu carisma) e os europeus liderados pelo Sarkozy e chanceler alemã Angela Merkel, mas os maiores vencedores foram as BRICs, que conseguiram exatamente o que pediram numa declaração conjunta feita no meio de Março:

March 14 (Reuters) – Issuing their first-ever communique at a G20 finance ministers’ meeting, Brazil, China, Russia and India have called for a bigger voice on international bodies — signalling their growing political resolve to influence global affairs.

9. We draw our special attention to the reform of international financial institutions. We stand for reviewing the IMF role and mandate so as to adapt it to a new global monetary and financial architecture. We emphasize the importance of a strong commitment to governance reform with a clear timetable and roadmap.

Tradução:

Março 14 (Reuters) – Emitindo o seu primeiro comunidado no encontro de ministros do G20, Brasil, China, Russia e India pedem maior voz nos orgãos internacionais — apontando sua vontade crescente de influenciar relações globais.

9. Colocamos atenção especial na reforma da instituições financeiras internacionais. Nos posicionamos para a revisão do papel e mandato do FMI para que se adapte a nova arquitetura monetária e financeira global. Enfatizamos a importancia de um forte comprometimento para reforma de governo com um plano e calendários claros.

E foi o que aconteceu, e que foi bem notado pela BBC:

The IMF is also set to have a bigger role in preventing future crises, by developing an early warning system for financial problems, and taking a larger role in looking at the problems of the financial sector as a whole, in conjunction with a new global regulator, the Financial Services Board.

But the biggest changes in the IMF will come after 2011, when it has been agreed that there will be a review of the voting structure. That could lead to the US losing its veto power, while China and other emerging countries get a bigger voice.

It has already been agreed that in future, the convention that the World Bank and IMF must be headed by an American and a European respectively will be abandoned.

In return, China will be asked to lend some of its reserves to the IMF – and will continue to push for the idea that the SDR will become a real reserve currency, ultimately replacing the dollar.

The changes to the resources and the role of the IMF are historic and perhaps the most important outcome of the G20 summit.

Tradução:

O FMI também terá um papel maior na prevenção de crises futuras, desenvolvendo um sistema de alarme para problemas financeiros, e também aumentando o seu papel na fiscalização dos problemas do setor financeiro como um todo, em conjunção com o novo regulador global, denominado Conselho de Serviços Financeiros.

Mas as maiores mudanças no FMI vão ocorrer depois de 2011, quando haverá uma revisão da estrutura de votos. Isso pode levar os EUA a perderem o seu poder de veto, enquanto países como a China e outros emergentes terão maior voz.

Também foi decidido que no futuro, a convenção que o Banco Mundial e o FMI devem ser liderados por um americano e um europeu respectivamente vai ser abandonada.

Em retribuição, a China esprestará parte de suas reservas ao FMI – e vai continuar pressionando a idéia que a SDR de torne a verdadeira moeda de reservas internacionais, substituindo o dólar.

A mundança dos recursos e papel do FMI são históricas e talvez seja o maior resultado do encontro do G20.

Quem deve estar feliz da vida, deve ser o brasileiro Caio Kock-Weser, ex-ministro das finanças da Alemanha, e que foi indicado pelos europeus em 2000 para assumir o FMI. Ele sería o primeiro brasileiro a liderar o FMI, mas foi vetado pelos americanos, mesmo tendo nacionalidade alemã.

No demais, também é bom saber que o Brasil vai emprestar dinheiro ao FMI.

O mundo está ficando de cabeça para baixo.

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